5 Seconds of Summer chegaram ao Brasil com a cara mais ousada do pop: menos nostalgia óbvia, mais desconstrução teatral e energia que faz o chão tremer. Em São Paulo e Belo Horizonte, a turnê Everyone’s a Star! virou um “reset” na cartilha que o mercado tenta empurrar.
- EAS virou troll: a cartilha pop foi pra lixeira
- Setlist virou história em 7 atos (sim, 7)
- Interação com público que encaixa no cenário
- Pausas, solos e o ritmo de recomeço
- Subiu no palco, subverteu a lógica, e agora?
EAS virou troll: a cartilha pop foi pra lixeira
A ideia da 5 Seconds of Summer com a era Everyone’s a Star! não é apenas “voltar”. É jogar luz em tudo que eles já ouviram ao longo de 15 anos, incluindo o rótulo que tentaram evitar: boyband. Só que, em vez de reagir com timidez, a banda responde com cinismo, exagero de fama e um senso de autoparódia que parece daqueles plot twists que deixam você rindo e, ao mesmo tempo, de boca aberta.
O show em São Paulo e Belo Horizonte abraça a megaprodução e usa a própria trajetória como sátira teatral. Resultado: não é só “um concerto de sucessos”. É quase uma temporada nova, com narrativa que vai do auge ao retorno triunfal, como se cada música fosse uma página de um dossiê sobre estrelato, tropeços e recomeços.
Setlist virou história em 7 atos (sim, 7)
Os quase dois horas de espetáculo se organizam em atos com nomes e clima próprios, transformando hits em capítulos. O começo acelera com NOT OK, naquelas entradas em que o público já entende o combinado: aqui é pra pular, não pra apenas assistir. Em seguida, a turnê encaixa faixas como Evolve e chega a momentos de impacto como Bad Omens, com resposta coletiva que dá aquele arrepio de “tô vivo no universo certo”.
No segundo ato, a trama engrossa. “The Fall” reorganiza emoções e referências de fases diferentes da carreira, puxando faixas entre Sounds Good, Feels Good, CALM, Youngblood e Everyone’s a Star. O truque nerd aqui é que a banda parece dizer: “sim, isso aqui é pop, mas também é metalinguagem”. E funciona, porque vocais e entrega seguram o teatro no braço.
Interação com público que encaixa no cenário
Se você espera aquela “fala padrão” de festival, esquece. A 5SOS cria pausas que soam como elementos da narrativa. Tem momentos em que as músicas recebem escolhas do público, e isso vira parte do roteiro, não só um intervalo pra “aquecer”. O pacote VIP também entra nessa lógica com uma coletiva de imprensa que flerta com o nonsense alinhado ao conceito da turnê.
Em Belo Horizonte, por exemplo, a banda não só cumpriu o papel de animar como costurou referências ao local com leveza. Entre cachaça, pão de queijo e menções ao clima da cidade, o show lembra que o grande truque do pop não é ser genérico. É saber adaptar sem perder o personagem.
Pausas, solos e o ritmo de superação
A turnê tem um “motor” emocional que alterna energia e respiro. Depois de momentos marcantes, surgem faixas mais melancólicas como Ghost of You e a novata I’m Scared I’ll Never Sleep Again. A iluminação vira linguagem: flashes em laranja, rosa, verde e amarelo transformam a plateia em parte do cenário, quase como se os celulares fossem partículas do próprio universo da turnê.
E aí vem a seção que reforça o amadurecimento coletivo: um medley com os solos de cada membro, incluindo Starting Line, Have You Found What You’re Looking For, Don’t Forget You Love Me e Enough. É aquele equilíbrio difícil entre atender quem veio pelas clássicas e ainda dar espaço pro “agora” que a banda está construindo. Mesmo quando São Paulo recebeu algumas partes mais frias, Belo Horizonte respondeu com ritmo e sem favoritismo.
No fim, o espetáculo fecha a conta com She Looks So Perfect e o punk jump que remete ao começo. Só que a sensação final é diferente: você sai com o gosto de “eles sabiam que a nostalgia é tentadora, mas também sabiam que não dá pra viver só dela”.
Para contexto sobre a discografia e a era que sustenta a turnê Everyone’s a Star!, dá para conferir o histórico da 5 Seconds of Summer na Wikipédia.
A subversão do pop da 5SOS vai virar exemplo, ou só mais um capítulo?
Depois de São Paulo e Belo Horizonte, fica difícil tratar a 5 Seconds of Summer como “só retorno”. Eles pegaram o que o mercado quer vender como fórmula, deram uma revirada teatral e transformaram em experiência imersiva. Mas aí vem a pergunta que interessa: você prefere quando o pop só repete a memória, ou quando ele usa a memória pra inventar outra coisa?
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