Depois daquele Ano: romance YA na Prime, vale?

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Depois daquele Ano entrou na minha fila porque eu sou fã assumido de romances adolescentes e jovens adultos. E olha, eu até fui na vibe, mas a série me fez sentir que meu cérebro cresceu um pouco. Pena que não foi do jeito bom.

Antes de apertar play: por que eu esperava mais

Eu adoro esse tipo de história porque romance YA tem aquele combo clássico: coração acelerado, amizade virando amor, olhares de “não é possível que ele fez isso” e trilha sonora que parece trilhar playlist de verão. Eu gostei muito de O Verão que Mudou Minha Vida e Off Campus, duas séries recentes da Prime Video baseadas em livros best-sellers. Então sim, eu fui correndo para Depois daquele Ano.

O ponto é que o gênero me pega no modo automático. Percy e Sam se conhecem ainda adolescentes, na cidade de Barry’s Bay, e o romance vai crescendo junto com as fases do relacionamento. A série alterna passado e presente para mostrar como eles mudaram, até que, em algum momento, o casal termina por motivos que a história deixa para revelar no final. Aí, Percy precisa voltar para a cidade por causa de um funeral, e o passado começa a cobrar a fatura emocional. Ok, argumento existe.

Mesmo assim, a sensação durante a maratona foi meio “tá… mas e o resto?”. E não é aquela crítica de quem queria outra coisa. Eu queria justamente que o romance grudasse. E em YA, se não cola, meu amiguinho, já era.

Química do casal e o elenco: o que funcionou (e o que travou)

Eu costumo dizer que a metade do sucesso desse tipo de série depende da química do casal. E em Depois daquele Ano, Sadie Soverall e Matt Cornett parecem mais colegas de trabalho do que duas pessoas vivendo um romance impossível. A vibe deles é de “boa amizade” o tempo todo, e quando a história tenta vender a tal paixão avassaladora, fica difícil comprar.

O contraste é que o elenco até dá sinais de vida. Michael Bradway, que interpreta Charlie, irmão “cafajeste” e personagem que deveria só ser apoio, rouba a cena em vários momentos. Ele tem um jeitão que lembra Jacob Elordi em alguns ângulos e entrega mais carisma do que o casal. E isso vira um problema para a narrativa, porque você começa a torcer mais por caminhos paralelos do que pelo que está no centro da história.

No fim, a série me deixou naquele dilema: eu queria que Percy e Sam fossem o foco, mas o Charlie acabou sendo o melhor tempero do prato. E YA, às vezes, é muito disso: um personagem carismático segura a onda quando o romance principal não convence.

O segredo da Percy e o drama: quando o plot perde o brilho

O segredo da Percy é o grande motor do presente. Quando a série finalmente revela o que aconteceu, eu confesso que esperava algo mais na linha do “meu Deus, faz sentido” e veio um desapontamento. O drama até tenta inflar a importância do passado, mas a execução dá a impressão de que o impacto foi jogado como se fosse maior do que realmente é.

E aí entra outro detalhe: o Sam, em vários momentos, me parece mais um péssimo namorado do que alguém com justificativa emocional bem construída. É aquele tipo de personagem que deveria amadurecer junto com o romance, mas fica distante. Resultado: quando você soma química fraca com escolhas questionáveis, o coração não acelera, ele dá uma travada.

Entre tudo, Chantal, interpretada por Aurora Perrineau, se destaca como a parte mais interessante e divertida. Tem carisma, tem energia e funciona como respiro da própria narrativa. É quase como se a série dissesse: “ok, aqui vai um personagem humano”. E, sinceramente, isso só evidencia o quanto Percy e Sam deixam a desejar naquele compromisso emocional de YA.

Ritmo, repetição e sensação de desconexão

Eu assisti a temporada com aquela disciplina de quem quer chegar logo no final. Por algum motivo, foram vários dias e, no meio disso, veio a sensação de repetição. Mesmo com a estrutura de passado e presente, a história não anda com aquela fluidez de série que entende o próprio ritmo.

Além disso, o texto vai construindo mistério, mas entrega de forma meio desconexa. Você sente que tem peças importantes, só que elas não encaixam do jeito esperado. E quando a temporada chega no fim, o que sobra é um conjunto de cliffhangers, confirmando que a Prime quer continuar. Só que eu fiquei com aquela dúvida: será que a próxima leva vai resolver os problemas principais ou vai só empurrar mais drama para cima?

Tem bons momentos, trilha sonora legal e aquele visual de Barry’s Bay que ajuda muito. O lago e o clima do lugar são bonitos, e isso dá um verniz romântico para sustentar a atmosfera. Mas estética não salva enredo quando falta química e sobram repetições.

Se você curte romances YA e quer entender por que adaptações de best-sellers costumam funcionar (ou fracassar), vale olhar o histórico de formatos na Prime Video, que investe bastante em séries desse estilo.

Vai dar uma chance na próxima temporada?

Minha resposta sincera é: talvez, mas não no automático. Depois daquele Ano tem potencial de universo e alguns momentos que agradam, porém a falta de química no casal, o segredo que não brilhou tanto quanto prometia e o ritmo repetitivo me cansaram antes de eu me apaixonar de verdade. Eu entendo quem pode gostar, mas para mim ficou aquele “ok, vi, entendi, mas não me pegou”.

O curioso é que, mesmo com tudo isso, eu sigo fiel aos romances adolescentes. Só que, dessa vez, eu fiquei mais team personagens que team o casal. E olha, isso diz tudo.

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