Renovação de séries: Netflix supera rivais em estudo

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Renovação de séries virou assunto depois que um estudo colocou a Netflix à frente de rivais como HBO Max e Disney+.

O que os números mostram

A Netflix tem fama de cancelar séries antes que a gente consiga se despedir direito. Mas um levantamento da Luminate, empresa que acompanha a indústria do entretenimento, mostra um quadro mais curioso: entre as séries norte-americanas lançadas em 2025, a plataforma renovou 51%.

A HBO Max ficou em 31%, enquanto Disney+ e Peacock chegaram a 33%. O Prime Video marcou 34%. Na outra ponta, Apple TV renovou 43% das produções, Paramount+ chegou a 50% e o Hulu liderou com 54%. Os percentuais se referem a produções dos Estados Unidos, então não dá para tratar o resultado como um retrato automático de todos os catálogos pelo mundo.

O dado surpreende porque a Netflix virou quase sinônimo de séries interrompidas. Só que, olhando para a porcentagem de renovações, ela foi mais generosa que boa parte da concorrência. E o contraste entre reputação e estatística é justamente a parte interessante da história.

Renovar não é o mesmo que cancelar

Tem um detalhe importante: a Luminate preferiu medir renovações, não cancelamentos. Faz sentido. Streaming não funciona necessariamente no ritmo da TV tradicional, com temporada nova todo ano e um anúncio rápido quando a produção acaba. Às vezes, uma série fica anos em silêncio sem receber um comunicado oficial de cancelamento.

O exemplo citado é The Politician, da Netflix, que não tem episódios inéditos desde 2020, mas nunca foi oficialmente cancelada. Para quem espera uma continuação, a diferença entre “não renovada” e “cancelada” pode parecer preciosismo. Para uma análise estatística, porém, é essencial: ausência de anúncio não significa confirmação de cancelamento.

Na Netflix, foram contabilizadas 91 séries norte-americanas lançadas em 2025. Dessas, 46 receberam sinal verde para novas temporadas, oito chegaram ao fim com encerramento e dez foram canceladas. Outras 27 ainda aguardavam decisão. Ou seja, os 49% que não aparecem como renovados incluem casos sem destino definido e produções concluídas, não apenas séries cortadas.

Por que a Netflix leva a culpa?

A explicação é menos dramática do que parece: volume. A Netflix lança mais séries do que as rivais e, por isso, também deixa mais títulos pelo caminho em números absolutos. Uma porcentagem menor de renovações não quer dizer automaticamente que o serviço cancelou mais séries do que todo mundo. É a velha diferença entre proporção e quantidade total, aquela pegadinha que aparece até em discussão de grupo nerd.

Se a plataforma lança muito, o público também tem mais chances de encontrar uma série de que gosta e vê-la sumir depois de uma ou duas temporadas. A sensação de “cancelaram tudo que eu assisto” pode ser real para cada pessoa, mesmo quando o percentual geral não coloca a Netflix como a mais impiedosa.

A própria empresa já brincou com esse rótulo numa campanha brasileira. Em uma das vinhetas, Marco Pigossi, conhecido também por Cidade Invisível, chega a uma festa da Netflix e descobre que seu nome está numa lista bem diferente da esperada. A piada funciona porque os fãs sabem que a plataforma acumulou despedidas dolorosas, mesmo que os números contem uma história mais complexa.

Confira a publicação da Netflix Brasil:

https://www.instagram.com/reel/Ddr9RaoD6qI/

A foice está mais perto?

Os dados também sugerem que a disposição para renovar pode mudar. Apple TV e Prime Video, por exemplo, tiveram percentuais maiores em 2024: 54% e 62%, respectivamente. No levantamento de 2025, os índices caíram para 43% e 34%. O estudo relaciona essa mudança a um cenário econômico mais apertado para grandes empresas de tecnologia, que passaram a controlar os gastos com mais rigor.

Claro, renovação não depende só de carinho pelo público. Audiência, custo, estratégia de catálogo e planos de cada serviço entram nessa conta. Para quem assiste, o número mais útil talvez seja lembrar que uma temporada terminando num baita gancho não é garantia de continuação. A Netflix não está sozinha nessa prática, mas, como produz em escala maior, seus cancelamentos fazem mais barulho. E, convenhamos, poucas coisas irritam mais do que descobrir que o final da sua série favorita era só uma pausa antes do abismo.

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