Toho anime deixou o “side quest” e virou prioridade máxima: o relatório financeiro recente mostra uma expansão do tamanho de um kaiju em modo rampage.
- O que o plano de médio prazo promete
- Números que explicam a ambição
- A linha de produção até 2032
- Frieren, Mushoku e mais: o calendário confirmado
- Anime como motor da empresa, Godzilla que aguarde
O que o plano de médio prazo promete
A Toho sempre foi associada ao cinema japonês e, claro, à sua galeria de monstros clássicos. Godzilla, King Ghidorah, toda aquela vibe de “kaiju o suficiente para rebentar a cidade”. Só que, no mais recente relatório financeiro, a empresa basicamente levantou a mão e disse: “anime é o novo boss final”.
O ponto central é o plano de médio prazo publicado a 14 de abril de 2025, que desenha uma subida pesada de produção para a TOHO animation. O objetivo não é apenas lançar mais títulos. É ajustar capacidade, equipa e rede de parcerias para criar um fluxo constante ao longo dos próximos anos.
Traduzindo do “juridiquês corporativo” para linguagem de otaku: eles querem acelerar. Tipo quando aparece aquela season de anime em que tudo chega ao mesmo tempo e o teu calendário começa a chorar.
Números que explicam a ambição
O que torna isto interessante é que não é só narrativa. Os resultados aparecem nos números. Segundo o relatório, as receitas do negócio de anime da Toho mais do que duplicaram nos últimos dois anos fiscais, passando de 24,2 mil milhões de ienes em 2023 para 55,4 mil milhões em 2025.
Além disso, a fatia do anime no total das receitas operacionais subiu de 9,9% para 17,7%. Ou seja, não é um extra simbólico. É um segmento que está a crescer para virar coluna vertebral do grupo.
E quando uma empresa vê dinheiro a entrar com consistência, normalmente vem a segunda fase: “ok, agora vamos aumentar a cadência”. No caso da Toho, essa cadência tem um número bem específico.
A linha de produção até 2032
O plano quer passar dos atuais 14 cours anuais para 20 até 2029, e chegar a 30 cours por ano em 2032. Se a palavra “cour” te soa meio alienígena, aqui vai a tradução rápida: um cour corresponde, de forma geral, a um trimestre de emissão. Então a Toho está a apontar para um ritmo praticamente triplicado.
Para aguentar essa escala, a estratégia inclui duplicar o número de funcionários ligados à TOHO animation e reforçar as capacidades dos estúdios internos. Ao mesmo tempo, a empresa vai expandir parcerias externas, porque produzir a este nível só com recursos internos seria praticamente como tentar encher um oceano com uma chávena.
Um dos movimentos mais marcantes foi a compra do estúdio Science SARU, concluída em maio de 2024. O estúdio é conhecido por trabalho criativo e autoral, como Dandadan e o DEVILMAN crybaby. E a Toho também investiu no Orange (CGI de Beastars), além de participações em CoMix Wave Films e Bandai Namco Holdings.
Para o lado técnico e de produção, este modelo faz sentido porque a Toho atua muito como produtora e distribuidora, controlando financiamento, direitos e licenciamento internacional. Ou seja, o “cérebro” e a “máquina de distribuição” ficam coordenados para alimentar streaming, merchandising e parcerias globais. A parte arriscada? Manter qualidade num ritmo que pode estragar uma dobradiça se a gestão falhar.
Frieren, Mushoku e mais: o calendário confirmado
Ao longo dos próximos dois anos, a empresa já deixou um rasto de anúncios que não deixa muita margem para dúvidas. E aqui o pessoal do anime vai reconhecer nomes tipo mantra.
Frieren: Beyond Journey’s End está programada para uma terceira temporada em outubro de 2027, com produção do estúdio Madhouse. The Apothecary Diaries tem terceira temporada marcada para outubro de 2026 (primeiro cour) e abril de 2027 (segundo cour). Além disso, um filme com história original escrita por Natsu Hyūga chega aos cinemas em dezembro de 2026.
Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation volta em 5 de julho de 2026, com dois cours e confirmação do regresso de Eris. E para quem gosta de conteúdos fora do eixo “novas temporadas”: há Haikyu!! com o novo filme Versus the Little Giant em 2027, e um episódio especial.
Em My Hero Academia, será lançado o episódio especial No.170+1 “More” em 2 de maio de 2026.
Entre o caos organizado, há também projetos em desenvolvimento como o capítulo final de Kaiju No. 8, uma nova série de Godzilla, a continuação de Spice and Wolf e o anime de Dandadan na terceira temporada em 2027, com Science SARU novamente no leme.
E aquele detalhe que faz os fãs de techno-ghost vibes ficarem de olhos arregalados: o novo anime de Ghost in the Shell, produzido com a Science SARU, está apontado para julho de 2026. Para acompanhar atualizações oficiais, vale dar uma vista na TOHO.
Anime como motor da empresa, Godzilla que aguarde
No fim do dia, a mensagem da Toho é clara: ela quer transformar o anime em motor de crescimento e, pelo caminho, levar o catálogo e os direitos para um patamar ainda mais global. Com a meta de subir para 30 cours anuais até 2032, não é só “mais temporadas”. É uma mudança de escala.
Vai ser uma viagem emocionante para quem vive de maratonas, mas também vai exigir sangue frio e boa gestão de recursos, porque qualidade e quantidade têm de coexistir. Se a Toho acertar, o universo de anime vai ganhar um novo ritmo. E se não acertar… bem, aí é o público que decide, e a internet não perdoa. Como sempre.
Sugestão para o seu Set-up Nerd:
Encontramos produtos incríveis com desconto!















