American Horror Story 13ª temporada: nostalgia em excesso

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American Horror Story 13ª temporada traz de volta rostos queridos, mas nem todo retorno vira um grande susto.

O retorno que todo fã esperava

Depois de três anos longe, American Horror Story volta com uma aposta que parece feita sob medida para quem sente saudade das primeiras temporadas: reunir personagens marcantes de diferentes fases da série. Jessica Lange retorna como Constance Langdon, Sarah Paulson como Cordelia Goode, Emma Roberts como Madison Montgomery e Angela Bassett como Marie Laveau. Evan Peters também aparece como o Homem de Borracha.

É um elenco daqueles que faz qualquer fã reconhecer nomes e já começar a montar teorias antes mesmo de apertar o play. A série ainda tem John Waters no papel do Dr. Phibes, reforçando a sensação de que Ryan Murphy quis transformar a nova temporada numa reunião de figuras queridas. O problema é que juntar tanta gente conhecida cria uma expectativa enorme. E expectativa, em terror, pode ser um monstro bem mais difícil de derrotar do que qualquer entidade sobrenatural.

Um novo mistério em um prédio sinistro

A trama começa com Ben, um jovem enfermeiro interpretado por Joey Pollari, sobrevivendo à queda de um avião que matou sua namorada. Um mês depois, ele vai trabalhar cuidando do Sr. Nas, vivido por Fedor Steer, no edifício The Apollyon. O lugar é administrado por Constance e pelo Dr. Phibes, e logo fica claro que aquela vaga tem mais coisa escondida do que um contrato de trabalho suspeito.

Ben começa a desconfiar que sua sobrevivência não foi obra do acaso, enquanto segredos do prédio embaralham as fronteiras entre o real e o espiritual. É uma premissa com espaço para paranoia, horror e aquela tensão de nunca saber se o personagem viu um fantasma ou se está perdendo a cabeça. A série tem material para brincar com o mistério, mas nem sempre encontra o ritmo certo para fazer a inquietação funcionar.

Quando o estilo vira caricatura

O DNA visual de American Horror Story continua lá: enquadramentos inclinados, falas enigmáticas e personagens que parecem esconder três segredos antes do café da manhã. Para quem acompanha a franquia, esses elementos são quase um uniforme. Só que, nesta temporada, às vezes dão a impressão de que a série está repetindo seus próprios truques no piloto automático.

Um exemplo é a revelação de que Ben tem medo do número 13, condição conhecida como triscaidecafobia. Em vez de soar como uma peça intrigante do quebra-cabeça, o detalhe cai num território quase cômico. E olha, humor e horror podem dividir o mesmo corredor tranquilamente. O problema é quando a piada aparece sem querer e quebra uma tensão que a cena deveria estar construindo.

Esse é o ponto em que a temporada escorrega: ela ainda sabe produzir imagens chamativas, mas nem sempre transforma o impacto visual em medo genuíno. Os primeiros anos da série conseguiam ser debochados e assustadores ao mesmo tempo, uma combinação difícil que aqui surge de maneira mais irregular.

Nostalgia não salva tudo

O retorno do elenco é, sem dúvida, o grande chamariz. Ver Jessica Lange e Sarah Paulson novamente nesse universo tem um peso especial, e os reencontros alimentam a curiosidade de quem guarda carinho pelas temporadas iniciais. Mas a reunião também evidencia uma questão: personagem popular não é atalho automático para uma boa história.

A 13ª temporada tem momentos que lembram por que American Horror Story virou um fenômeno, mas também parece fascinada demais pela própria mitologia. Quando a série se apoia só em rostos conhecidos, poses dramáticas e frases misteriosas, o terror perde espaço para a autoparódia. É como rever uma banda favorita tocando os maiores sucessos: dá alegria reconhecer cada acorde, mas a apresentação precisa oferecer algo além da lembrança.

O resultado fica no meio do caminho. Há elenco de sobra, uma premissa promissora e referências para agradar quem acompanha a saga desde o começo, mas os sustos nem sempre acompanham o tamanho da expectativa. Para fãs completistas, a temporada pode valer pela reunião. Para quem espera recuperar o medo e a ousadia dos primeiros capítulos, a nostalgia talvez não seja suficiente. Disponível no Disney+, a série merece curiosidade, mas não um cheque em branco só porque os nomes no cartaz são excelentes.

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