Documentário de Kleber sobre Jafar Panahi no NYFF: [ENTENDA]

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Documentário de Kleber Mendonça Filho sobre Jafar Panahi vai ser exibido no Festival de Nova York e a ideia é tão boa que dá vontade de apertar “modo cinema” imediatamente.

Encounters: o plot é literalmente filmar no festival

A 64ª edição do Festival de Nova York (NYFF) vai trazer um curta documental dirigido por Kleber Mendonça Filho dentro de uma nova iniciativa chamada Encounters. A sacada do programa é simples e deliciosa para cinéfilo viciado: cada diretor selecionado entra no festival com um filme já na programação e, em troca, cria um novo curta durante a própria experiência no evento.

Na prática, é como se o festival dissesse: “Ok, você já chegou com um filme. Agora captura também um pedaço do que está acontecendo aqui, do jeito que só você sabe”. E isso aumenta a chance de surgir coisa autoral, com cara de diário de campo, mas mantendo o nível de filme de festival. Spoiler: Nova York vira personagem também.

South of Tehran: o curta sobre Jafar Panahi

O filme de estreia da iniciativa será South of Tehran, dirigido por Kleber e inspirado em Jafar Panahi. O documentário foi filmado durante o NYFF 2025, acompanhando conversas entre os dois na cidade americana. São só oito minutos, mas aquele tipo de duração que costuma render conversa longa depois que acaba. Você assiste em fila, mas fica pensando em casa.

O nome do curta já dá um tom: a ponte entre territórios, culturas e olhares. E, sendo Panahi, dá para esperar uma abordagem que não fica só na superfície. A história aqui não é “sobre” apenas um lugar, mas também sobre como cineasta enxerga o mundo, mesmo quando o mundo insiste em complicar tudo.

Conversas na cidade e inspiração em Pasolini e Varda

Segundo o IndieWire, South of Tehran bebe da ideia de um curta clássico: Pier Paolo Pasolini — Agnès Varda — Nova York — 1967. É aquele tipo de referência que faz o documentário respirar cinema antes mesmo de começar. A influência aponta para um encontro entre artistas e para a forma como a cidade vira laboratório de pensamento.

O diretor artístico do NYFF, Dennis Lim, resumiu o espírito da seleção com uma frase que parece manifesto de fã raiz: o festival é um lugar de encontro entre cineastas, público, filmes e a própria cidade. E o melhor: o convite não vem com roteiro engessado. A ideia é que o tema e o estilo fiquem a critério do diretor convidado.

O que essa exibição diz sobre o cinema (e sobre resistência)

Este encontro entre Kleber Mendonça Filho e Jafar Panahi não é só um “evento bonitinho”. Panahi carrega uma trajetória marcada por dificuldade, censura e resistência, enquanto Mendonça tem uma assinatura estética e crítica bem própria. Juntar essas forças em formato documental é quase um pacto: o festival não só exibe, como também provoca produção.

O que deve tornar o curta marcante é o formato de conversa. Entre entrevistas, memória e troca de ideias, o documentário vira um tipo de colagem cinematográfica. Você percebe quando um curta de festival não está “correndo atrás de tempo”, mas escolhendo o que vale ser dito agora. E agora é em 25 de setembro a 12 de outubro, período em que o NYFF vai acontecer.

Enquanto isso, o festival também já confirmou outras estreias fortes, incluindo Godzilla Minus Zero. Ou seja: é uma programação para quem gosta de cinema grande e, ao mesmo tempo, aprecia o cinema que sussurra. E Encounters é exatamente esse meio termo perfeito.

Dá para chamar isso de “curta”, ou já é meio que uma aula de cinema ao vivo?

Se South of Tehran vai ser exibido no NYFF em plena iniciativa Encounters, a pergunta que fica é: você acha que esse formato realmente aproxima cineasta e cidade, ou é só mais um nome bonito no cartaz? Manda a sua opinião, porque eu já estou com vontade de discutir isso como se fosse debate de fórum.

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