Efeito anime no turismo: set-jetting na Ásia

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Efeito anime está a virar motor de turismo na Ásia: fãs fazem set-jetting para visitar locais reais ligados a séries, mangas e festivais, e a procura disparou com números de 195% ao ano.

De onde vem o set-jetting anime

Antes era só aquela fantasia: “um dia eu vou visitar o sítio onde a cena do meu anime favorito foi filmada”. Agora, isso ganhou turbo. A tendência de viagens set-jetting inspiradas em anime e banda desenhada disparou na Ásia, com dados da Trip.com a apontarem um aumento anual de 195% nas pesquisas por experiências ligadas ao tema.

Traduzindo: a malta já não quer apenas chegar a um país e tirar foto do óbvio. Quer viver um role geek completo. E as plataformas de streaming ajudaram a espalhar séries como One Piece, Demon Slayer e Naruto, que fazem a cultura pop ficar omnipresente, do TikTok ao feed do Instagram.

Ao mesmo tempo, as rotas de viagem ficaram mais “fáceis de executar”: comunidades online sugerem itinerários, fanpages partilham mapas e até hashtags definem o que é imperdível. Resultado: o fandom vira bússola turística.

Peregrinações de anime e o Japão

No Japão existe até um nome para isto: seichi junrei, as “peregrinações de anime”. A ideia é simples e meio cinematográfica. Fãs visitam locais reais associados a histórias, cenas e referências. Não é só nostalgia, é experiência imersiva.

As empresas já perceberam o potencial. Hotéis criam pacotes temáticos, resorts montam cenários para fotografia e comunidades locais ajustam programação para receber visitantes durante eventos. No fundo, o turismo deixa de ser só transporte e passa a ser narrativa, como se cada rua fosse uma página do mangá.

Exemplo prático: a Trip.com refere que, durante o AnimeJapan 2026 em Tóquio, houve um aumento homólogo enorme em vendas internacionais de bilhetes, com visitantes de dezenas de países. Ou seja, não é só o público doméstico que está a embarcar. É o mundo inteiro a marcar “presença” no fandom.

Eventos, convenções e hotéis a encher

Se o anime vira cultura de massas, os eventos viram pontos de encontro. Convenções e festivais funcionam como catalisadores: as pessoas planeiam viagens à volta de palestras, exibições, stands e encontros com criadores e cosplayers.

Além do frenesim do cosplay e das filas para ver novidades, há um efeito direto no turismo tradicional. Dados divulgados apontam que reservas em hotéis num raio de 3 quilómetros dos festivais aumentam durante o período do evento. É como ver a economia local a ganhar energia “de segundo estágio”.

Um exemplo é a Hong Kong Comic Con 2026, que tem atraído interesse de visitantes estrangeiros, com destaque para a faixa mais jovem. E, no Japão, eventos grandes como o Comiket atraem uma base muito dedicada, repetindo-se ao longo do ano e gerando picos de procura em zonas específicas.

Se queres contexto do quanto o anime está no mainstream, a Crunchyroll tem estudos e relatórios públicos. Um dos indicadores relevantes é que a Geração Z tem uma opinião favorável sobre o género em percentagem significativa, o que explica por que motivo o fandom está a puxar viagens e não só consumo no sofá. A referência aqui passa pela Crunchyroll.

Destinos onde a ficção fica ao alcance

Agora vem a parte boa para quem é do tipo que faz prints e guarda tudo: os locais inspirados. Fãs procuram passagens, bairros e pontos turísticos que aparecem em animes, mangas ou filmes, criando rotas quase “canonizadas” pelo próprio público.

Há estudos a sugerir que uma fatia enorme de viajantes na Ásia se inspira no que vê no ecrã para escolher destinos. No Japão, a percentagem de visitantes estrangeiros em locais ligados a filmes e anime subiu entre 2019 e 2023, segundo relatórios citados em cobertura mediática. Ou seja, a história está a transbordar para o mapa.

Alguns lugares já viraram hotspots: Akihabara e Ikebukuro são conhecidas como zonas otaku, e a procura por reservas tende a acompanhar o interesse. Outro exemplo é a passagem de nível junto da estação Kamakura-Koko-mae, famosa por referência em Slam Dunk, que puxa tanto visitantes locais quanto fãs do estrangeiro.

Até a estética de “ficção dentro da vida real” está a ganhar forma em experiências modernas. Há resorts a apostar em glamping temático com cenários e monumentos que recriam momentos de séries populares, como se o parque de campismo virasse um episódio extra do teu anime preferido.

A viagem “certinha” para fãs é só mais uma moda ou algo maior?

Se o efeito anime está a mexer com números, eventos e reservas, então não parece um capricho passageiro. Parece uma mudança de comportamento: pessoas querem experiências narrativas, com comunidade, e com referências culturais que fazem sentido para elas. No fim, set-jetting não é só tirar foto. É colecionar história no mundo real.

E com cada novo festival, cada nova temporada e cada novo “lugar do anime”, a tendência só ganha gasolina. Quem sabe daqui a pouco já não existe roteiro “level up” por fandom? Tipo: capítulo 1 Akihabara, capítulo 2 peregrinação, capítulo 3 evento. A viagem fica com cara de missão secundária bem paga.

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