Raphael Montes: Elize Matsunaga [ENTENDA] “não é vítima nem vilã” no filme da Netflix

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Raphael Montes aposta que Elize Matsunaga vai muito além do rótulo de “vítima” ou “vilã” no novo filme da Netflix.

O que Raphael Montes quer mudar no debate

Em Elize: Sombras de uma Mulher, Raphael Montes e Mariana Torres tentam fazer o público parar de cair na resposta pronta, tipo cheat code moral. Segundo os roteiristas, a gente costuma enxergar Elize Matsunaga de um jeito binário: ou ela é só vítima, ou é só a assassina. E, sinceramente, esse “modo seleção rápida” desumaniza todo mundo envolvido no caso.

Montes é bem direto: a ficção serviria para levantar perguntas e não entregar a moral da história embrulhada. O filme, ao reconstituir a relação do casal que terminou em crime brutal, deixa no ar uma ambiguidade incômoda. É a sensação de “meu cérebro quer explicar, mas a narrativa não deixa simplificar”.

Por que a ficção entra na cena e o documentário analisa

O filme nasce a partir de um território que já foi explorado em formato documental, mas aqui a abordagem muda de pegada. Montes comenta que um documentário tende a ser analítico, com quem vive contando e organizando o olhar. Já a ficção coloca o público na cena, como se você estivesse dentro do drama naquele instante, fisicamente, emocionalmente, sem o “filtro acadêmico” por cima.

Tradução nerd: é a diferença entre assistir ao lore e jogar no personagem. Você não fica só assistindo ao processo, você sente a tensão do processo acontecendo. Isso é o tipo de estratégia que costuma funcionar quando a intenção é mexer com percepção, não apenas registrar fatos.

O cuidado com fatos, família e traumas ainda vivos

Ok, aqui tem o ponto delicado: Elize é uma pessoa real e está em liberdade condicional. Então não é “história inventada” no vazio, é narrativa baseada em fatos, com responsabilidade. Montes afirma que a equipe teve cuidado não só com Elize, mas também com a família de Marcos Matsunaga, incluindo a filha do casal. E sim, um crime desse tamanho tem trauma que ainda reverbera.

Os roteiristas também explicam que diálogos entre personagens foram imaginados, já que ninguém estava “entre quatro paredes”. Mas elementos factuais foram preservados, como o quarto de armas e até uma cobra de estimação. É aquela ideia de “não distorcer a verdade, mas dramatizar com respeito”.

Para quem quer contextualização extra, vale conferir a visão geral do caso em registros confiáveis, como a página do caso Elize Matsunaga na Wikipédia.

Classe, sufoco e maternidade na narrativa

Além do crime, o filme tenta discutir como o relacionamento foi sendo construído e como esse “conto de fadas” virou tragédia. E tem elementos bem específicos que puxam para camadas sociais: Torres menciona a migração do interior do Paraná e a ideia de classe social permeando o apartamento como símbolo do sonho dela. O espaço vira cenário emocional, quase uma máquina de sufocar.

Tem também o tema da maternidade, que funciona como fio condutor. A vontade de construir uma família diferente da que viveu, segundo os roteiristas, se choca com o que ela faz e com o que acontece depois. Ou seja, o filme não trata Elize só como “evento”, mas como alguém tentando narrar uma vida que dá errado.

E isso coloca o público numa posição desconfortável: acompanhar escolhas sem esquecer consequências.

Você também acha que a “resposta fácil” é o maior spoiler?

Se o objetivo do filme é mesmo dificultar o julgamento automático, a pergunta fica inevitável: você consegue assistir Elize: Sombras de uma Mulher aceitando que uma pessoa pode ser, ao mesmo tempo, vítima das circunstâncias e autora de atos monstruosos?

Porque, no fim das contas, o roteirista não está pedindo para a gente perdoar. Ele está pedindo para a gente pensar. E isso, convenhamos, é raridade na cultura do “scroll e julgamento”.

Elize: Sombras de uma Mulher estreia na Netflix em 22 de julho.

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