O programa Elas Exportam colocou holofote na Noches Produções, com Mab Castro na liderança, e a meta é bem clara: conquistar o mercado global sem terceirizar a alma da história.
- Elas Exportam na prática: por que a Noches Produções entrou
- Mab Castro e a receita para exportar IPs brasileiros
- Anime com identidade brasileira e metodologia internacional
- Liderança feminina, jurídica e estratégia de mercado
- O anime brasileiro vai virar soft power de verdade?
Elas Exportam na prática: por que a Noches Produções entrou
A internacionalização da animação nacional ganhou um upgrade com a seleção da produtora executiva Mab Castro, sócia da Noches Produções, para integrar a nova edição do programa Elas Exportam. A iniciativa é promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com a ApexBrasil, e tem foco em capacitar empresas lideradas por mulheres para crescer além das fronteiras.
O detalhe que deixa o jogo mais interessante é que, pela primeira vez, o programa abriu espaço para setores de serviços e economia criativa, incluindo audiovisual e games. Traduzindo: a produção cultural passa a ser tratada como negócio com escala, não só como “projeto artístico”.
Mab Castro e a receita para exportar IPs brasileiros
Sediada em Niterói (RJ), a Noches Produções é o estúdio por trás de trabalhos como o anime Genius! e a série infantil Nina e os Guardiões. A empresa busca um modelo inspirado na indústria japonesa, apostando na criação de propriedades intelectuais voltadas ao público jovem e jovem-adulto.
No papo, Mab Castro coloca que a seleção não é só um carimbo bonito. É validação do potencial econômico do setor. Ela também ressalta o amadurecimento estratégico do Brasil ao incluir áreas como audiovisual e games em um programa de internacionalização com esse porte. No fundo, é a diferença entre “fazer conteúdo” e “construir IP vendável”.
Essa mentalidade conversa com o que muita gente já percebeu na prática: quem exporta de verdade não é só o pacote do desenho, e sim a marca, o universo, o catálogo, a capacidade de negociar licenças e desdobrar formatos.
Anime com identidade brasileira e metodologia internacional
O Brasil tem profissionais que agitam o mercado, mas ainda existe uma barreira: boa parte do setor fica presa em prestação de serviços para marcas estrangeiras ou em produções com foco quase exclusivo no público local. A proposta da Noches é justamente romper isso exportando narrativas próprias, equilibrando a essência brasileira com metodologias de produção mais rígidas e consistentes.
E tem uma aposta clara no que o anime faz de melhor: engajamento. Mab Castro aponta o anime como uma máquina de soft power praticamente imbatível no cenário global, capaz de dialogar com culturas diferentes e criar conexão real com multidões. Quando você pensa na força de franquias, isso faz sentido: o público não quer só “um desenho”, quer um mundo para ficar.
Em termos de direcionamento, vale lembrar que o mercado global também valoriza formatos escaláveis, reputação de estúdio e entrega com padrão. Em outras palavras, não basta ser bom. Precisa ser bom com consistência, do roteiro à produção, e com plano para circulação.
Liderança feminina, jurídica e estratégia de mercado
Além do potencial comercial, o Elas Exportam coloca um holofote importante em liderança feminina dentro da cadeia do entretenimento e da tecnologia. Mab Castro destaca que quebrar a barreira na animação não é apenas sobre talento. Envolve visão de negócios, estruturação jurídica e suporte institucional para transformar criatividade em operação escalável.
Parte disso tem a ver com propriedade intelectual e direitos, algo que faz ainda mais sentido considerando a trajetória dela, que começou no Direito antes de migrar para a produção executiva. Em cenário global, esse tipo de base vira diferencial competitivo: contrato bem feito, direitos claros, estratégia de licenciamento e postura para negociar em nível de mercado.
Se você quiser um exemplo de como o ecossistema cultural se conecta com exportação e parcerias, a ApexBrasil é um bom ponto de partida para entender a lógica de internacionalização que programas como esse tentam implementar.
O anime brasileiro vai virar soft power de verdade?
Com a Noches Produções dentro do Elas Exportam, a história parece apontar para um caminho mais sólido: menos “torre de produção” e mais “planta industrial de IP”. E convenhamos, é aquilo que a gente quer ver acontecendo: estúdios brasileiros levando seus universos para o mundo, em vez de só vender mão de obra.
Agora a pergunta que fica é simples, estilo plot twist: quando o público global cruzar com essas narrativas, vai aceitar o anime brasileiro como se sempre tivesse sido parte do catálogo? Se depender da estratégia de Mab Castro e da proposta do programa, a resposta pode demorar, mas promete ser épica.
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