Euphoria entrou no modo turbulência total: saídas do elenco, mortes e brigas nos bastidores da HBO Max anteciparam a estreia dos novos episódios, e isso parece ter vazado para a própria tela.
- O que aconteceu nos bastidores (spoilers de contexto)
- Do neon ao faroeste: a série mudou de identidade
- Rue, Cassie, Nate e o pós ensino médio que não empolga
- O problema do núcleo: quando a trama patina
- O que sobra: hora de encerrar ou de reinventar?
O que aconteceu nos bastidores (spoilers de contexto)
Antes mesmo da terceira temporada chegar, o clima em torno de Euphoria já vinha meio “seriado amaldiçoado”, daqueles que você torce pra dar certo, mas sente que tem coisa estranha no ar. Segundo informações que circularam, Barbie Ferreira e Storm Reid saíram do elenco. No mesmo pacote, o noticiário também registrou falecimentos que marcaram a produção e, do outro lado, houve relatos de conflitos criativos sobre o rumo da história.
Some isso ao fato de que o Labrinth teria deixado a trilha sonora, dizendo estar cansado da indústria. Ou seja: não é só “mudou o roteiro”. É um conjunto de perdas e descompassos que bagunça a química do projeto. E quando você junta essa instabilidade com a expectativa gigante que a série criou, fica difícil disfarçar a sensação de que a produção entrou em um modo meio apressado, meio reativo, tipo trocar o setup inteiro antes da partida decisiva.
Do neon ao faroeste: a série mudou de identidade
O que mais chama atenção na nova fase é a estética. Euphoria nasceu com uma assinatura visual grudada na retina: neon, brilho, textura borrada e um clima meio etéreo, que combinava com o caos emocional dos personagens. Só que na terceira temporada, a identidade troca de pele.
O visual dá lugar a um faroeste árido, com cores mais saturadas, cenários secos e uma ambiência que flerta com o country. A música e o tratamento de imagem mudam o “timbre” da série. Se antes parecia que o mundo era um sonho estilizado, agora parece que o roteiro puxou o freio de mão na parte visual e escolheu um caminho mais seco. E sim, isso pode ser uma decisão artística. Mas quando o conjunto do episódio não sustenta a mudança, o resultado vira aquele sentimento de “ok, entendi a ideia, mas por que do jeito que ficou?”.
Inclusive, esse tipo de transição radical é o tipo de coisa que costuma gerar discussão na comunidade de fãs, principalmente porque Euphoria já tinha virado referência cultural. A diretora Petra Collins, por exemplo, chegou a entrar no debate sobre inspiração e autoria no projeto, o que aumenta ainda mais o ruído ao redor da obra.
Rue, Cassie, Nate e o pós ensino médio que não empolga
Na história, a série continua a saga dos personagens depois do ensino médio com uma premissa que, no papel, tem potencial de “crescimento adulto sem perder o drama”. Rue vira uma espécie de intermediária no narcotráfico. Cassie começa a produzir conteúdo para a plataforma OnlyFans. Nate aparece ligado a investimentos. E Maddy trabalha como secretária de uma agência de talentos.
O problema é que a escolha de novos rumos não garante automaticamente novas camadas narrativas. A sensação é que o roteiro trocou o “choque” do colégio pelo “choque” do mercado, mas sem transformar isso em conflito dramático na mesma potência. Rue, por outro lado, segue como a personagem que mais segura a tela. Zendaya carrega, mesmo quando o texto tropeça, e a performance continua garantindo aquela energia de “tem alguém aqui que ainda tá realmente vivo e interessa”.
Já Cassie e Nate, quando recebem destaque, parecem presos em situações que vão se repetindo em variações, como se a série estivesse procurando o próximo grande evento sem conseguir firmar o tom. É o clássico caso de personagem estar em uma fase nova, mas o roteiro não acompanhar o ritmo interno dela.
O problema do núcleo: quando a trama patina
O núcleo de Cassie e Nate ganha espaço em uma escolha que não favorece o ritmo geral. O que deveria ampliar perspectivas vira o foco que mais entedia. Enquanto isso, a narrativa principal parece perder uma bússola emocional: as problemáticas existem, mas parecem colocadas para funcionar como tópicos, não como arco.
É aqui que a treta dos bastidores conversa com o produto final. Quando você tem saídas, mudanças de trilha e desentendimentos criativos, a produção pode acabar buscando “resolver” tudo com ajustes rápidos. Aí a série fica com aquela impressão de que está andando em linha reta, mas sem meta clara. No fim, sobra um clima de transição, como se o show estivesse entre uma identidade e outra, e não chegasse de fato na nova.
Para quem acompanha streaming, isso é quase uma lição amarga do “produção é personagem também”. A plataforma HBO Max vira cenário, mas o que pega mesmo é a sensação de que o elenco e o projeto não estão mais na mesma sintonia.
Se a identidade se perdeu, vale encerrar a saga?
No momento, não há um anúncio oficial sobre o futuro de Euphoria. Mas, pelo que a temporada entrega, fica difícil negar o gosto amargo de que chegou a hora de parar ou, no mínimo, recomeçar com um plano de direção firme. Porque quando a série troca neon por faroeste e perde a força emocional que fez todo mundo se apaixonar, ela corre o risco de virar só mais um drama estilizado em meio ao mar de conteúdos.
Talvez o caminho seja o encerramento, talvez seja reinvenção. O que dá para sentir é que a terceira temporada funciona como um aviso: quando bastidores escorregam, o texto também escorrega. E Euphoria, do jeito que foi, é difícil de substituir.
Sugestão para o seu Set-up Nerd:
Encontramos produtos incríveis com desconto!















