Bruno Gagliasso vive a vítima da ditadura em Honestino e solta que “me emocionei no set” ao interpretar um desaparecido. Aí é que mora a força do filme de Aurélio Michiles.
- O que Honestino causa em quem assiste
- O set foi pra emocionar: a fala do Bruno
- Ficção com documentação: por que esse formato funciona
- Por que esses resgates explodiram no audiovisual agora
- Você também acha que a história não pode ficar no arquivo
O que Honestino causa em quem assiste
Honestino chega com a missão de não deixar o passado virar só “matéria de prova”. No filme de Aurélio Michiles, o ator Bruno Gagliasso encarna Honestino Guimarães, líder estudantil da UNE e da FEUB, preso em 1973, aos 26 anos. E o detalhe que dá um nó na garganta é simples e brutal: ele nunca mais retornou.
A história, inspirada em fatos, se conecta diretamente com desaparecimentos e mortes ligados ao período da ditadura militar brasileira. O longa deixa claro que não se trata de “resgate histórico” distante, tipo coisa engavetada. É mais como um alarme que toca no presente, porque as consequências políticas, emocionais e familiares continuam batendo à porta.
O set foi pra emocionar: a fala do Bruno
Em entrevista, Bruno não disfarça o impacto pessoal do personagem. Ele explica que escolheu atuar para discutir questões importantes, e que Honestino é um projeto essencial justamente por manter esse legado vivo para a nova geração.
Quando o assunto vira o modo como ele filmou, a emoção aparece sem filtro. Bruno comenta que participou do Marighella antes, vivendo um torturador sanguinário, e que inverter o papel, “do lado errado” para “o lado certo”, foi muito significativo. Ele chega a dizer que no set foi forte, muito emocionante, e que isso mexeu com a ideia de deixar algo consistente para os filhos, tipo: arte que faz sentido.
Tradução geek: é como passar de uma build vilã para uma build heroica sem deixar o arco emocional pra trás. E não é romance adolescente. É memória, responsabilidade e a sensação de que cada cena importa.
Ficção com documentação: por que esse formato funciona
Uma das escolhas mais inteligentes de Aurélio Michiles é misturar linguagens. O filme trabalha com uma estrutura híbrida, que combina cenas ficcionais com elementos documentais, pra puxar o público do “ontem” e trazer para o cotidiano. A lógica é que não dá pra tratar uma história desse tamanho como retrato amarelado na parede.
O próprio Michiles descreve que queria que Honestino virasse ponto de identificação contemporânea. Em vez de ficar só no arquivo, a narrativa cria uma ponte com o presente, fazendo o espectador sentir que aquilo não acabou. Não é passado finalizado. É ferida aberta.
E essa abordagem encontra reforço no contexto histórico do período. Para quem quer entender melhor o recorte, vale olhar uma visão geral em Regime militar no Brasil, que ajuda a situar a ditadura e seus mecanismos de repressão.
Por que esses resgates explodiram no audiovisual agora
Uma pergunta que ficou no ar: por que tantas obras sobre ditadura voltaram com força recente? A resposta dos dois entrevistados passa por uma ideia bem pé no chão. Eles defendem que história não se apaga. Mesmo que demore, a verdade volta, porque a dor social e familiar permanece.
Michiles lembra que não existe “analgésico” que resolva o que foi feito. Foram prisões, torturas, exílios e assassinatos e desaparecimentos. E no caso da UNB, por exemplo, existem estudantes desaparecidos ligados ao período, como Honestino. Ou seja: não é abstração. É cidade, instituição, pessoas.
Bruno reforça que a volta do tema também é reflexo de uma politização crescente nos jovens e no debate público. Ele chama isso de curso natural do Brasil e aposta que vai aumentar. E eu diria que a sensação que domina é a de cobrar coerência da sociedade: se a gente vive em democracia, então a memória precisa andar junto.
Você também acha que a história não pode ficar no arquivo?
Depois de ver a conversa de Bruno Gagliasso com Aurélio Michiles, fica difícil não pensar no peso real de transformar personagens em experiências. Honestino não pede silêncio. Pede presença. E quando Bruno diz “me emocionei no set”, não parece só atuação.
Então vai pra pergunta: que tipo de “futuro” a gente quer, se a gente insiste em empurrar o passado pra baixo do tapete? Se você já sentiu esse aperto assistindo histórias sobre a ditadura, divide com a gente nos comentários.
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