Criaturas Extraordinariamente Brilhantes: Sally Field e emoção

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Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é aquele tipo de filme que parece sessão da tarde, mas vai cutucando a gente por dentro, tipo quando o sistema dá aquela travada e você descobre que o coração também tem buffer emocional.

Sally Field em modo semi-aposentada e a tal oportunidade

Eu sou fã da Sally Field desde sempre. E não é só “ser fã” no sentido casual. É aquela admiração que vai além da maquiagem e do figurino, porque dá para ver as fases dela como se fossem níveis de um jogo: ela escolhe papéis que encaixam com a fase do mundo, mas principalmente com a fase humana. E aí veio a oportunidade de fazer Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, já depois de ela ter colhido os dois Oscars de melhor atriz e estar em um ritmo mais de semi-aposentadoria.

O resultado? Um filme doce, com aquele verniz de história leve, mas que fala de coisas pesadas disfarçadas de carinho. A Netflix acertou ao trazer um conto sob medida de “quase nada”, só que esse quase nada tem impacto real. E, sim, tem a vibe de sessão da tarde, só que com coração grande e lágrimas bem treinadas.

Sally Field e as fases que viraram assinatura

Sally tem uma habilidade rara: ela consegue ser forte sem fazer força. Tem aquela presença que não depende de grito. Mesmo quando o personagem está quieto, você sente o peso do que ficou pra trás. Nos dois Oscars, ela já mostrou isso com maestria. E aqui, mesmo com o avanço de idade, ela não parece “voltar ao cinema” como quem está só preenchendo agenda. Ela entra com delicadeza e precisão, como se estivesse dizendo: “eu sei exatamente onde dói, porque já vivi.”

E o legal é perceber como o filme se aproveita disso. Tova é uma mulher marcada pela solidão e por oportunidades perdidas. A interpretação de Sally não tenta apagar a tristeza. Pelo contrário: ela deixa a tristeza existir sem transformar a história numa tragédia interminável. É como se o roteiro dissesse que a vida pode ser dura, mas ainda assim dá para existir amor e afeto em doses honestas.

Do aquário ao “encanto de novo”: do que o filme trata

O universo do filme é meio surreal e meio simbólico. Existe um aquário gigante onde a população de seres gigantes, incluindo o povo que vive em Marcellus, tem uma rotina triste. A protagonista, Tova, trabalha como faxineira no turno da noite. Ela é aquela pessoa que parece estar sempre presente, mas emocionalmente está sempre meio longe, como se o próprio corpo estivesse “chegando” antes do coração.

No aquário, aparece uma parceria improvável com um polvo. E, claro, quando a história coloca um bicho desses como narrador, você já entende que a trama vai brincar com a ideia de olhar para dentro. A narrativa gira em torno de como o vínculo e a amizade podem abrir portas internas. E aí surge Cameron, um rapaz recém-chegado na cidade, que completa o trio. Três trajetórias diferentes, uma mesma necessidade: restabelecer a capacidade de encantamento.

Se a gente quiser um paralelo geek: é como se cada personagem tivesse um “save” corrompido e, aos poucos, fosse recuperando arquivos perdidos. Nada acontece do nada. Tudo vem com tempo, descoberta e vínculo de verdade.

Química improvável, o polvo narrador e o vazio interno

O filme acerta muito na forma como resolve a emoção sem parecer forçado. O polvo funciona como narrador e percebe o vazio dentro de Tova e de Cameron. Isso seria clichê em outra obra, mas aqui ganha leveza, porque a amizade não é “terapia com roteiro”. É relação humana mesmo, com falhas e receios.

E falando em acertar: tem uma química quase inimaginável entre os atores. Sally está excelente no papel, e Lewis Pullman surpreende com uma atuação que equilibra vulnerabilidade e curiosidade. Ele também já mostrou força em outras histórias, como em Uma Questão de Química, onde dá para ver que ele entende bem personagens que estão em reconstrução.

Além disso, tem veteranos marcantes no elenco de apoio. A voz do polvo, por exemplo, é dublada por Alfred Molina, que trabalhou com a Sally em Nunca sem Minha Filha. E quando a produção junta gente experiente com um tom de afeto, o resultado fica mais orgânico. Colm Meany traz carinho no mercado, e as amigas aparecem com presença de verdade, sem virar decoração emocional.

No fim, Criaturas Extraordinariamente Brilhantes entrega aquela mistura que eu gosto: você ri, se emociona e ainda se surpreende por saber que o “fofinho” pode cutucar ferida antiga. Porque o filme, no fundo, pergunta quem somos quando a gente para de correr e precisa encarar o que ficou no passado. E convenhamos: todo mundo tem um backlog emocional, né?

É bobo e inocente mesmo, ou é isso que cura?

Vale assistir? Vale. Mesmo se você entrar achando que é só um filme “bonitinho”, ele vai puxar assunto com a sua memória, com aquela sensação de solidão que dá as caras quando a rotina aperta. E com Sally Field segurando a emoção com classe, o aquário vira metáfora, a amizade vira ponte e o coração de Tova ganha espaço para respirar de novo.

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