Morre Preta Gil: O adeus à força da música brasileira

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Morre neste domingo, 20 de julho de 2025, Preta Gil — voz que ecoou além dos palcos, tornando-se símbolo de resistência e alegria em meio à luta contra o câncer.

A despedida de Preta Gil nos EUA

Preta Gil faleceu em Nova York, onde buscava tratamento experimental contra o câncer colorretal diagnosticado em janeiro de 2023. A informação foi dada pela assessoria da cantora. Seu quadro de saúde, estável até a semana anterior, sofreu piora súbita na quarta-feira (16/07), após uma sessão de quimioterapia no Virginia Cancer Institute. Familiares, incluindo seu filho Francisco e a amiga Carolina Dieckmann, estavam ao seu lado.

A artista deixou o Brasil em maio de 2025 com uma mensagem de esperança: “Vou voltar curada, se Deus quiser”. Apesar dos esforços nos centros médicos de Washington e Nova York, as complicações da doença foram irreversíveis. Gilberto Gil, seu pai, sofreu pico hipertensivo ao receber a notícia.

Jornada de dois anos contra o câncer

Diagnosticada com adenocarcinoma intestinal, Preta Gil enfrentou cirurgias, quimioterapia e radioterapia. Em agosto de 2023, anunciou a remissão da doença, mas em dezembro do mesmo ano submeteu-se a uma cirurgia de 21 horas para remover tumores. Em agosto de 2024, revelou que o câncer havia retornado com metástase no peritônio, linfonodos e ureter.

Sua luta foi marcada por vulnerabilidade e coragem. Em 2023, durante internação na UTI, descobriu a traição do então marido, Rodrigo Godoy, e pediu divórcio. “Não mereço isso depois de quase morrer”, declarou. Mesmo assim, celebrou seus 50 anos com uma festa para 700 convidados no Rio, lançando sua autobiografia, “Os Primeiros 50”.

Carreira: Do “Prêt-à-Porter” ao Bloco Milionário

Aos 29 anos, Preta Gil lançou “Prêt-à-Porter” (2003), com a icônica capa nua que desafiou padrões estéticos. O disco incluía “Sinais de Fogo”, composta por Ana Carolina, tornando-se seu hino pessoal. Seguiram-se mais cinco álbuns, como “Todas as Cores” (2017), com participações de Pabllo Vittar e Marília Mendonça.

Em 2010, criou o Bloco da Preta, que reuniu 500 mil foliões em 2017 e chegou a 2 milhões em edições recentes. O projeto virou DVD em 2014, com participações de Anitta, Ivete Sangalo e Thiaguinho. Paralelamente, fundou a agência Mynd, impulsionando carreiras como Luísa Sonza e Pabllo Vittar.

Ativismo e autoaceitação como bandeira

Preta Gil transformou críticas em militância. Após ataques gordofóbicos e racistas pela capa de 2003, tornou-se referência contra opressões. Declaradamente bissexual, defendeu direitos LGBTQIA+ e promoveu discussões sobre aborto legal e autoestima negra em suas redes (12+ milhões de seguidores).

Seu programa “Vai e Vem” (GNT, 2010) abordou sexualidade sem tabus. No livro autobiográfico, reforçou: “Enfrentei moralismos, mas venci pelo respeito à minha identidade”. Essa postura a tornou ícone geracional, ecoando em projetos como o monólogo “Mais Preta Que Nunca!”.

Imagem: Instagram Preta Gil

Legado: Filho, netos e a música eterna

Preta Gil deixa o filho Francisco, a neta Sol de Maria, e uma família artística extensa. Francisco, do grupo Gilsons, era seu “porto seguro”: em 2021, gravaram “Meu Xodó”, música que, segundo ela, “a tirou do fundo do poço”..

Sua última aparição pública foi em abril de 2025, cantando com Gilberto Gil na turnê “Tempo Rei”. Nas redes, escreveu: “Cada nota é uma dose de vida”. Seu legado permanece no Carnaval, na luta contra preconceitos e na coragem de viver com autenticidade — até o último acorde.