Curta de turismo em anime transforma a Andaluzia

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

O curta de turismo em anime da Andaluzia troca o cartão-postal previsível por uma aventura de outro mundo.

Uma viagem para outro mundo

Turismo e anime podem parecer uma combinação improvável. Mas, convenhamos, mostrar paisagens bonitas com drone e música inspiradora já virou o equivalente publicitário de repetir o mesmo golpe especial pela décima vez. Em The Surrender, a campanha global “Andalusian Crush” escolhe outro caminho: transformar a Andaluzia em cenário de fantasia.

O curta de seis minutos, criado pela Ogilvy Espanha para o Turismo de Andalucía, estreou na Comic-Con de Málaga. A protagonista é Mitsuki, uma jovem japonesa que procura abrigo da chuva e acaba atravessando para um universo paralelo. A premissa tem aquele gostinho de isekai: alguém deixa o cotidiano para cair num mundo novo, cheio de regras e possibilidades.

O detalhe interessante é que esse mundo não é inventado do zero. É a própria Andaluzia, apresentada como território de lendas, história e cenários que parecem prontos para uma aventura de RPG.

Andaluzia em fases

Mitsuki é guiada por um pingente inspirado no Bronce Carriazo, peça tartésica associada à deusa Astarté. O objeto funciona como fio condutor de uma jornada por diferentes lugares e referências culturais da região. Em vez de despejar nomes de atrações como quem lê um folheto de excursão, o filme transforma a visita em progressão narrativa.

A estrutura brinca com a linguagem dos videogames e passa por cenários que parecem fases distintas: os pueblos blancos, ligados à poesia de García Lorca; o barroco de Sevilha; a Alhambra e o Albaicín, em Granada; e, por fim, o Deserto de Tabernas, em Almería.

Há referências a parkour, jogos de plataforma e luta. A ideia é fazer a paisagem participar da ação, não ficar só no fundo esperando a protagonista terminar o diálogo. Para quem cresceu vendo personagens atravessarem mundos fantásticos, a proposta conversa com códigos bem conhecidos sem fingir que a Andaluzia precisa de um dragão para ser interessante.

Um curta feito a várias mãos

O projeto levou mais de seis meses e reuniu mais de 150 profissionais. A produção ficou com a Roma, sob direção de Manu Mazzaro, com pós-produção de McNulty e Sauvage e gestão da WPP Production. São números que ajudam a entender por que o resultado não se resume a apertar um botão e pedir “anime bonito, por favor”.

O processo combina filmagem live-action, animação 3D, captura de movimento e inteligência artificial generativa. Essa mistura aparece como parte de uma produção extensa, com artistas de diferentes áreas trabalhando em composição, animação, efeitos e acabamento. A ferramenta pode acelerar etapas ou abrir caminhos visuais, mas a direção e as decisões criativas continuam dependendo de gente de carne, osso e prazo apertado.

A IA entra no elenco

A ficha técnica inclui funções como supervisão criativa de IA, artista de IA e desenvolvimento de CGI para IA, ao lado de especialidades como Houdini, Nuke e composição. Essa convivência é mais interessante do que a velha conversa de que a inteligência artificial vai resolver tudo sozinha. Pelo menos neste caso, ela aparece dentro de um pipeline cheio de etapas e profissionais.

Também é um lembrete de que “feito com IA” não explica, por si só, o que estamos vendo. A pergunta mais útil é como a tecnologia foi usada, quem conduziu o trabalho e se o resultado sustenta uma ideia. Aqui, a resposta está na combinação de técnicas e numa história que dá propósito às imagens.

Mais que um cartão-postal?

A trilha original de Hans Zimmer, que já colaborava com etapas anteriores de “Andalusian Crush”, mistura composição sinfônica com a presença de um cantor e de um violonista flamencos. É uma escolha que reforça o encontro entre espetáculo cinematográfico e identidade local, sem reduzir a região a uma sequência de paisagens bonitas.

O risco de transformar uma campanha turística em curta de fantasia é gastar toda a energia com o visual e esquecer o destino real. The Surrender parece escapar disso ao conectar a aventura a lugares, história e referências andaluzas. Não é um convite para comprar uma passagem só porque tocou uma música épica, mas dá vontade de conhecer o cenário por trás da fantasia. E, para uma campanha de turismo, já é um final de fase bastante convincente.

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver guia de viagem Andaluzia Espanha na Amazon