Captain Tsubasa: Takahashi escolhe seu Tsubasa real

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Captain Tsubasa ganhou uma resposta direta do próprio criador: para Yōichi Takahashi, Lionel Messi seria o Tsubasa da vida real.

Messi é o Tsubasa da vida real?

Durante uma entrevista ao Anime Corner, feita na San Diego Comic-Con Málaga, Yōichi Takahashi foi perguntado sobre qual jogador poderia representar o protagonista de sua obra fora das páginas. A resposta veio com uma risada e sem muita cerimônia: “Messi, provavelmente”. É difícil imaginar escolha mais natural para uma história sobre talento, paixão pelo futebol e uma carreira que inspira gente no mundo inteiro.

Não é a primeira vez que o craque argentino cruza o caminho do mangaká. Takahashi já desenhou Messi para cartas do jogo eFootball e também esteve no Catar para acompanhar a final da Copa do Mundo de 2022, quando a Argentina conquistou seu terceiro título. Ou seja, o palpite não veio de alguém que só viu alguns lances no compilado do YouTube.

A comparação também faz sentido pelo tamanho simbólico dos dois. Tsubasa é um jogador que cresce sonhando alto e transforma a própria trajetória em uma aventura capaz de inspirar quem acompanha. Messi, por sua vez, passou décadas sendo referência para jovens atletas e fãs de futebol. Claro, um deles ainda precisa lidar com chutes especiais que desafiam a física; o outro teve de se contentar com bolas paradas bem impressionantes.

Brasil e Japão: um encontro especial

Na mesma conversa, Takahashi comentou a eliminação japonesa na Copa do Mundo de 2026. O Japão perdeu para o Brasil por 2 a 1 na fase de 16 avos de final, mas o resultado não apagou o significado daquele confronto para o criador de Captain Tsubasa. Para ele, enfrentar a seleção brasileira em uma Copa carregava um peso especial.

Isso porque o Brasil está ligado às próprias raízes da história. Tsubasa admirava um jogador brasileiro, tornou-se profissional no São Paulo e teve como mentor Roberto Hongo, personagem nipo-brasileiro que jogou pela Seleção Brasileira. A relação entre o protagonista e o futebol brasileiro não é um detalhe jogado no meio do campo: ela ajuda a explicar por que esse duelo tinha tanta importância para Takahashi.

O autor reconheceu a derrota, mas disse ter ficado satisfeito com a partida e a considerou incrível. É uma maneira curiosa, e até bonita, de olhar para o futebol: o placar importa, claro, mas também importa ver uma história imaginada décadas atrás ganhar forma em um torneio real. Para quem cresceu vendo os jogos de Tsubasa durarem mais que uma temporada de anime, esse encontro deve ter sido especial mesmo.

A seleção que virou objetivo

Takahashi explicou que, desde que começou a desenhar futebol, o Brasil era a equipe que o Japão deveria alcançar e enfrentar um dia. A fala mostra como Captain Tsubasa foi além de narrar partidas impossíveis: a obra ajudou a apresentar o futebol japonês a leitores de vários países e alimentou sonhos esportivos dentro e fora do Japão.

O Brasil ocupava um lugar quase mítico no imaginário de Tsubasa, como acontece com aquele chefão que parece inalcançável no começo do jogo. Só que, aqui, não era preciso inventar uma final fantástica para tornar o encontro marcante. Ver Japão e Brasil frente a frente em uma Copa do Mundo já carregava o simbolismo que o mangá vinha construindo havia anos.

Isso não significa que a derrota virou vitória por mágica, nem que Takahashi ignorou o resultado. Ele foi claro: o Japão perdeu. A satisfação veio de ver o confronto acontecer e de reconhecer a qualidade da partida. É uma leitura esportiva mais generosa do que a lógica de tratar todo jogo como sucesso absoluto ou fracasso completo.

O legado segue em campo

Takahashi anunciou uma semi-aposentadoria em 2024, com o encerramento da revista Captain Tsubasa Magazine, mas a franquia continua em movimento. O mangaká segue trabalhando em Captain Tsubasa: Rising Sun Finals, publicado digitalmente em formato de esboços. Depois de um hiato de cinco meses, a série voltou a receber capítulos no início de outubro, segundo as informações divulgadas.

Essa continuidade combina com uma obra que nunca tratou o futebol como algo encerrado no apito final. Para Takahashi, Messi pode ser o Tsubasa mais próximo do mundo real, enquanto o Brasil continua sendo uma referência essencial na jornada do personagem. E, quando uma partida entre Japão e Brasil consegue conectar o campo a uma história criada em 1981, fica claro que Captain Tsubasa ainda sabe fazer o coração do fã acelerar. Mesmo sem precisar de um chute que deixa a bola em órbita.

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