5 filmes de saúde mental para o Setembro Amarelo [ALERTA]

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Saúde mental no cinema não é sobre “drama à toa”: é sobre aprender a escutar, identificar sinais e não romantizar o sofrimento.

Setembro Amarelo no lado da tela

No Setembro Amarelo, a campanha lembra que prevenção é também cuidado cotidiano. O slogan “Escutar é estar presente” encaixa perfeito no que o cinema faz melhor quando quer tratar saúde mental com responsabilidade: mostrar consequências, dar nome ao que a gente tenta disfarçar e, principalmente, abrir espaço para conversa sem julgamento.

E não é papo moralista. Entre dramas adolescentes e clássicos do cinema brasileiro, tem filme que encosta em depressão, traumas, bullying, luto e até a violência histórica dos antigos manicômios. Spoiler: isso ajuda muita gente a perceber que “tá tudo bem não ficar bem”.

Top 5 para falar depressão, trauma, bullying e luto

As Vantagens de Ser Invisível (2012), dirigido por Stephen Chbosky, acompanha Charlie em uma nova escola, naquele modo difícil de “ser aceito sem se desmontar”. A amizade com Patrick e Sam coloca holofote em depressão, traumas e ideação suicida, sem transformar o sofrimento em espetáculo.

Pequena Miss Sunshine (2006) é a prova de que até família caótica consegue ser rede de apoio. A comédia dramática de Jonathan Dayton e Valerie Faris vira palco para expectativas, frustrações e isolamento, com personagens tentando sobreviver ao próprio caos. É leve no ritmo, pesado no que mexe por dentro.

Close (2022), do diretor Lukas Dhont, pega uma amizade entre Leo e Rémi e mostra como a pressão social do colégio vira faca. Tem bullying, culpa, intimidade e luto, com aquele incômodo honesto de quando a gente percebe que “brincadeira” também destrói.

Aftersun (2022), com direção de Charlotte Wells, faz o contrário do didatismo. A história acompanha Sophie enquanto ela revisita memórias de uma viagem com o pai. O filme trabalha afeto e lacunas, deixando sinais de sofrimento onde a criança não tinha maturidade para entender.

Quer um caminho pra começar? Abra a sessão pensando em uma pergunta simples: “o que meu personagem tentou dizer e não conseguiu?” Isso muda totalmente a forma como você assiste e conversa depois.

“Bicho de Sete Cabeças” e a memória dos manicômios

Entre os cinco, Bicho de Sete Cabeças (2000), dirigido por Laís Bodanzky, é o mais diretamente ligado ao tema da violência institucional no Brasil. Em vez de focar só em dor individual, o filme mostra a engrenagem do isolamento e dos maus-tratos quando alguém é rotulado como “problemático”.

Com atuação de Rodrigo Santoro como Neto, o enredo parte de uma internação após a descoberta de maconha pelo pai e se estende por uma realidade dura, marcada por controle e desumanização. O longa é inspirado no livro autobiográfico Canto dos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno.

Para contextualizar o tema histórico, vale ler sobre o assunto em referências como manicômios e como políticas de cuidado evoluíram no país. Sem romantizar, mas também sem apagar o que aconteceu.

Afeto como protagonista: Aftersun e Close

Aftersun é aquele tipo de filme que te deixa com uma vontade meio irritante de voltar no começo e prestar atenção de novo. A força está no que fica nas entrelinhas: a dificuldade de reconhecer que alguém próximo pode estar sofrendo. Não é resposta pronta, é convite para escuta.

Close faz a gente encarar como a masculinidade cobrada na adolescência pode travar emoções. A culpa aparece como efeito colateral social e o luto entra sem glamour. O filme não transforma personagens em estereótipos e isso é importante: é realista, mas não cruel por esporte.

O ponto em comum: os dois insistem que afeto não resolve mágica, mas muda a trajetória. E isso conversa direto com “Escutar é estar presente”. Se você assistiu e ficou pensando “como eu teria ajudado?”, parabéns: isso é sinal de que a conversa pode começar agora.

E agora, você vai só assistir ou vai falar também?

Saúde mental no cinema funciona como treino de olhar. Se um filme te deixou desconfortável, ótimo: desconforto é pista. Agora a parte corajosa é transformar isso em ação, seja conversando com alguém de confiança ou buscando ajuda profissional. Você consegue escolher um dos cinco e começar a conversa hoje?

Em risco ou sofrimento agudo, no Brasil procure CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPAs, pronto-socorros ou hospitais. O CVV atende gratuitamente pelo 188.

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