X-Men ’97 voltou com cara de A Era do Apocalipse, mas a 2ª temporada entrega um mix de acertos técnicos e decisões de roteiro que deixam os fãs com aquele gosto de “ué, foi isso?”
- A gangorra de qualidade: o que funciona de verdade
- Ritmo acelerado que machuca o arco
- Personagens que ficam “sumidos” no meio do caos
- Adaptação de quadrinhos: mais resumo do que imersão
- Vale a pena assistir?
A gangorra de qualidade: o que funciona de verdade
Vamos começar pelo óbvio: X-Men ’97 segue tecnicamente afiada. A animação mantém sequências de ação com impacto, direção de cena esperta e aquele tempero nostálgico que faz a gente reconhecer referências de quadrinhos na hora. E sim, tem luta boa, tem impacto visual e tem até aquele fan service na medida certa, quando acerta.
Só que existe um “mas” grande. No bastidor, a série enfrenta uma quebra de estrutura: o idealizador Beau DeMayo já estava envolvido quando foi desligado da Disney. O nome dele continua nos créditos como criador, o que indica que parte do plano original ficou de pé. Só que, no resultado final, fica nítido que alguns episódios parecem nascidos em linhas diferentes do mesmo storyboard.
Ritmo acelerado que machuca o arco
A promessa da temporada era clara: mergulhar no clima de A Era do Apocalipse. Só que a série trata esse universo como uma porta que abre rápido demais e fecha ainda mais rápido. Em vez de construir tensão, a temporada acelera tanto que a sensação é de que os roteiros estão fazendo “atalho” para caber em pouco tempo.
O começo triplo com três linhas do tempo e grupos diferentes soa legal na teoria, mas cobra caro na prática. Um exemplo gritante é quando a série resolve problemas como se fosse montagem rápida. Já no episódio 5, a tal side quest de Morfo, Wolverine e aliados para recuperar o adamantium parece, na prática, condensar anos de história em minutos. Não dá tempo de respirar, e isso derruba a emoção que deveria vir junto.
Personagens que ficam “sumidos” no meio do caos
Em uma história com tantos mutantes, você espera que cada um ganhe um espaço mínimo. E aqui o desequilíbrio aparece: Ororo (Tempestade) parece quase apagada em momentos que seriam perfeitos para ela brilhar. Já Logan ganha destaque principalmente no episódio solo, mas o restante do elenco frequentemente vira “peça de cena” para a trama avançar.
Até quando a história acerta no emocional, ela pesa no timing. A morte que mexe com o tabuleiro e vira motor emocional existe, só que não chega com a mesma força que o passado da franquia costuma entregar. Quando o Gambit volta no contexto dos Cavaleiros do Apocalipse, a ideia é potente, mas a execução sente o corte.
Adaptação de quadrinhos: mais resumo do que imersão
A temporada tenta adaptar mais histórias do que consegue desenvolver. E aí rola aquele efeito “lição de quadrinho”: você vê a imagem, reconhece o evento, entende a referência. Mas não sente a imersão completa do arco, como se alguém tivesse colocado o capítulo inteiro no modo “leitura rápida”.
Tem momentos bem visuais e com cara de virada de eras. O futuro pós-apocalíptico, a Genosha destruída e a criação da Corporação X seguem com estética que lembra influências de quadrinhos e até certos períodos marcantes da cultura X. E em meio a isso, surgem cenas com POV que elevam Noturno. Ele vira um destaque raro, com religiosidade em contraste com ciência, equilibrando fé e razão de um jeito que funciona.
Se você quer se situar no universo e nas referências, uma forma direta é conferir A Era do Apocalipse e entender como o enredo costuma ser estruturado nos quadrinhos.
X-Men ’97 merece o seu tempo mesmo assim?
Apesar do tropeço no ritmo e do desequilíbrio entre arcos e personagens, X-Men ’97 continua divertida e tecnicamente competente. Então a pergunta é: será que você vai assistir esperando uma adaptação perfeita, ou vai aproveitar como uma “continuação alternativa” que acerta no visual e na ação, mesmo quando o roteiro decide ir no modo pressa?
Eu diria para assistir com expectativa calibrada. E aí me conta: você curtiu mais as referências e as lutas, ou sentiu falta do peso emocional que A Era do Apocalipse costuma ter?
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