Retrospectiva Aki Kaurismäki no CineSesc: 18 filmes [REVELADO]

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Retrospectiva Aki Kaurismäki no CineSesc traz 18 longas entre 30 de julho e 5 de agosto, com Folhas de Outono e O Homem Sem Passado pra quem curte cinema de autor sem frescura.

O que o CineSesc reservou (e por que isso importa)

O CineSesc vai colocar uma lupa bem afiada em Aki Kaurismäki. Entre 30 de julho e 5 de agosto, a programação estreia uma retrospectiva inédita com 18 filmes do cineasta finlandês. E não é aquela coletânea “qualquer coisa”. A curadoria passa por décadas de carreira e pega o que tem de melhor no jeito do diretor transformar o cotidiano em poesia seca, meio torta, mas certeira.

O foco do autor sempre foi o mesmo: personagens à margem da sociedade. Trabalhadores, desempregados, imigrantes e solitários viram protagonista de um cinema humanista que não tenta agradar todo mundo o tempo todo. Resultado? Quem gosta de filme com atmosfera, ritmo próprio e ironia baixa sente um conforto absurdo. É tipo receber um abraço frio.

A assinatura do Kaurismäki: humor melancólico e gente comum

Se você já viu um longa do Kaurismäki, sabe o “mood”. O humor é melancólico, a narrativa é econômica e o mundo parece sempre um pouco desajustado. Mas o coração do negócio é a empatia. O diretor filma com carinho quem muitas vezes fica invisível, e faz isso sem virar panfleto.

Outro ponto que funciona demais nessa retrospectiva é a evolução do olhar. Ao acompanhar títulos de diferentes épocas, dá para perceber como o diretor mantém a identidade e, ao mesmo tempo, afia o estilo. É aquele tipo de obra que você não consome, você vive por contraste: a vida segue meio dura, mas o filme encontra beleza no detalhe.

7 destaques que você provavelmente vai querer assistir primeiro

Pra maximizar a sua experiência (tipo build de personagem, só que cinematográfica), os nomes que aparecem como pontos altos da mostra são um convite direto. Entre eles:

O Homem Sem Passado (2002). Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, é aquele filme que parece simples, mas tem camadas demais. Tem também Folhas de Outono (2023), que marca o retorno do diretor aos festivais internacionais e rendeu Prêmio do Júri em Cannes. Se você vai assistir só “um pra entender”, começa por aí.

Outros que chamam forte: Crime e Castigo (1983), livre adaptação do clássico de Dostoiévski; Contratei um Matador Profissional (1990), uma das comédias mais celebradas do autor; O Porto (2011), com foco em solidariedade e imigração; além de Sombras no Paraíso, A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforo, Juha, Calamari Union, Luzes na Escuridão e Os Leningrad Cowboys Vão para a América.

Guia nerd para “ler” os filmes sem perder o fio

Ok, agora o modo detetive. Para não assistir “no automático”, presta atenção em três coisas. Primeiro: o subtexto. Kaurismäki raramente grita emoção. Ele deixa no olhar, na pausa, no silêncio entre frases.

Segundo: o ritmo. A economia narrativa pode te enganar, mas é intencional. A cena não é curta por pressa, é curta por foco. Então vai percebendo como os personagens se movem dentro de um mundo que parece não mudar, mesmo quando eles tentam.

Terceiro: a geografia emocional. Trabalho, marginalidade e deslocamento aparecem de formas diferentes ao longo das décadas. É quase um mapa afetivo: você começa a reconhecer padrões e entende como o diretor reescreve as próprias obsessões.

Se quiser um ponto de partida para contextualizar a filmografia e o lugar de destaque de Kaurismäki no cinema de autor, dá uma olhada no resumo da trajetória de Aki Kaurismäki na Wikipédia.

Você vai encarar a retrospectiva?

Com 18 filmes do Kaurismäki reunidos no CineSesc, vai ser impossível fingir que não teve vontade. A pergunta é: você quer assistir por ordem cronológica, pra ver a evolução do autor, ou vai de Folhas de Outono e O Homem Sem Passado direto no coração da parada? Conta aí nos comentários qual longa você vai priorizar.

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