Filme indígena chega a Vitória com sessão gratuita, debate e uma história Guarani que atravessa décadas.
- O filme e a sessão gratuita em Vitória
- A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete
- Memória como ferramenta de futuro (sem fantasia)
- Bastidores: produção colaborativa e acessibilidade
- Serviço: datas, horário e onde ir
- Vai perder essa aula de história que é cinema?
O filme e a sessão gratuita em Vitória
Se você é do tipo que curte cinema com propósito (e não só com spoiler gratuito), anota aí: um filme indígena dirigido por cineasta Guarani terá sessão gratuita em Vitória. O longa tem nome longo mesmo, do jeito que a tradição gosta: “Tatatxi Ogwata Porã Djawe – A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete”. A exibição vai rolar no dia 10 de abril, às 19h, no Cine Metrópolis, dentro da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Segundo o diretor Wera Djekupe, o documentário é o primeiro longa-metragem conduzido por um cineasta indígena Guarani no Espírito Santo. Depois da sessão, ainda tem debate com a equipe do filme. Ou seja: é cinema, mas também é conversa. Tipo assistir a uma temporada inteira e ainda participar do “making of” ao vivo.
A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete
O filme revisita a trajetória de Tatatxi Ywarete, liderança espiritual, curandeira e parteira do povo Guarani Mbya. A história é marcada por uma caminhada de 35 anos pelo Brasil, começando na década de 1940, no Rio Grande do Sul, e atravessando diferentes estados até chegar ao Espírito Santo.
O ponto central da jornada é a busca por um lugar considerado sagrado na cultura Guarani: a “Terra Sem Males”. E aqui vai um detalhe que dá aquele nó no cérebro, no melhor sentido. Ao longo do caminho, Tatatxi ajudou a fundar aldeias que seguem existindo, chegando a se estabelecer em Aracruz, no litoral norte capixaba.
Para reconstruir essa memória, a produção percorreu os mesmos caminhos trilhados pela líder, reunindo relatos de pessoas que caminharam ao lado dela e que preservam o que foi vivido. Não é só recontar o passado. É acompanhar uma rota cultural como se fosse um mapa que ninguém deveria esquecer.
Memória como ferramenta de futuro (sem fantasia)
Mais do que um retrato histórico, o longa nasce com a missão de preservar a história do povo Guarani e fortalecer a identidade, principalmente entre os mais jovens. É aquele tipo de obra que não quer só emocionar, quer ensinar a lembrar. Como disse o próprio diretor em falas registradas no projeto: feito com orgulho para que a juventude Guarani não se esqueça de quem é, e para que a memória não se perca.
O filme também tenta dialogar com o público não indígena. A lógica é simples e bem realista: se você não conhece, você vive com preconceito e ignorância. E, sinceramente, isso vale pra qualquer “mundo” que a gente explore, seja em festivais ou na vida real. A obra propõe conhecimento, não vitrine.
E tem mais: o documentário é falado integralmente em língua guarani, com legendas em português, inglês e espanhol. Pra completar, a acessibilidade está no pacote com Libras, audiodescrição e legendas descritivas. É praticamente o “level up” da experiência cinematográfica.
Bastidores: produção colaborativa e acessibilidade
O longa foi filmado entre 2024 e 2025 e realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo. O projeto não ficou só no “assistam e acabou”. Ele incluiu participação direta de comunidades Guarani, com oficinas de fotografia e som, envolvendo cerca de 20 indígenas, na maioria jovens, que integraram a equipe de produção.
Isso faz diferença porque aproxima autoria e memória, como se o filme fosse construído em camadas. A co-roteirista Fernanda Keretxu destaca o processo como aprendizado e fortalecimento cultural. Já o produtor Ricardo Sá reforça o desejo de levar a jornada de Tatatxi Ywarete para mais pessoas.
No material do projeto, também aparecem contribuições de pesquisadoras como Celeste Ciccarone e Maria Inês Ladeira, além de acervos importantes, como as fotografias de Rogério Medeiros. Ou seja: não é um documento solto. É uma montagem cuidadosa de quem sabe que história também é responsabilidade.
Para entender melhor a proposta de políticas culturais ligadas ao audiovisual, vale dar uma olhada no canal do governo sobre a Lei Paulo Gustavo.
Serviço: datas, horário e onde ir
Sessão especial de “Tatatxi Ogwata Porã Djawe – A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete”
- Quando: 10 de abril, às 19h
- Onde: Cine Metrópolis – Ufes, Vitória
- Entrada: gratuita, sujeita à lotação
Treta zero: é só chegar, assistir e depois participar do debate. A lotação pode ser rápida, então não deixa pra última chamada.
Vai perder essa aula de história que é cinema?
Se você curte cultura geek no sentido mais amplo, entende a parada: narrativa é poder. E um filme indígena que preserva memória, fortalece identidade e ainda vem com acessibilidade é daqueles eventos que valem mais do que “mais um role”. Em Vitória, no dia 10 de abril, dá para trocar a pipoca tradicional por uma experiência que fica na cabeça por dias.














