Crunchyroll Storyworks: a ponte entre anime e live-action

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Crunchyroll Storyworks é a nova divisão criada para aproximar histórias de anime e live-action, com criadores japoneses no centro do processo.

Uma ponte em duas direções

A Sony Pictures Entertainment anunciou a Storyworks como uma nova divisão da Crunchyroll. A missão anunciada tem duas frentes: transformar histórias globais em anime e levar animes japoneses para o live-action. Ou seja, não é só mais uma equipe olhando para mangás e pensando em elenco: a proposta também inclui criar animações a partir de narrativas de outras partes do mundo.

A iniciativa vai funcionar dentro do grupo de conteúdo da Crunchyroll e pretende trabalhar junto de criadores japoneses. A empresa diz que quer manter a visão original no centro dos projetos. É uma promessa importante, porque adaptação boa não é aquela que copia cada quadro como se estivesse preenchendo um checklist. É a que entende por que a história funciona e encontra uma forma nova de contar isso.

O plano é preparar projetos para aprovação da HAYATE, joint venture da Crunchyroll com a Aniplex. Ainda não foram anunciadas obras específicas, então, por enquanto, temos a estrutura e a intenção, mas nenhum título para colocar na fila de maratona.

Quem vai conduzir a Storyworks

A divisão será liderada por Tohru Iokibe, executivo com 25 anos de trajetória na Sony. Mais recentemente, ele trabalhou em iniciativas de propriedade intelectual que conectavam a Sony Pictures Entertainment à PlayStation Productions. A experiência ajuda a explicar por que a empresa o escolheu para uma função que exige circular entre formatos e públicos diferentes.

Iokibe se reportará a Asa Suehira, diretor de conteúdo da Crunchyroll. Durante o anúncio, Ravi Ahuja, CEO da Sony Pictures Entertainment, descreveu a Storyworks como uma forma de ampliar o alcance global do anime sem deixar suas raízes japonesas para trás. Suehira, por sua vez, apresentou a unidade como uma ponte criativa entre o Japão e contadores de histórias do mundo todo.

É uma ambição bonita no papel. O desafio, como sempre, está em fazer essa ponte funcionar dos dois lados, sem transformar a cultura que inspirou a obra em mero tempero de marketing.

O ponto delicado das adaptações

Vamos combinar: adaptação de anime para live-action chega à conversa carregando uma mochila de desconfiança. Não é implicância gratuita. Algumas histórias dependem de poderes exagerados, mundos impossíveis ou personagens com visuais que funcionam muito melhor na animação do que numa gravação com atores e orçamento limitado.

Mas isso não significa que a missão seja impossível. O live-action de One Piece, por exemplo, mostrou que dá para abraçar o absurdo e ainda encontrar uma linguagem própria, em vez de tentar fazer tudo parecer realista a qualquer custo. O segredo está em respeitar o espírito da obra, entender o que os fãs valorizam e tomar decisões criativas com intenção.

Por isso, a ênfase da Storyworks em trabalhar com criadores japoneses é um sinal interessante. Não garante adaptação excelente, claro, mas aponta para uma preocupação que deveria ser básica: quem conhece a história precisa ter voz no caminho que ela vai percorrer.

O que já sabemos dos projetos

Até aqui, o anúncio não revelou animes ou produções live-action em desenvolvimento, nem datas, elenco ou plataformas de estreia. A informação concreta é o modelo de trabalho: a divisão vai buscar histórias e preparar projetos para a etapa de aprovação da HAYATE, além de atuar nas duas direções entre animação e live-action.

A notícia chega num momento em que a Crunchyroll já tem peso global. A Sony concluiu a compra do serviço em 2021 por US$ 1,2 bilhão e, depois, combinou a plataforma com a Funimation. Segundo os dados divulgados no anúncio, a Crunchyroll ultrapassou 21 milhões de assinantes neste ano. Com essa escala, faz sentido a empresa querer participar de mais etapas da vida de uma propriedade intelectual, não apenas distribuir anime.

Isso também aumenta a responsabilidade. Quanto maior o alcance, maior a tentação de tratar uma franquia como um pacote de formatos e produtos. A Storyworks vai precisar provar que consegue crescer sem deixar a parte criativa virar passageira no próprio navio.

E agora?

A Storyworks começa com uma proposta que faz sentido e com uma promessa que os fãs vão cobrar: respeitar as histórias e as pessoas que as criaram. O anúncio ainda não permite julgar projetos, porque eles nem foram apresentados. Dá, porém, para observar a direção escolhida e esperar que a equipe não confunda alcance global com fórmula universal.

Se a divisão encontrar boas histórias, envolver os criadores desde o começo e souber quando uma adaptação precisa mudar de linguagem, pode abrir caminhos interessantes para o anime e para o live-action. Se não, será só mais um nome bonito numa apresentação corporativa. Agora é esperar os primeiros projetos aparecerem. Aí começa o verdadeiro teste.

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