Jeremy Strong vive Mark Zuckerberg em O Outro Lado das Redes e, segundo ele, a preparação vai muito além de “decorar falas”. Spoiler: teve e-mail pro próprio cara.
- O e-mail que virou dilema
- Como criar voz por dentro
- Zuck no Congresso: olhos nas órbitas
- Facebook para estudar na prática
- E se o personagem não for sobre julgar?
O e-mail que virou dilema
Uma das curiosidades mais “meta” de O Outro Lado das Redes envolve o caminho do Jeremy Strong até o personagem. Na entrevista à GQ, o ator explicou que, depois da desistência de Jesse Eisenberg, ele foi escalado e fez questão de entrar em contato com Mark Zuckerberg antes das filmagens.
O detalhe que deixa a cena ainda mais geek é que Strong escreveu para o CEO do Facebook diretamente: ele mandou um e-mail curto, do tipo “vim com respeito, levo a responsabilidade a sério”, e já brincou que isso provavelmente causaria um “impacto” na Sony. Traduzindo: não era só pesquisa. Era encarar a tarefa com o peso de um documento vivo.
Como criar voz por dentro
Para viver Zuckerberg, Strong disse que o desafio não é tratar a figura como um vilão pronto e acabado. Na visão dele, o perigo é chegar com a intenção de condenar a pessoa e, aí, travar o personagem numa postura. O método, segundo o ator, envolve se comprometer com a atuação sem “jogar um pré-julgamento” em cima.
Ele descreve isso como liberdade dentro do papel: você assume o compromisso, mas não fica refém de uma moral da história. É um tipo de atuação que parece simples, mas na prática exige controle emocional e um bom radar para notar quando o personagem vira caricatura. E aí é que o nerd dentro de você sorri: é como tentar simular comportamento, dados e contexto, não só imitar expressões.
Zuck no Congresso: olhos nas órbitas
Strong também se aprofundou no “lado observável” de Zuckerberg. Segundo a GQ, ele foi além de entrevistas e discursos e chegou a assistir depoimentos do empresário no Congresso. Não é exagero dizer que isso funciona como um treinamento de performance: você presta atenção no ritmo, na maneira de responder perguntas difíceis e até no jeito de manter a postura quando o ambiente fica hostil.
E ele destaca a tentativa de captar um comportamento específico, algo como “ver com detalhes” para entender a forma de falar e se comportar. É quase um roteiro de ator, só que baseado em dados reais do personagem, como se fosse um personagem de RPG sendo estudado por logs de comportamento.
Facebook para estudar na prática
Outro nível de dedicação: Strong não é usuário de redes sociais e, mesmo assim, criou uma conta no Facebook só para analisar postagens antigas de Zuckerberg. A ideia era acompanhar a evolução do empresário ao longo dos anos, conectando a transformação entre A Rede Social e O Outro Lado das Redes.
Esse tipo de preparação é o que separa uma atuação “boa” de uma atuação que parece verdadeira, porque adiciona consistência temporal ao personagem. No filme, a história também mira o contexto do que ficou conhecido como Facebook Files, com documentos internos que foram revelados no começo dos anos 2020 e que ajudaram a explicar preocupações sobre impactos e desinformação.
Se você curte referência pra ir além, vale bater um olho no background da plataforma em Facebook.
E se o personagem não for sobre julgar?
No fim, a grande sacada de Jeremy Strong é que interpretar Zuckerberg não é tentar “condenar” alguém. É entender como um líder conhecido, e controverso, funciona por dentro e por fora, sem transformar tudo em propaganda moral.
Agora me diz: você acha que a abordagem de Strong deixa o filme mais humano, ou corre o risco de deixar a gente “sympatizar” demais com o personagem? Comenta aí.
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