Alto Uruguai acabou de fechar as filmagens e já deixou uma pulga atrás da orelha: a história liga descendentes a um passado de escravização indígena. Vem entender por que esse novo longa de Cristiane Oliveira promete ser daqueles que dão vontade de discutir no dia seguinte.
- O que foi finalizado nas filmagens de Alto Uruguai
- Júlia, a fotógrafa, e a descoberta familiar que vira bomba
- Okna Produções: parceria de anos e roteiro nascido de experiência real
- Locações no RS e em São Paulo: onde a história ganhou corpo
- Alto Uruguai vai mexer com você também?
O que foi finalizado nas filmagens de Alto Uruguai
O quarto longa-metragem solo de Cristiane Oliveira, Alto Uruguai, concluiu suas gravações. A produção, da Okna Produções, confirma a continuidade de uma parceria de longa data entre Oliveira e Aletéia Selonk, que já estiveram juntas em projetos como Mulher do Pai (2016), A Primeira Morte de Joana e Até que a Música Pare. E sim, como todo projeto que preza por qualidade, ainda não rola data de estreia confirmada.
O clima do filme fica naquele ponto raro: poético, mas com tensão dramática. Tipo quando você acha que a quest do RPG vai ser tranquila e, do nada, aparece um boss com história de vida. Só que aqui o “boss” é um passado que não morreu, só ficou escondido.
Júlia, a fotógrafa, e a descoberta familiar que vira bomba
A trama acompanha Júlia, uma fotógrafa de 28 anos que cria sozinha o filho de nove anos. A personagem é interpretada por Maiara Astarte, e a escolha faz sentido porque o filme parece construído para observar detalhes: um olhar que registra, mas também questiona.
O gatilho da história acontece quando Júlia consegue uma exposição de suas obras. A partir daí, ela percebe que a galerista tem ligação familiar com o homem que escravizou um de seus ancestrais indígenas. Ou seja: o trabalho artístico vira espelho, e o passado entra pela porta da frente.
Esse tipo de enredo conversa diretamente com a ideia de herança que ultrapassa sangue e sobrenome. É sobre memória, responsabilidade e encontros improváveis que desmontam certezas. E, sinceramente, é o tipo de roteiro que faz o público pensar “ok, agora eu entendi o que a história estava pedindo o tempo todo”.
Okna Produções: parceria de anos e roteiro nascido de experiência real
A ideia do roteiro nasceu de uma experiência real vivida por Cristiane Oliveira. Esse detalhe é importante porque dá aquela sensação de verdade que nem CGI consegue copiar. O filme também conta com elenco que equilibra peso e sensibilidade: Chris Couto, Maria Manoella, Marat Descartes e Julia Katharine, além de atores uruguaios Jorge Heller e Rafael Beltrán.
O roteiro é assinado por Graciela Guarani, Gustavo Galvão e pela própria diretora. E, do ponto de vista de trajetória, a Okna Produções segue reforçando sua identidade desde a fundação em 2006 por Aletéia Selonk, com foco em equidade de gênero na produção audiovisual. É aquela vibe “faz com propósito”, que hoje não deveria ser diferencial, mas infelizmente ainda é.
Se você curte cinema autoral com tema social e construção cuidadosa de personagens, a chance de Alto Uruguai te prender é bem alta.
Locações no RS e em São Paulo: onde a história ganhou corpo
As filmagens aconteceram entre 2 de maio e 8 de junho, atravessando municípios do Rio Grande do Sul: Santo Ângelo, Santo Cristo, Santa Rosa, Cândido Godói, Porto Mauá e Porto Alegre. Também houve locações em São Paulo, incluindo a Galeria Ricardo Von Brusky e o Bar Soberano.
Esse recorte geográfico ajuda a dar densidade ao mundo do filme. Não é só cenário, é atmosfera. Dá para sentir que a fotografia e o espaço vão trabalhar juntos, porque a história começa com um olhar que captura imagens e termina batendo em uma verdade desconfortável.
Se você quer contextualizar melhor o trabalho de Cristiane Oliveira, uma boa rota é conferir a filmografia e trajetória pelo verbete da Wikipédia, que organiza as informações de maneira rápida e útil.
Alto Uruguai vai mexer com você também?
Alto Uruguai terminou as gravações, mas a pergunta que fica é outra: quando a arte encontra a história da família, quem é que sai ileso? A trama de Júlia e a ligação com a escravização de ancestrais indígenas prometem um tipo de cinema que não deixa só no “achei legal”. Será que você consegue assistir e não pensar em quem você carrega sem perceber?
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