Habeas Corpus: como Marjorie Estiano virou advogada

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Habeas Corpus levou Marjorie Estiano a estudar Direito, acompanhar julgamentos e encarar os limites da própria pesquisa.

Pesquisa para além do roteiro

Fazer uma personagem ligada ao Direito não parece tarefa para resolver com meia dúzia de termos técnicos e um blazer sério. Para viver Inez, protagonista de Habeas Corpus, Marjorie Estiano decidiu mergulhar no universo jurídico e estudar bem mais do que o necessário para decorar falas. Em entrevista ao Omelete, a atriz contou que buscou entender a história do Direito e suas origens no Brasil.

A curiosidade tinha uma razão prática: Inez é professora de Direito, e a trama acompanha sua investigação de um caso que pode revelar uma condenação injusta. A personagem precisa transitar por ideias e instituições que têm consequências concretas na vida de outras pessoas. Não é exatamente o tipo de papel em que basta soltar um “objeção” com confiança e torcer para a cena funcionar.

Para aproximar o elenco desse mundo, a produção contou com a assessoria de integrantes do Innocence Project Brasil. Marjorie mencionou a participação de Dora Cavalcanti, Flávia Rahal e Rafael Tucherman na preparação. A série é inspirada no trabalho da organização, dedicada a investigar e buscar a reversão de erros judiciários.

Justiça na prática

Além das conversas com especialistas, o elenco acompanhou julgamentos e esteve em fóruns. É um passo importante para uma produção que quer retratar a Justiça sem deixar tudo com cara de cenário: observar o ambiente e a rotina ajuda a entender como esse universo funciona para além das páginas do roteiro.

Marjorie descreveu essa experiência como uma forma de desmistificar e aproximar o grupo da prática. E faz sentido. Uma coisa é estudar conceitos; outra é perceber como pessoas, decisões e procedimentos convivem num espaço real. Para uma atriz, esse tipo de referência pode ajudar a construir postura, ritmo e presença sem transformar a personagem numa enciclopédia ambulante de toga.

Essa preparação também conversa com o tema central da série. Quando uma condenação pode estar errada, a discussão jurídica deixa de ser uma disputa abstrata de argumentos. O que está em jogo é a vida de alguém, e esse peso parece ser justamente um dos pilares do drama.

O choque de humildade

A pesquisa de Marjorie incluiu documentários e uma tentativa de voltar às origens do Direito. Só que estudar mais não significa chegar ao set sabendo tudo. A atriz contou que percebeu, durante o processo, que não conseguiria dominar cada detalhe daquele universo para fazer a série.

Ela chamou essa percepção de um “choque de humildade”: em vez de perseguir uma compreensão total, precisou se apropriar de alguns alicerces para construir Inez. É uma ideia bem mais interessante do que fingir que uma pesquisa rápida transforma qualquer pessoa em especialista. O trabalho da atriz não é dar uma aula completa de Direito, mas criar uma personagem convincente dentro daquela história.

Esse limite, aliás, pode ser uma vantagem. Quando a preparação se concentra no que a personagem precisa compreender e transmitir, há menos risco de a atuação virar uma coleção de maneirismos e palavras difíceis. O conhecimento serve à interpretação, não o contrário.

Uma história com peso real

Criada por Luiz Villaça, Leonardo Moreira e Donna Oliveira, Habeas Corpus é apresentada como o primeiro drama jurídico produzido pela Netflix Brasil. A trama acompanha Inez e seus alunos na investigação de um caso que pode expor uma condenação injusta, enquanto aborda acesso à Justiça, desigualdade e os efeitos das decisões judiciais sobre pessoas comuns.

O elenco também reúne Vladimir Brichta, Danton Mello, Marisa Orth, Natália Lage e Naruna Costa. Luiz Villaça assina a direção geral, com episódios dirigidos também por Flávia Lacerda. A produção está disponível na Netflix.

O interesse aqui não está só em ver Marjorie de volta num papel que exige pesquisa cuidadosa. Está também no recorte escolhido pela série: olhar para erros judiciários e para as pessoas que vivem suas consequências. Com a preparação descrita pela atriz, a aposta parece ser tratar esse assunto com atenção ao contexto, em vez de reduzir o drama a discursos de tribunal. Agora, resta acompanhar como esse trabalho aparece na tela.

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