Sergio Peixoto: o editor que abriu espaço para o anime

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Sergio Peixoto ajudou a aproximar o público brasileiro dos animes muito antes do streaming.

Uma trajetória que começou em 1985

Antes de anime virar assunto de catálogo, recomendação algorítmica e maratona de fim de semana, encontrar essas obras no Brasil podia exigir curiosidade, persistência e uma boa dose de sorte. Sergio Peixoto atua no mercado editorial desde 1985 e se tornou uma figura importante para quem acompanhou a expansão da cultura japonesa no país.

Seu nome ganhou destaque especialmente nos anos 1990, período em que ajudou a colocar publicações sobre anime e mangá nas mãos de leitores brasileiros. É fácil esquecer, olhando para a abundância de conteúdo atual, que informação especializada nem sempre estava a um clique. Para muita gente, uma revista era a porta de entrada para um universo que ainda parecia distante.

Revistas que viraram referência

Entre os projetos associados a Peixoto estão Animax, Japan Fury e Anime Ex. Ele também é apontado como um dos criadores da Animax e da Anime Ex. Não eram apenas nomes numa banca: publicações assim ajudavam fãs a descobrir títulos, acompanhar novidades e reconhecer que havia outras pessoas tão empolgadas com aquele universo quanto eles.

A Animax, em particular, ocupa um lugar especial nessa lembrança. Em uma época sem redes sociais para organizar comunidades, a revista funcionava como ponto de encontro impresso. Você podia folhear páginas, encontrar uma obra desconhecida e sair da banca com assunto para semanas. Hoje a descoberta acontece por recomendação automática; naquela época, às vezes, ela começava com uma capa chamativa e uma compra por impulso. O algoritmo era o jornaleiro, basicamente.

Revistas como essas também ajudaram a dar visibilidade a animes e mangás quando o interesse ainda não tinha a dimensão popular que conhecemos. Seu valor não está só no conteúdo publicado, mas no espaço que abriram para conversar sobre produções japonesas em português e para fortalecer uma comunidade de fãs.

Anime na base do VHS

Em julho de 2024, Peixoto participou da sexta edição do Bazar da Sétima Arte e compartilhou relatos sobre os primeiros contatos do público brasileiro com exibições de anime. Segundo as lembranças apresentadas no evento, algumas sessões eram feitas com fitas VHS e televisores de tubo, sem legendas. Parece improviso? Era também uma forma concreta de fazer aquelas animações chegarem a mais gente.

Havia ainda o desafio de encontrar as fitas. Peixoto contou sobre as buscas em antigas videolocadoras da Liberdade e junto a distribuidoras. Para quem hoje abre um aplicativo e escolhe entre centenas de títulos, essa realidade soa quase arqueológica. Mas é justamente aí que a história ganha força: o acesso dependia de procurar, trocar informação e aproveitar cada oportunidade de assistir.

Não dá para romantizar toda dificuldade, claro. Ver uma obra sem legenda podia significar perder diálogos e nuances importantes. Ainda assim, essas exibições ajudaram a criar experiências coletivas e a despertar interesse por uma forma de animação que muitos brasileiros mal conheciam.

Um legado que merece memória

A trajetória de Peixoto conecta dois momentos bem diferentes do fandom. De um lado, a circulação de revistas e fitas, com informação difícil de encontrar; do outro, um cenário em que anime está presente em plataformas, eventos e conversas cotidianas. A mudança não aconteceu do nada. Foi construída também por editores, divulgadores e fãs que insistiram em falar dessas obras quando elas ainda ocupavam pouco espaço.

Isso não significa colocar uma pessoa sozinha como responsável por popularizar toda uma cultura. O mérito está em reconhecer a contribuição editorial de Peixoto e o papel de publicações como Animax, Japan Fury e Anime Ex num período decisivo para a formação de leitores e espectadores brasileiros.

O que fica?

Quando uma revista antiga aparece numa coleção ou numa lembrança de fã, ela carrega mais do que papel: guarda pistas de como uma comunidade se formou. Sergio Peixoto faz parte dessa história por seu trabalho no mercado editorial desde 1985 e por projetos que ajudaram a tornar anime e mangá assuntos mais próximos do público brasileiro.

Hoje temos legendas, temporadas completas e recomendações infinitas. Ainda assim, vale lembrar de quem ajudou a preparar o terreno quando assistir a um anime podia depender de uma fita emprestada, de uma TV de tubo e de alguém disposto a apertar o play. Para muita gente, aquela sessão foi o começo de tudo.

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