Kindergarten for Divine Beasts já conquistou milhões no webtoon e agora vai para animação, com um processo de produção que está a usar inteligência artificial de forma bem mais “mão na massa” do que o normal.
- O webtoon que explodiu na WEBTOON
- Estreia, canal Anione e formato dos episódios
- Como a IA entra na produção (sem ser só para poupar tempo)
- Seo Minu, o jardim e o twist divino
- IA vai salvar ou vai complicar a animação?
O webtoon que explodiu na WEBTOON
Se andas pelo radar do mundo webtoon, dificilmente não te cruzaste com Kindergarten for Divine Beasts. Publicado na WEBTOON desde janeiro de 2025, o título foi escrito por Geul Mat e ilustrado por Mimba, acumulando mais de 4 milhões de visualizações globais. Sim, estamos a falar daquele tipo de números que faz qualquer estúdio coçar a cabeça e pensar: “ok, isto tem fãs, isto tem tração e isto tem futuro em ecrã grande… ou pequeno”.
E agora o passo seguinte já tem data e equipa: a história vai receber uma versão animada. O detalhe que chama a atenção é o processo. Em vez de tratar a IA como ferramenta periférica, o projeto parece estar a integrá-la em várias fases do pipeline criativo e de acabamento, da direção artística à edição. Ou seja, não é só “automatizar tarefas repetitivas” e seguir vida.
Estreia, canal Anione e formato dos episódios
A série vai estrear ainda este mês no canal Anione, operado pela Daewon Broadcasting, uma subsidiária da Daewon Media e uma das distribuidoras mais relevantes de animação na Coreia do Sul. O projeto também foi desenvolvido em colaboração com o Glitch Goblin Studio, um estúdio de animação com foco em geração assistida por IA dentro do ecossistema do Korea Edu Group.
Em termos de estrutura, cada episódio terá dez minutos. E há um alinhamento interessante com a fonte: cada episódio corresponde à adaptação de dois episódios do webtoon original. Isso ajuda a manter o ritmo e, ao mesmo tempo, dá espaço para não “espremê-lo” até ficar parecendo um speedrun. A Daewon Broadcasting assumiu planeamento, produção e pós-produção, enquanto o estúdio técnico entrou com a componente de animação assistida por IA.
Como a IA entra na produção (sem ser só para poupar tempo)
O ponto mais relevante aqui é a forma como a IA é posicionada. O projeto diz, na prática, que a tecnologia não foi usada apenas como “atalho” para economizar recursos. Em vez disso, a IA está a ser tratada como parte ativa do processo criativo, influenciando etapas como direção artística, edição e acabamento final.
Para quem já acompanha este tipo de experiências, isto é quase como o “modo campanha” versus “modo treino”. O Glitch Goblin Studio já tinha feito demonstrações de viabilidade com Little Songland, uma série 3D que saiu num canal televisivo convencional. Agora a diferença é que aqui existe uma propriedade intelectual estabelecida, com uma base de fãs que já conhece o tom e reconhece o apelo visual. Isso reduz o risco de o resultado final virar uma experiência estranha, tipo quando a tua stream muda de qualidade e de repente tudo fica com o mesmo filtro do TikTok do ano passado.
Aliás, para contexto do debate maior, este tema conversa com discussões recorrentes sobre o papel da IA na indústria. Há quem veja como ameaça e há quem a veja como ferramenta que estende práticas existentes. Neste caso, a mensagem oficial posiciona-se claramente no campo da ferramenta criativa, com preocupação em preservar o “DNA” do webtoon ao adaptar ao formato televisivo.
Para veres mais sobre o ecossistema e como estes projetos costumam ser distribuídos, a própria WEBTOON é um bom ponto de partida para perceberes como os webtoons se transformam em fenómenos transmedia.
Seo Minu, o jardim e o twist divino
A premissa é simples e, ao mesmo tempo, viciante. A história segue Seo Minu, um jovem que não vê grande futuro para si. Aí vem o golpe de sorte e também o “plot twist” que só acontece em séries que dão vontade de continuar: ele herda algo inesperado da mãe que o abandonou quando era criança.
O que Minu recebe é um jardim de infância frequentado por crianças que são literalmente criaturas divinas. Traduzindo: é o tipo de cenário que mistura comédia de convivência com situações mágicas, e ainda coloca o Minu numa posição curiosa, porque a grande pergunta é se ele vai conseguir ser o professor certo para crianças que não são exatamente… “crianças normais”.
E é aqui que o webtoon brilha. Quando uma premissa tem um coração emocional e, ao mesmo tempo, espaço para gag, fantasia e dinâmica entre personagens, a adaptação para animação tende a funcionar melhor. Além disso, como a produção quer preservar o tom e o apelo visual do original, faz sentido que a IA esteja a ser usada como suporte para manter consistência de estilo.
IA vai salvar ou vai complicar a animação?
Se este projeto em Kindergarten for Divine Beasts correr bem, pode virar um “marco de acesso” para a IA em TV: não como substituta total, mas como parte de um pipeline híbrido. Por outro lado, a indústria continua dividida, e qualquer deslize visual ou narrativo vai ser amplificado por fãs que sabem exatamente o que esperam do webtoon.
Mas sinceramente? Com o histórico do Glitch Goblin Studio no 3D e com um título que já tem 4 milhões de visualizações globais, há argumentos para dizer que esta aposta não é só barulho. É um teste real de como a IA pode participar na criação de animações com uma base de público já existente.
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