Cara-de-Barro nasceu antes da nova DC de James Gunn

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Cara-de-Barro começou a tomar forma antes de James Gunn assumir a DC, como um terror idealizado por Matt Reeves e Mike Flanagan.

Um projeto que veio de antes

Quando James Gunn e Peter Safran assumiram a DC Studios, o filme do Cara-de-Barro já estava sendo desenvolvido. Matt Reeves, produtor do longa, contou que começou a trabalhar na ideia com Mike Flanagan antes de apresentar a proposta à nova liderança do estúdio. A notícia ajuda a desfazer uma impressão fácil de ter: a de que todo projeto do novo Universo DC nasceu diretamente da prancheta de Gunn.

Reeves explicou que, depois de The Batman, ficou interessado em explorar histórias de origem dos inimigos do Cavaleiro das Trevas em gêneros diferentes. Em vez de repetir a fórmula de um filme de super-herói tradicional, ele queria buscar produções de terror menores, com personalidade própria. Convenhamos: para um personagem que pode literalmente perder a forma humana, o horror é um encaixe bem mais natural do que uma aventura colorida de capa e soco.

Foi nessa conversa que Flanagan, fã do Cara-de-Barro e especialmente da versão apresentada em Batman: A Série Animada, levou a Reeves a ideia de transformar o vilão em protagonista de um filme de horror. Os bastidores foram relatados em uma entrevista de Matt Reeves ao Batman News.

Terror com identidade própria

O conceito foi ganhando contornos de tragédia romântica, misturando horror corporal e suspense. Reeves resumiu a inspiração como uma combinação de A Mosca com um thriller de terror. Para quem conhece o clássico de David Cronenberg, a referência já dá uma pista: aqui, a transformação física não é só um efeito visual para encher o trailer. Ela pode ser o centro emocional da história.

Essa escolha também abre espaço para olhar o vilão de um jeito diferente. Cara-de-Barro costuma ser lembrado pelo poder de mudar de aparência e pela ameaça que representa para Batman. Mas a premissa do longa parte de uma pessoa que perde o rosto e tenta recuperar aquilo que tinha antes. É um ponto de partida mais íntimo e trágico, com potencial para fazer a gente sentir desconforto e pena do personagem ao mesmo tempo. Boa sorte torcendo por alguém quando a situação começa a derreter, literalmente.

Do projeto autoral ao Universo DC

Quando Gunn e Safran chegaram à DC Studios, Reeves e Flanagan apresentaram o que já estavam desenvolvendo. A nova chefia gostou tanto da proposta que quis levar o filme para dentro do Universo DC. Segundo Reeves, a equipe ficou animada com a possibilidade de contar aquela história nesse contexto.

O detalhe interessante é que a mudança de casa não parece ter apagado a ideia original. O projeto nasceu do desejo de fazer um terror centrado no personagem, não de encaixar mais um vilão numa sequência de apresentações do universo compartilhado. Isso não garante que o filme vá escapar de conexões com outras produções, claro, mas indica que a personalidade do longa já estava bem encaminhada antes de virar parte do DCU.

É uma estratégia que pode ajudar a nova fase da DC a não parecer uma fila de filmes obrigatórios para entender o próximo grande evento. Se cada projeto puder ter gênero, clima e protagonista próprios, o universo fica mais interessante do que uma coleção de histórias com a mesma receita e cores diferentes.

O que esperar da história

O filme acompanha Matt Hagen, um ator em ascensão interpretado por Tom Rhys Harries. Depois de ter o rosto desfigurado por um gângster, Hagen procura uma cientista, vivida por Naomi Ackie, que usa métodos pouco convencionais para tentar restaurar sua aparência. Uma fórmula química resolve as cicatrizes, mas transforma o ator em uma aberração da ciência. O tipo de tratamento estético que definitivamente não aparece em anúncio de clínica.

Mike Flanagan assina o roteiro, enquanto James Watkins dirige o longa. Max Minghella e Aaron Paul também estão no elenco, mas seus papéis não foram revelados. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 22 de outubro.

Por enquanto, o mais promissor é a combinação de uma origem pensada para o horror com um personagem cuja tragédia está escrita no próprio corpo. Se o filme preservar essa ideia e não tratar Cara-de-Barro apenas como um monstro de efeitos, pode entregar algo diferente dentro da DC. E, para um vilão que passou décadas mudando de cara, talvez finalmente seja hora de descobrir quem ele é por baixo de tudo isso.

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