Dept. Q: o que esperar da 2ª temporada na Netflix

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

Dept. Q ganhou segunda temporada na Netflix e voltará com uma peça importante do seu time fora de campo.

O segredo do Dept. Q

Tem série policial que parece montada com peças conhecidas: detetive genial, caso cabeludo e uma equipe que ninguém leva muito a sério. Dept. Q também começa por aí, mas encontra personalidade própria ao combinar investigação, trauma e personagens que não são exatamente bons de convivência. A primeira temporada tem nove episódios e já garantiu continuação na Netflix.

A trama acompanha Carl Morck, interpretado por Matthew Goode, um investigador brilhante que está longe de ser uma companhia agradável. Depois de um ataque durante o trabalho, ele precisa lidar com ferimentos, com a morte de um jovem policial e com a situação de seu parceiro, que fica paralisado. A série não transforma isso numa desculpa mágica para o comportamento dele, e esse detalhe faz diferença.

Morck é sarcástico, agressivo e capaz de deixar qualquer conversa mais tensa do que uma reunião de condomínio. Ainda assim, a produção deixa espaço para entendermos de onde vêm algumas de suas defesas emocionais. Entender não é o mesmo que passar pano, e a série parece saber disso. É uma escolha mais interessante do que fazer do protagonista um rabugento charmoso que nunca precisa encarar as consequências do que diz.

Um trio cheio de arestas

Parte do charme está na equipe improvável que se forma ao redor de Morck. Rose Dickson, vivida por Leah Byrne, é uma policial jovem que passou por um colapso e foi rebaixada a uma função de assistente. Akram Salim, interpretado por Alexej Manvelov, é um refugiado sírio cujo passado sugere que suas capacidades vão muito além do cargo que ocupa.

Os três trabalham num espaço bem pouco inspirador: uma antiga área de banheiros e chuveiros da delegacia. Não é exatamente o escritório dos sonhos, mas combina com gente que parece ter sido empurrada para o canto. E é dessa convivência meio torta, cheia de desconfiança e atrito, que sai boa parte da energia da série.

As comparações com Slow Horses são naturais. As duas produções acompanham profissionais deslocados e liderados por figuras difíceis, cada uma à sua maneira. Mas Dept. Q não fica apenas imitando a receita: o cenário escocês, os casos arquivados e o peso emocional de Morck ajudam a série a construir outro ritmo. A inspiração pode até estar na mesa, mas a produção já sabe qual é a sua cadeira.

A ausência que vai ser sentida

A notícia menos animadora para a próxima temporada é a saída de Rachel Irving, terapeuta de Morck interpretada por Kelly Macdonald. Ela foi uma presença importante no primeiro ano justamente por não aceitar todas as provocações do detetive. Rachel conseguia confrontá-lo e atravessar, ainda que aos poucos, algumas das barreiras que ele ergue ao redor de si.

A personagem não ficará de fora por uma decisão de roteiro contra ela. Macdonald não conseguiu conciliar as gravações de Dept. Q com seus compromissos em Lanternas, série da DC para a HBO. A possibilidade de um retorno futuro continua aberta, caso a agenda da atriz permita.

É uma perda que pode alterar o equilíbrio da história. Rachel funcionava como contraponto a Morck sem precisar competir com ele em sarcasmo ou transformar cada conversa numa disputa. Sem essa relação, a segunda temporada vai precisar encontrar novas maneiras de mostrar o que acontece quando o detetive é obrigado a olhar para as próprias feridas. Se todo mundo ao redor só responde com outra farpa, a série corre o risco de deixar seu protagonista preso no mesmo lugar.

O que vem aí?

A previsão divulgada para a segunda temporada é 2027. A nova investigação levará Morck e sua equipe a um crime escondido nos níveis mais altos da sociedade escocesa, um terreno que combina bem com uma série interessada tanto nos casos quanto nas estruturas de poder que os cercam.

O elenco também ganhará reforços: Aisling Franciosi, Tony Curran, Alex Ferns e Amy Brenneman estão entre os nomes anunciados. Ainda não há motivo para presumir que a produção vá simplesmente repetir a fórmula do primeiro ano. Na verdade, esse é o teste interessante: manter a personalidade que conquistou o público sem transformar os nove episódios iniciais num molde que a série tenha medo de abandonar.

Com 88% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, Dept. Q mostrou que ainda há espaço para uma boa série policial que não depende só de reviravolta a cada esquina. O que sustenta a história é a equipe quebrada, o desconforto e a investigação que obriga os personagens a trabalhar juntos, mesmo quando claramente prefeririam ficar sozinhos. A saída de Rachel deixa uma lacuna real, mas também abre espaço para a série provar que sua identidade não depende de uma única relação. Agora é torcer para Morck não transformar o novo caso numa desculpa para ser ainda mais insuportável.

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver The Keeper of Lost Causes Jussi Adler-Olsen livro físico na Amazon