Tony: Dominic Sessa diz que se viu em Bourdain [ENTENDA]

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Dominic Sessa falou sobre como se identificou com Anthony Bourdain no roteiro de Tony. E não é aquele “tá tudo no personagem”, é mais íntimo, tipo reflexo no espelho durante uma fase ruim.

O que é o “verão quase secreto” que o filme escolheu

Em entrevista para a Variety, Dominic Sessa contou que o foco do longa em um momento menos conhecido da vida de Anthony Bourdain foi o que deixou o projeto mais interessante. Segundo ele, quando o filme revela detalhes que “não receberam nenhum foco”, até os fãs mais ligados percebem que estão vendo algo novo.

Isso é uma estratégia narrativa bem esperta. Em vez de rodar em cima dos mesmos pontos biográficos que a gente já ouviu mil vezes, Tony escolhe uma janela de tempo que ajuda a entender como o chef e escritor foi sendo moldado antes de virar a figura icônica que muita gente conhece.

O resultado é aquele clima de “ok, agora faz sentido”. Você acompanha o início da carreira e vê os acontecimentos que empurraram a trajetória dele, com destaque para a gastronomia como válvula de escape e para o que vem junto: frustrações, decisões meio impulsionadas e o peso de tentar achar a própria voz.

Mentiroso, jovem e o hábito de exagerar

No centro dessa identificação, Sessa falou que o jovem Bourdain do filme não é “bonzinho” nem honesto de primeira. No roteiro, o personagem faz coisas que soam como desvio de caráter, mas com aquela lógica adolescente e egocêntrica que muita gente já viveu. E aí o ator puxou uma conexão bem humana.

Ele admitiu que, na própria vida, especialmente durante colégio e faculdade, mentiu ou exagerou para parecer mais capaz e inteligente. Tradução: aquela fase em que você tenta performar, tipo cosplay emocional. Não é que a pessoa não tenha talento, é que ela quer ser vista como se já tivesse tudo resolvido.

Ao dizer isso, Dominic coloca a interpretação numa escala mais realista. Não é “interpretar um chef famoso”, é interpretar um estado mental. E esse estado mental costuma ser universal para jovens: inventar versões de si mesmo até sentir que vai encaixar.

O segredo da interpretação: fingir ser outra pessoa

Sessa também explicou como transformou essa inspiração em atuação. Para ele, o ponto central foi pensar nas vezes em que esteve “meio que fingindo ser alguém que não era”, ou no ato de se passar por outra pessoa. E isso muda o jeito de construir cena.

Porque quando você entende que o personagem está fazendo um jogo social, tudo fica mais consistente. O jeito de falar, a necessidade de impressionar, a pressa de parecer no controle e até a forma como ele reage quando a máscara escorrega. É atuação baseada em comportamento, não só em biografia.

O filme, inclusive, encosta em temas pesados como lutas com substâncias e depressão, além do turbilhão emocional que nasce de decepções amorosas e frustrações como escritor. Então a máscara não é gratuita: ela vira mecanismo de sobrevivência, só que por um tempo.

Por que isso faz diferença para quem conhece Bourdain

Se você é fã de Anthony Bourdain, a promessa de Tony não é só nostalgia. É recontextualizar. E quando o ator diz que ficou grato pela liberdade de “colocar muita da nossa própria história nesse projeto”, a gente entende por que algumas escolhas funcionam tão bem no tom.

Do ponto de vista nerd, isso lembra muito a ideia de escrever um personagem com verdade psicológica: você não precisa que tudo seja literalmente igual ao seu passado, mas precisa que o “motor” por trás das decisões seja convincente. Nesse caso, o motor é o mesmo do jovem que tenta se apresentar como uma versão melhor de si.

Tony é produzido pela A24 e dirigido por Matt Johnson. E, com esse pacote, o longa tende a mirar no que emociona e incomoda ao mesmo tempo. Porque dá para reconhecer o personagem mesmo sem ter vivido a mesma história exata.

Tony estreia no Brasil em 13 de agosto, e a chance é alta de muita gente sair do cinema pensando: “caramba, eu também já fiz isso”. Só que a gente costuma chamar por outro nome.

Tony é só biografia ou virou espelho emocional?

No fim das contas, a sacada do Dominic Sessa é simples e poderosa. Tony não usa Anthony Bourdain só como personagem histórico: transforma a jornada dele num espelho emocional sobre mentir para parecer alguém, achar um lugar e tentar ser inteiro. E você, quando pensa no Bourdain jovem, se identifica mais pelo chef, pelo escritor ou por aquele impulso de se reinventar?

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