Viola Davis entra em thriller brasileiro mirando Oscar

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Viola Davis vai de Hollywood para o suspense brasileiro: a produtora Ashé, ao lado de Julius Tennon e Maurício Mota, entrou como produtora executiva em Cinco Tipos de Medo, thriller que ganhou quatro prêmios em Gramado e agora mira a corrida ao Oscar.

Gramado na veia e Oscar na mira

Se você acha que thriller brasileiro é “só promessa”, o caso Cinco Tipos de Medo veio pra colocar um fim nessa conversa. O longa conquistou quatro prêmios no Festival de Gramado 2025, incluindo Melhor Filme pelo Júri Oficial. Agora, com a entrada da Ashé como produtora executiva, o filme quer transformar esse troféu em passaporte para a temporada internacional.

E não é qualquer passaporte. O longa também está concorrendo ao Prêmio Grande Otelo em duas categorias, enquanto sua equipe trabalha para definir cronograma de festivais e uma rota de vendas global. Traduzindo do idioma do cinema: é hora de bater na porta do circuito e tentar chegar grande na hora H.

Quem está por trás do projeto

A parceria ganha peso por causa do trio fundador da Ashé: Viola Davis, Julius Tennon e o brasileiro Maurício Mota. O filme em si é dirigido por Bruno Bini e conta com produção de Luciana Druzina, pela Druzina Content.

Além disso, a Malin Entertainment assumiu a representação internacional do projeto. Em termos práticos, é ela quem vai cuidar das vendas e da campanha para premiações, mirando a corrida ao Oscar. Em Hollywood, isso é o equivalente a ter o “buff” de divulgação e estratégia bem distribuídos. Sem isso, o filme pode até ser bom, mas dificilmente ganha alcance de destaque.

Por que a Ashé resolveu apostar aqui

Em declaração, Maurício Mota destacou que a parceria reforça a estratégia do Grupo Reclaim de investir em soft power brasileiro. A ideia é simples e bem direta: histórias fortes, com identidade e execução caprichada, têm potencial para furar a bolha e conquistar público lá fora.

O que chama atenção é a lógica de “fora do eixo dominante” do audiovisual brasileiro. Em vez de tentar parecer com o que já funciona automaticamente no radar internacional, o projeto parece querer manter aquilo que faz o cinema nacional ter cara própria, só que com estrutura pensada para competir.

Nas palavras de Luciana Druzina, a entrada da Ashé reforça a visão de que histórias brasileiras, contadas com verdade, identidade e excelência, atravessam fronteiras. Ou seja: não é golpe de marketing, é confiança no conteúdo. Parece óbvio, mas no mercado a gente sabe que às vezes o óbvio é raro.

A estratégia internacional para chegar forte

O próximo passo envolve um trabalho bem “bastidores”: o cronograma de festivais e a distribuição global serão definidos pela Malin e pela Ashé nas próximas semanas. Isso inclui decisões do tipo: quais mostras fazem mais sentido para o perfil do filme, como posicionar imprensa e como ampliar chances em premiações.

Para entender como o caminho costuma funcionar na prática, vale acompanhar o panorama de regras e categorias no universo do Oscar. A página oficial de regras ajuda a clarear o que normalmente impacta elegibilidade e cronograma, principalmente quando a distribuição passa por janelas internacionais. Não é magia, é calendário.

E aí entra outro ponto: Omelete adora esse tipo de virada, porque é o famoso caso de “o filme já tem qualidade, só precisava de alavanca”. Quando a alavanca aparece, geralmente vem com estratégia de mercado e negociação bem feita.

O thriller vai entregar o que promete?

Cinco Tipos de Medo chega carregando a expectativa de quem assistiu, premiou e agora vai torcer pela internacionalização. Com roteiro, direção e atuações fortes no pacote, o longa tem uma vantagem: suspense tem uma linguagem que costuma traduzir bem, mesmo quando muda país, sotaque e ritmo de edição.

A direção de Bruno Bini tende a ser um ingrediente importante para manter o clima tenso do começo ao fim. E, com Luciana Druzina na produção, dá para esperar aquele cuidado de bastidor que separa um suspense “legal” de um suspense que gruda. No thriller, um detalhe fora do lugar pode quebrar a imersão. Em contrapartida, quando tudo encaixa, o público não pisca.

No fim das contas, o filme sai do circuito brasileiro com um histórico bem sólido e uma ponte de produção internacional recém-cravada. É como se o projeto tivesse encontrado uma forma de sair do modo side quest e entrar no modo campanha principal.

De Gramado para o Oscar: vai dar bom?

A entrada da Ashé, com Viola Davis e Julius Tennon à frente, transforma Cinco Tipos de Medo em um candidato que merece atenção imediata. O longa já provou que sabe competir no Brasil, com quatro prêmios em Gramado. Agora, a pergunta é: com a rota internacional bem desenhada, ele consegue virar o tipo de história que Hollywood chama de “necessária”?

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