Eles conseguiram o que queriam: a Ubisoft aplicou pressão para esticar a duração de Assassin’s Creed 3 a qualquer custo.
- Pressão interna para estender game
- Motivação da Ubisoft e varejo
- Impacto no design e elementos de RPG
- Visão dos devs e legado do capítulo
- Será que vale a pena games tão longos?
Pressão interna para estender game
Logo no início da produção de Assassin’s Creed 3, a equipe foi surpreendida por ordens de dentro da liderança: “mais horas de jogo, mais missões, mais collectibles”. Os devs admitiram que a Ubisoft queria empurrar o playtime lá no alto para evitar revenda rápida e esgotar a experiência do jogador. Com planilhas cheias de metas de horas de gameplay, o estúdio se viu inclusive cortando cenas cinematográficas e substituindo por side quests repetitivas. Foi um verdadeiro desafio manter o ritmo de desenvolvimento sem parecer um RPG genérico: adicionar níveis, árvores de skills e loot virou prioridade máxima para esticar o cronômetro do game até não dar mais. No fim, as 20 horas planejadas viraram rotina de 40 a 50 horas de missão, caminhada e escalada no gelo.
Motivação da Ubisoft e varejo
Esse estica e puxa tinha razão de ser: uma gigante do varejo, a GameStop, era a única que lucrava com as cópias usadas, então a Ubisoft quis segurar esse lucro por mais tempo. A ideia era simples: se você levar 100 horas para zerar o jogo, vai demorar mais pra entregar no balcão de trocas, e quem sai ganhando? Quem mantém as cópias dentro. Em entrevista ao GamesRadar, o diretor Alex Hutchinson confessou que tinha “muita pressão interna” para encher o jogo de conteúdo e botar players no modo grind. Até o próximo patch virou argumento pra alongar fases e introduzir missões opcionais. No fim das contas, rolou uma guerra silenciosa entre lucro imediato e qualidade de narrativa.
Impacto no design e elementos de RPG
Lógico que essa decisão impactou diretamente o design. Em vez de focar no combate stealth e em narrativas mais enxutas, o time precisou criar sistemas de RPG – níveis, atributos, loot – tudo pra justificar horas a mais no contador. Isso fez de Assassin’s Creed 3 um híbrido meio estranho entre ação e RPG de bolso, onde você passava mais tempo upando barra de stamina e coletando peles de bichos que caçando segredos da Revolução Americana. Quem curte um desafio mais tático, como em Mirage, sentiu saudade dos tempos sem menus intermináveis. Mas a galera do loot, que conta XP igual soldados contam bala, curtiu encher inventário e caçar itens raros pra montar build. Nesse RPG ao redor de Assassin’s Creed 3 foi teste de resistência e paciência em dose dupla.
Visão dos devs e legado do capítulo
Os próprios desenvolvedores ficaram meio divididos. Hutchinson diz que ama ação direta e sentiu falta do foco puro em stealth, mas reconhece que “foi o único jeito de manter o público e faturar mais”. Esse capítulo virou case de estudo em faculdades de game design, mostrando como a pressão comercial pode redirecionar toda a creatividade de um estúdio. Alguns veteranos relatam que esse foi o primeiro passo pra franquia virar um RPG de mundo aberto inflacionado, que ainda hoje rende 40 milhões de cópias por título. No mínimo, serviu de alerta pra quem acha que jogo bom é medido em horas de play: tem dev que lembra AC3 como um projeto que virou maratona.
Será que vale a pena games tão longos?
Apesar de tudo, não dá pra negar que Assassin’s Creed 3 explodiu a popularidade da franquia e mostrou pra Ubisoft que gamers topam rpgizar qualquer coisa. No entanto, será que empurrar o contador pra valer é jogada inteligente ou tiro no pé? Com tanto grind e side quest, muitos players viram o time correr a pé-maródromo, perdendo aquela sensação de passar furtivo por telhado, como nos primórdios do Ezio.
A questão é: até que ponto queremos que nossos jogos mudem de gênero só pra justificar preço cheio? A história de Assassin’s Creed 3 é um lembrete bem pé no chão de que, na balança entre arte e lucro, às vezes as prioridades se embaralham. Se você pudesse retroceder o tempo e dialear o timer do jogo, você preferiria um title enxuto de 15 horas ou uma saga de 60 horas com coleta de couro e XP rolando eternamente? Deixe sua run nos comentários!














