Bob Chapek acusa Iger: bastidores da queda na Disney

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Bob Chapek aponta Bob Iger como o principal responsável por sua saída da Disney e promete contar sua versão dos bastidores.

A versão de Chapek chega às livrarias

Bob Chapek está pronto para revisitar um dos períodos mais turbulentos da Disney recente. Em sua memória, Behind the Castle Walls, que chega às lojas em 29 de setembro, o ex-CEO atribui a Bob Iger um papel central em sua demissão. Segundo ele, o antigo chefe não teria conseguido deixar para trás o poder que exerceu por 15 anos.

O livro tem 272 páginas e, de acordo com Chapek, menciona Iger 121 vezes. Um número que parece menos uma nota de rodapé e mais um personagem recorrente. Em entrevista à Variety, ele afirma que Iger teria iniciado uma campanha prolongada para tirá-lo do cargo. Chapek descreveu o processo como uma tentativa de removê-lo que teria durado três anos.

Vale separar a acusação daquilo que está comprovado. Essa é a leitura de Chapek sobre os acontecimentos, apresentada em um livro de memórias. Representantes de Iger e da Disney não comentaram as declarações. Ou seja, por enquanto, temos um lado da história em público e nenhuma resposta oficial do outro.

O peso de Iger na disputa pelo comando

Chapek assumiu a liderança da Disney em 2020, após Iger deixar o cargo de CEO, e foi demitido em novembro de 2022. Iger voltou então ao posto. A passagem do sucessor durou menos de três anos, e a troca repentina no topo da empresa virou combustível para perguntas sobre quem realmente conduzia as decisões nos bastidores.

Na entrevista, Chapek admite que não foi perfeito, mas diz que seus erros não justificavam a demissão. É uma defesa previsível de alguém que perdeu o cargo, claro, mas o executivo também aponta um episódio específico: uma reportagem do New York Times, publicada em abril de 2020, que dizia que Iger estava reafirmando o controle dentro da companhia.

Para Chapek, aquela notícia antecipava as intenções do antecessor. A interpretação faz sentido como pista de uma relação delicada, mas não prova, por si só, uma articulação para derrubá-lo. Em uma empresa gigantesca como a Disney, disputa de influência e decisão formal do conselho não são necessariamente a mesma coisa, mesmo quando a novela corporativa parece escrita para a TV.

Uma demissão sem conversa até hoje

Os dois não mantêm contato desde a saída de Chapek. O ex-CEO conta que encontrou Iger uma única vez, em julho de 2022, durante um evento em Sun Valley. Os dois se cumprimentaram, trocaram poucas palavras e seguiram adiante. Chapek diz que nunca perguntou diretamente por que Iger teria agido daquela maneira, embora afirme que houve sinais de tensão enquanto ainda trabalhavam juntos.

Ele também comentou a demissão de Peter Rice, então chefe de entretenimento geral, em junho de 2022. Chapek afirmou que não foi uma decisão tomada apenas por ele, mas envolveu outras pessoas da empresa. Rice acabou substituído por Dana Walden. É um detalhe que ajuda a mostrar como decisões de alto escalão raramente cabem numa narrativa simples de um chefe apertando um botão.

Já sobre Josh D’Amaro, o novo CEO da Disney, Chapek foi generoso. Disse que o considera um excelente executivo e que ele estava em sua lista de sucessão. Um elogio que também serve para deixar claro que, apesar da mágoa com a própria saída, Chapek não pretende transformar todo o legado da empresa em alvo.

As feridas ainda estão abertas?

Chapek diz que a raiva dos primeiros meses deu lugar à decepção. Ele afirma ter dedicado 30 anos à Disney e acredita que entregou resultados nos cargos que ocupou, com apoio de Iger até chegar à liderança máxima. A partir dali, segundo seu relato, a relação mudou. O tempo trouxe perspectiva, mas não apagou a sensação de ter sido deixado de lado.

Um exemplo pessoal citado por ele é a remoção de uma placa que o homenageava em Castaway Cay, ilha privada da Disney nas Bahamas. Chapek classificou o gesto como vingativo e questionou se era necessário. Também disse que não visita os parques desde que deixou a empresa, porque a experiência de comprar a magia ficou estranha depois do que viveu nos bastidores.

É difícil não achar irônico: a Disney vende histórias de redenção, mas seus executivos também parecem presos a capítulos mal resolvidos. O livro pode oferecer mais contexto para a queda de Chapek, mas não encerra a discussão sobre quem tomou cada decisão. Por ora, fica a versão de um ex-CEO que ainda se sente injustiçado e uma empresa que preferiu não responder. A disputa pelo controle da narrativa, essa sim, continua em cartaz.

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