Production I.G [ALERTA] lucros caem 70%: entenda

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Production I.G pode estar no topo do anime, mas os números do ano fiscal mostram que nem o hype internacional é escudo. O estúdio de Ghost in the Shell e Haikyuu!! fechou as contas com uma quebra de lucros acima de 70%.

Lucros desabaram mesmo com o anime em alta

A gente já viu muita gente dizer que o anime “nunca esteve tão visível” no mundo. E é verdade: a popularidade cresceu, as plataformas aumentaram a oferta e o público ficou mais global. Só que, em paralelo, o setor começou a sofrer no lado financeiro, e a Production I.G é um exemplo bem claro disso.

Segundo os dados do ano fiscal divulgado pela empresa, a Production I.G registrou uma receita de 6,015 mil milhões de ienes, com queda de 14,2% na comparação anual. E quando o assunto é lucro, aí a história piora: o lucro ordinário caiu 74,8%, para 351 milhões de ienes, e o lucro líquido recuou 71,1%, ficando em 270 milhões de ienes. Sim, mais de 70%. [ALERTA]

Receita subiu, mas o lucro virou fumaça

O curioso é que o problema não parece ser “falta de projetos”. Durante o período, o estúdio esteve envolvido em produções relevantes, incluindo a segunda temporada de Kaiju No. 8. Então por que o caixa não acompanhou?

Parte da resposta vem da visão mais ampla da controladora, a IG Port, que também tem relação com o Wit Studio. No consolidado, a receita caiu 3,7%, e o lucro operacional sofreu uma queda de 46,3%. Ou seja: a maré ajudou o marketing, mas não segurou o impacto dos custos.

Em especial, o segmento de animação da IG Port teve aumento de receita em torno de 10,7%, mas ainda assim fechou com prejuízo operacional, cerca de 8,22 milhões de dólares. Traduzindo: vender mais não basta quando a conta corre na direção contrária.

Custos e atrasos: o boss final do estúdio

Agora vem a parte “game design cruel”: o jogo muda durante a campanha. A empresa aponta atrasos nos calendários de produção como um dos fatores centrais para esse resultado. Em animação, isso é tipo ficar mais tempo numa masmorra do que planeado: tudo custa mais, e o retorno demora.

Além do cronograma, entram despesas mais altas com pessoal, custos de produção de imagens geradas por computador e subcontratação para estúdios externos. É o combo completo que vai comendo as margens, mesmo quando a entrega sai tecnicamente boa.

Se quisermos um paralelo nerd, é como tentar subir de nível num RPG gastando mais recursos por turno. No fim, o level-up até acontece, mas o inventário fica seco.

O que isso diz sobre o futuro da indústria

Esse cenário não parece isolado. Vários estúdios japoneses têm enfrentado pressões parecidas, mesmo com o anime bombando lá fora. E a tendência é preocupante: com prazos mais apertados e produção mais cara, até empresas com histórico forte acabam sendo puxadas para baixo.

Outra camada do problema é que nem todas as áreas do grupo estão em modo “sofrimento”. Publicação e licenciamento tiveram desempenho positivo e até superaram expectativas. Só que o grupo já indica uma nova queda do lucro operacional na ordem de 24,3% para o próximo ano fiscal, sugerindo que a recuperação pode não ser imediata.

Se você acompanha a indústria, isso acende um debate: o consumo global está crescendo, mas o modelo precisa acompanhar. Caso contrário, a cada temporada o “patch” vem tarde e vem caro.

Para contexto de empresa e histórico, vale bater o olho na Production I.G na Wikipédia.

Afinal, vai melhorar?

Porque, se nem Ghost in the Shell e nem Haikyuu!! blindam o balanço, a pergunta que fica é: será que a indústria vai aprender a ajustar custos e prazos antes do próximo ano fiscal meter mais um golpe?

Se você curte anime, também faz sentido cobrar qualidade, mas agora cabe cobrar sustentabilidade. O futuro do estúdio passa por planejamento, e sem isso a gente vai continuar vendo títulos incríveis… acompanhados de números bem chatos.

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