O Homem que Sussurra: [CRÍTICA] por que De Niro e Scott flopam no tempo

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O Homem que Sussurra reúne Robert De Niro, Adam Scott e uma ideia ótima, mas tropeça em um problema bem Netflix: contar história demais em 106 minutos.

O problema é o tempo (e ele não colabora)

Chegou à Netflix com aquela cara de grande suspense: assassino perturbador, desaparecimento, traumas familiares e um elenco que puxa tudo para cima. Só que O Homem que Sussurra tenta empilhar investigação policial, drama íntimo e um terror com tempero mais explícito, e o relógio de 106 minutos vira vilão. A história começa com Tom (Adam Scott), escritor viúvo cujo filho Jake (Acston Luca Porto) é sequestrado.

O sumiço do menino obriga Tom a procurar Pete (Robert De Niro), pai distante e detetive aposentado que investigou décadas antes o criminoso conhecido como Homem que Sussurra. A base é boa e promete rotas diferentes. O problema é que o roteiro de James Ashcroft quer que todas as rotas se encontrem ao mesmo tempo. E, quando todo caminho vira principal, nenhum caminho aprofunda.

A minissérie que a gente queria e não veio

O coração emocional do filme é a relação entre Tom e Pete. Quando a narrativa desacelera nesses momentos, dá para sentir o peso das decisões antigas, as feridas familiares e como uma geração influencia a próxima. Só que essas cenas precisam dividir espaço com investigação, subtramas e reviravoltas que chegam rápido demais.

É aqui que a sensação aparece como spoiler não dito: essa história era minissérie. Uma estrutura de seis ou oito episódios daria fôlego para desenvolver melhor o passado de Pete, ampliar a dinâmica entre as três gerações da família e, principalmente, permitir que o mistério “respire”. Em suspense, respirar é quase um superpoder.

Sem esse tempo, o longa alterna entre drama, suspense e terror sem conseguir estabelecer uma identidade consistente. Chega um ponto em que o sobrenatural surge nas margens como se fosse mais um ingrediente jogado na panela, e os personagens parecem pertencer a narrativas que competem entre si.

De Niro dá show, mas a trama deixa pouco espaço

De um lado, Adam Scott segura bem os momentos dramáticos, com aquele jeito meio contido que combina com personagens que não sabem lidar com o próprio colapso. Do outro, Robert De Niro transforma Pete em alguém marcado por arrependimentos e lembranças do passado. É atuação de nível “cinema”, do tipo que você sabe que vai render conversa depois.

O filme ainda cria uma dinâmica tensa com o criminoso original, Frank Carter (Michael Keaton), com aura que lembra Hannibal Lecter em termos de ameaça fria e encontros carregados de tensão. Só que são poucas cenas. E quando você tem um personagem com esse potencial, cortar tempo é como encurtar um combate final do seu jogo favorito: fica bonito, mas falta aquela épica.

Michelle Monaghan entrega intensidade para Amanda Beck, mesmo com uma personagem que recebe menos profundidade do que merecia. Resultado: o elenco dá aquilo que pode, mas o roteiro não acompanha a mesma ambição.

Mistura de gêneros e identidade escapando pelos dedos

O Homem que Sussurra tenta mirar pesado na prateleira de grandes suspenses, aquela linhagem que a gente associa a O Silêncio dos Inocentes e Zodíaco. E o filme até tem ingredientes para isso. Só que as escolhas de ritmo e extensão da história deixam tudo mais “corridinho” do que necessário. A trama não encontra um espaço para fixar o tom.

Um ponto interessante é que a Netflix já mostrou como mistério e terror com traumas familiares podem crescer com calma, especialmente em produções como A Maldição da Mansão Bly. Você não precisa copiar a fórmula, mas entende a lógica: personagens e relações precisam de tempo para virar grude emocional e sustentar o mistério. Em O Homem que Sussurra, o grude até existe, mas é apertado demais no pote.

O efeito colateral dessa pressa é o longa terminar sem alcançar o peso das suas melhores ideias. Talvez ele funcione bem para quem quer um impacto imediato, aquele “agora tô vendo e pronto”. Só que, para quem curte suspense que fica na cabeça, fica faltando lembrança cinematográfica.

O Homem que Sussurra precisava mesmo de 106 minutos ou de tempo para virar legado?

Entre elenco forte e premissa promissora, a Netflix escolheu a via do filme curto e acelerado. Mas será que era impossível alongar e transformar em minissérie? Eu arrisco dizer que não. E você, acha que O Homem que Sussurra ficou com cara de grande potencial ou terminou só “ok” por causa do ritmo?

Links externos (referências): Netflix e O Silêncio dos Inocentes.

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