My Hero Academia: All’s Justice até entrega combates em várias perspectivas do arco final, mas a exploração, a narrativa e a apresentação levantam umas bandeirinhas amarelas bem grandes.
- Começou direto na porrada, sem ensinar nada
- Sete rotas para a Guerra Final, e a ideia é boa
- A cidade repete, o ritmo trava e o combate cansou
- Quando chega no auge, a câmera e os travamentos atrapalham
- Fez sentido? Ou era para ser Plus Ultra e não “quase lá”
Entenda o problema em 30 segundos: o jogo acerta a premissa e perde na execução
Se você é fã de My Hero Academia, sabe que a adaptação dos games é sempre aquela linha fina entre “obrigado por existir” e “ok, mas ficou devendo”. Em All’s Justice, o ponto alto é claro: o jogo tenta contar a Guerra Final por diferentes perspectivas. O ponto fraco também é claro: a apresentação e algumas escolhas de design sabotam justamente quando a história pede impacto, escala e fluidez.
Começou direto na porrada, sem ensinar nada
Logo no início, você cai numa luta que não admite erro. Sem tutorial, sem aquele “passo a passo” pra aquecer. Isso pode até combinar com o clima de shounen, mas também é uma decisão estranha para um jogo que depende de mecânicas bem compreendidas para funcionar no conforto do jogador.
A trilha sonora ajuda a colar você no universo do anime, e isso é um elogio honesto. Só que, quando o jogo tenta expandir a narrativa própria, a execução vira um problema: cutscenes misturam cenas estáticas, animações em 3D e páginas coloridas do mangá, mas com ritmo irregular.
Sete rotas para a Guerra Final, e a ideia é boa
O modo história principal é dividido em sete rotas não lineares, cada uma centrada em Deku, Bakugo, Uraraka, Shoto, Endeavor, All Might e Shigaraki. Aqui mora uma das melhores virtudes do jogo: a estrutura evita aquela sensação de “só repetindo o mesmo episódio com outro personagem”.
Com as missões, você alterna combates em arenas 3D com cutscenes e conteúdo em estilo mangá, reconstruindo os acontecimentos em paralelo. E isso ganha ainda mais sentido numa história com tantos fios conectados. Em especial, o confronto Tomura Shigaraki contra Bakugo entrega a combinação mais próxima do que a proposta queria: peso emocional e espetáculo.
A cidade repete, o ritmo trava e o combate cansou
Fora da campanha, o jogo tenta segurar o público com a Team-Up Mission e uma exploração em que você faz missões principais, secundárias e tarefas de auxílio. Só que a arquitetura é genérica e, bem cedo, rola o reaproveitamento de mapas. Na prática, você sente que a mão correu onde não devia: parece pressa em vez de expansão.
No combate, a responsividade é um ponto forte por um tempo. Os comandos são fáceis de aprender, as lutas fluem bem e a ideia de assistência com até nove aliados dá uma temperada a mais. Mas depois de algumas horas, vem o efeito “já vi isso”: a estratégia de defender, esperar a abertura e quebrar a guarda vira o caminho mais eficiente para grande parte dos confrontos.
O balanceamento também oscila. Algumas batalhas são fáceis demais contra muitos inimigos, enquanto outras sobem a dificuldade do nada, sem uma curva clara. Resultado: a sensação de evolução sofre.
Quando chega no auge, a câmera e os travamentos atrapalham
O jogo tem momentos memoráveis, mas também tem escolhas bem frustrantes nos trechos que deveriam ser o topo. O embate de Bakugo contra All For One sofre com câmera ruim e travamentos constantes. E o mesmo problema aparece no confronto final em que todos os heróis encaram Shigaraki, repetindo as falhas justamente nas batalhas que carregam o ápice emocional e visual da Guerra Final.
Fora disso, o Modo Arcade até incentiva metas com medalhas e cosméticos, mas os minigames opcionais são fracos e pouco recompensadores. E a dublagem primária em inglês pode incomodar quem espera as vozes originais do Japão, mesmo que isso seja mais preferência do que defeito técnico.
Fez sentido? Ou era para ser Plus Ultra e não “quase lá”
No papel, All’s Justice não é “só mais um jogo de luta com roupagem de anime”. A estrutura de sete perspectivas acerta o espírito da série, e os combates funcionam quando estão livres para respirar. Mas a repetição de mapas e missões, a apresentação irregular e os problemas de câmera e travamentos nos momentos mais importantes tornam a experiência bem mais limitada do que ela poderia ser.
Você joga pelo lado casual e pelo fanservice? Talvez dê certo. Mas se você busca uma experiência mais caprichada, com narrativa e execução no mesmo nível do material original, vai sentir que o Plus Ultra ficou no modo “carregando”.
Links externos: Para contextualizar a obra, veja My Hero Academia na Wikipédia. Para referência oficial de gameplay e informações do jogo, confira o search por trailers no YouTube.
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