Outra Mamãe lidera bilheteria, mas divide opiniões

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Outra Mamãe chegou assustando a concorrência nos cinemas dos EUA: o terror abriu em primeiro lugar com US$ 27,5 milhões.

Uma estreia de arrepiar

O novo filme de terror estrelado por Jessica Chastain assumiu a liderança da bilheteria norte-americana no fim de semana de estreia. Lançado por lá em 9 de outubro, o longa passou por 3.365 salas e arrecadou US$ 27,5 milhões, segundo dados divulgados pela Variety.

O resultado fica ainda mais interessante quando somamos os US$ 17,7 milhões obtidos nos mercados internacionais. Com isso, Outra Mamãe chegou a aproximadamente US$ 45,2 milhões no mundo todo em seu primeiro fim de semana. Para um filme com orçamento estimado em US$ 19 milhões, é uma largada comercial robusta, embora bilheteria bruta não seja sinônimo automático de lucro.

O longa já está em cartaz nos cinemas brasileiros, então quem curte terror de clima familiar perturbador pode conferir a história na telona. E, sim, “familiar” aqui não significa sessão aconchegante com pipoca e abraço de mãe. A premissa vai justamente pelo caminho oposto.

Bilheteria não é veredito

Tem um contraste curioso nessa estreia: o público apareceu em peso, mas a recepção não veio exatamente com aplausos. O filme recebeu nota D+ no CinemaScore, pesquisa feita com espectadores na saída das sessões, e ficou por volta de 18% no Rotten Tomatoes. São indicadores diferentes, mas ambos apontam para uma resposta bastante fria.

Isso não apaga o feito comercial. Liderar o fim de semana nos Estados Unidos é uma vitória importante, ainda mais para uma produção de terror sem depender de uma franquia gigantesca. Só que o boca a boca pode ser decisivo daqui para frente. Um começo forte chama atenção; a reação de quem já assistiu é que ajuda a manter o filme na conversa.

Também vale separar gosto pessoal de desempenho de mercado. Nota baixa não impede ninguém de se divertir, e uma bilheteria alta não transforma automaticamente um filme em clássico. Às vezes, o público vai pela curiosidade, pelo elenco ou por uma premissa que parece feita sob medida para render sustos. Depois, cada um sai da sala com seu próprio veredito.

Terror com cara conhecida

Na trama, Bela, uma garota, passa a conviver com uma presença sobrenatural que assume a aparência da própria mãe. Jessica Chastain interpreta tanto a mãe quanto a criatura misteriosa, uma escolha que coloca a atriz no centro da tensão: o rosto que deveria transmitir segurança também pode ser o sinal de que algo está muito errado.

A direção é de Rob Savage, e o roteiro parte do livro Incidents Around the House, de Josh Malerman, autor de Caixa de Pássaros. Para quem conhece o trabalho de Malerman, a combinação de ambiente doméstico e ameaça inexplicável tem potencial para transformar situações comuns em algo bem sinistro. O lar, que costuma ser o lugar seguro, vira parte do problema.

Esse tipo de terror mexe com um medo bem direto: e se a pessoa mais próxima de você não for exatamente quem parece? Não é uma ideia inédita no gênero, claro, mas colocar uma criança no centro desse pesadelo dá à história uma camada extra de vulnerabilidade. E Chastain dobrando o papel promete manter a dúvida viva sempre que a mãe aparece em cena.

E agora?

Outra Mamãe já venceu a primeira batalha nas bilheterias, mas ainda precisa convencer o público a continuar recomendando o filme. A estreia mundial de US$ 45,2 milhões é um começo animador diante do orçamento estimado, enquanto as avaliações negativas deixam uma pergunta no ar: o terror vai sustentar o interesse ou a curiosidade inicial vai evaporar rápido?

Por enquanto, temos um lançamento que atraiu espectadores e dividiu quem saiu da sessão. Para fãs do gênero, isso pode ser convite suficiente para tirar a própria prova, sem deixar que nota ou ranking decidam tudo antes da primeira cena. Só não espere que a palavra “mamãe” soe tão tranquilizadora depois dos créditos.

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