You Can See Everything: por que Billy Evans topou o doc

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You Can See Everything quer mostrar Elizabeth Holmes longe do tribunal, e Billy Evans explica por que aceitou participar.

A proposta de mostrar o cotidiano

Billy Evans, parceiro de Elizabeth Holmes e pai dos dois filhos dela, diz que o documentário You Can See Everything nasceu de uma ideia simples: deixar que o público conheça Holmes por conta própria. Em vez de reabrir o processo da Theranos, o filme acompanharia a empresária em momentos cotidianos, sem transformar cada cena numa nova sessão de julgamento.

Em participação no podcast All-In, Evans explicou que Holmes enfrentava uma pena de prisão e não podia falar publicamente sobre o caso. Por isso, segundo ele, o material seria lançado depois desse período, quando ela pudesse se manifestar. A intenção, afirmou, era mostrar quem ela é sem que ela comentasse o processo.

O documentário, dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, acompanha os 34 dias anteriores ao início da prisão de Holmes. É um recorte curto, mas carregado de tensão: a rotina de alguém prestes a cumprir uma sentença de 11 anos e três meses por fraude contra investidores.

Uma história já contada muitas vezes

Evans também argumenta que a versão pública sobre Holmes já está bastante consolidada. A fundadora da Theranos virou personagem de reportagens, livros e produções audiovisuais depois que a promessa de fazer vários exames com poucas gotas de sangue desmoronou. Para ele, o documentário poderia oferecer outra perspectiva, não necessariamente uma resposta definitiva.

A justificativa é pessoal. Evans contou que pessoas próximas reagiam com espanto quando descobriam que ele estava se relacionando com Holmes. A pergunta, segundo ele, era basicamente: você sabe quem ela é? Mas, depois de conviverem com ela em situações comuns, como uma caminhada ou ajudando um amigo, essas pessoas mudavam de opinião.

É aí que a proposta fica mais delicada. Conhecer alguém no cotidiano pode humanizar uma figura pública, mas não apaga o que aconteceu nem substitui a responsabilização. Uma pessoa pode ser atenciosa numa caminhada e ainda ter cometido crimes. As duas coisas cabem na mesma história, por mais desconfortável que isso seja.

O trailer mudou a conversa?

Evans esperava que o público pudesse formar sua própria opinião ao assistir ao filme. Só que a reação ao trailer parece ter seguido na direção oposta. Ele reconheceu que Holmes “parece insana” na prévia e comentou que a música dá ao vídeo um clima quase de terror.

Não é difícil entender por que a divulgação provocou desconfiança. O caso Theranos já tem um peso enorme, e qualquer imagem de Holmes passa pelo filtro de tudo o que veio à tona sobre a empresa. Um documentário pode até buscar um olhar mais íntimo, mas um trailer de poucos minutos não controla a leitura de quem já chega com uma opinião formada.

Também vale separar duas coisas: mostrar uma pessoa em um ambiente natural não significa que o filme vá inocentá-la, assim como uma montagem sombria não prova que a produção seja uma acusação disfarçada. O trailer vende uma atmosfera; o longa é que terá de sustentar o argumento.

O filme vai convencer alguém?

Há um detalhe que deixa a aposta de Evans ainda mais curiosa: ele disse que ainda não assistiu ao documentário. Admitiu, inclusive, que pode acabar achando que participar foi “a coisa mais burra” que fez. Mesmo assim, afirmou que a decisão foi deles e que já passou por experiências intensas o bastante para não entrar em pânico com a repercussão.

Essa sinceridade não resolve a questão central, mas ajuda a entender o risco. Evans quer ampliar a experiência de convivência que diz ter visto acontecer com amigos e familiares. O público, por outro lado, pode encarar o filme como uma tentativa de construir uma imagem mais simpática de Holmes. A diferença entre essas leituras talvez seja justamente o que torna o projeto interessante e controverso.

Por enquanto, You Can See Everything não tem previsão de estreia no Brasil. Quando chegar, a pergunta não será apenas quem Holmes parece ser diante da câmera, mas o que essa intimidade acrescenta a uma história cujo impacto já é conhecido. E, claro, se o filme consegue deixar espaço para nuance sem pedir que a gente esqueça os fatos.

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