Behemoth! estreou no Festival de Nova York com opiniões divididas e um ponto quase unânime: Pedro Pascal é o grande destaque.
- A história de Alex Serian
- Pedro Pascal segura o filme?
- O que dizem as críticas
- A música também rouba a cena
- Quando estreia no Brasil
A história de Alex Serian
O novo longa de Tony Gilroy, diretor de Andor e Michael Clayton, chegou ao Festival de Nova York apostando em algo bem diferente de uma aventura espacial ou de um thriller corporativo: um drama musical sobre memória, escolhas e recomeços. Para Pascal, é mais uma chance de mostrar que há vida além de personagens que resolvem tudo com cara fechada e uma arma por perto.
Em Behemoth: Uma Vida Composta em Peças, ele interpreta Alex Serian, um violoncelista que volta para Los Angeles para trabalhar na composição de trilhas sonoras de filmes. O retorno à cidade abre espaço para revisitar as razões que o fizeram partir e o que mudou para que ele decidisse voltar. O filme usa esse caminho para acompanhar um artista tentando encontrar de novo algo que valha seu envolvimento.
O projeto também marca o primeiro longa de Gilroy em 14 anos. A premissa tem um potencial interessante, mas a recepção inicial indica que o diretor preferiu experimentar em vez de seguir uma linha narrativa confortável. Para alguns, essa ousadia dá personalidade ao filme. Para outros, deixa a experiência irregular.
Pedro Pascal segura o filme?
Se tem um ponto que aparece com força nas primeiras reações é a atuação de Pascal. Os elogios descrevem um trabalho contido, naturalista e cheio de pequenas nuances. Em vez de transformar Alex num personagem grandioso a cada cena, o ator parece apostar nos silêncios e nas mudanças mínimas de expressão. É uma escolha que combina com alguém que está tentando se reconectar com a própria vida.
Essa sutileza, porém, não resolveu tudo para todo mundo. Uma das críticas considera Alex pouco interessante para sustentar sozinho um estudo de personagem. É o tipo de discordância que faz sentido: uma atuação pode ser precisa e ainda assim não tornar cada etapa da jornada envolvente. Pascal parece ser o melhor argumento do filme, mas não necessariamente um passe livre para o roteiro.
Olivia Wilde também recebeu elogios. Uma crítica destacou que ela rouba a cena, embora as reações apontem que os personagens coadjuvantes, no geral, poderiam ser mais aproveitados. Parece que o elenco tem bons momentos, mas nem sempre recebe espaço suficiente para deixar uma marca duradoura.
O que dizem as críticas
As opiniões reunidas após a sessão de estreia não formam um veredito simples de “ame ou odeie”. Há quem veja um longa visualmente caprichado e formalmente inventivo, mas prejudicado por mudanças de ritmo e problemas de narrativa. Outros consideram que a história eventualmente segue caminhos conhecidos, apesar de seus truques de estrutura e de tom.
Uma leitura especialmente interessante é a de que Behemoth! oscila entre tons e ideias como um rio, sem escolher um curso único. A imagem é bonita, mas também aponta para o risco da proposta: experimentar pode criar surpresas, só que mudanças demais podem deixar o público sem saber onde fincar os pés. É uma aposta autoral, não exatamente um filme construído para agradar todo mundo.
As reações de Matt Neglia e Amy Kim ajudam a mostrar esse contraste entre admiração pela música e ressalvas ao roteiro:
https://x.com/NextBestPicture/status/2106172453424701812
https://x.com/AmyHayneKim/status/2106172382977368156
A música também rouba a cena
Se Pascal é o centro emocional, a trilha sonora parece ser o motor que mantém o filme em movimento. O trabalho reúne nove compositores, com peças orquestrais de estilos e texturas variadas. As críticas elogiam tanto a qualidade da música quanto a forma como ela é usada para colorir lembranças e dar impulso a uma trama que poderia soar estática.
Essa relação entre som e memória é uma das ideias mais promissoras do longa. Música de cinema costuma acompanhar a emoção; aqui, pelo que indicam as primeiras avaliações, ela ganha papel mais ativo na própria experiência de Alex. Ainda assim, uma trilha marcante não apaga eventuais tropeços do roteiro. Dá para sair lembrando da música e, ao mesmo tempo, desejando que certas partes da história tivessem encontrado um caminho mais firme.
Quando estreia no Brasil
Behemoth: Uma Vida Composta em Peças tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros em 3 de dezembro. Até lá, as reações de Nova York deixam uma expectativa curiosa: não parece ser um filme sem personalidade, mas um daqueles trabalhos que podem conquistar pela atuação e pela música enquanto fazem parte do público perguntar se tanta experimentação realmente se encaixa.
Para quem acompanha Pedro Pascal, a estreia já oferece um motivo claro para ficar de olho: ver o ator num registro mais contido e musical. Para quem prefere histórias com rumo bem definido, talvez seja melhor chegar sabendo que a recepção aponta altos e baixos. No mínimo, Behemoth! parece disposto a tocar sua própria partitura, mesmo que nem todas as notas agradem a plateia.
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