Highlander: Tessa sofreu nos bastidores da série cult

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Highlander marcou uma geração, mas as gravações foram uma prova de resistência para Alexandra Vandernoot, a Tessa.

Vancouver em ritmo de imortal

Tem personagem que parece ter nascido para aquele universo. Tessa Noël, vivida por Alexandra Vandernoot, era uma dessas peças importantes de Highlander. Ela dividia a vida com Duncan MacLeod, o imortal interpretado por Adrian Paul, e ajudava a trazer um pouco de humanidade para uma série cheia de espadas, duelos e gente que simplesmente não envelhecia.

Só que, do lado de cá das câmeras, a rotina era bem menos romântica. Em entrevista à rádio francesa Europe 1, Vandernoot contou que as gravações em Vancouver, no Canadá, podiam passar de 18 horas por dia. Uma jornada dessas cansa até um imortal. Para uma atriz mortal, então, dá para entender por que a experiência foi tão pesada.

A produção tinha estrutura confortável para os padrões da época, com trailers espaçosos e limusines para transportar o elenco. Mas luxo no intervalo não faz o relógio andar mais rápido. O ritmo intenso continuava, e a atriz descreveu aquele período como fisicamente exaustivo. A imagem de bastidores de uma série cult nem sempre combina com o glamour que a gente imagina assistindo ao sofá.

Tessa queria mais ação

Havia ainda uma questão criativa. Enquanto Adrian Paul ficava com as sequências de ação e os momentos mais movimentados, Tessa ocupava um lugar mais ligado à vida cotidiana de Duncan. A personagem era essencial para o coração da história, mas isso não significa que a atriz estivesse sempre satisfeita com o que recebia para fazer.

Com o tempo, Vandernoot sentiu que estava ficando entediada. Ela resumiu a diferença de maneira bem direta: Adrian ficava com as partes legais, enquanto ela queria algo além de acompanhar a rotina do herói. E, convenhamos, em uma série chamada Highlander, ver o colega empunhar a espada enquanto você passa longas horas no set pode fazer a aventura parecer um pouco desigual.

Isso não apaga a importância de Tessa. Pelo contrário: a personagem tinha personalidade, trabalho próprio e uma relação com Duncan que não se resumia a ser “a namorada do protagonista”. Ela representava a possibilidade de uma vida comum para alguém condenado a atravessar séculos. É um papel menos explosivo que uma luta de espadas, mas fundamental para dar peso emocional à série.

Uma saída que doeu

Vandernoot decidiu parar, mas não foi uma escolha simples. A atriz contou que quase se arrependeu, o que deixa claro que a decisão vinha acompanhada de sentimentos contraditórios. Não era simplesmente abandonar uma produção querida: era também reconhecer que a rotina e o espaço oferecido à personagem já não funcionavam para ela.

A saída de Tessa foi escrita de forma brutal. Ela morre no quarto episódio da segunda temporada, assassinada por um ladrão junto de Richie Ryan, personagem de Stan Kirsch. Para Duncan, a perda vira uma ferida profunda. Ele pode sobreviver a séculos de combates, mas não consegue impedir que a pessoa que ama seja arrancada de sua vida.

É um daqueles momentos em que Highlander lembra que sua ideia mais interessante não é apenas “só pode haver um”. A imortalidade também significa acumular luto, assistir aos outros envelhecerem e seguir em frente quando tudo o que você queria era voltar no tempo. A morte de Tessa muda o tom da série e deixa Duncan mais solitário, sem transformar a personagem em alguém esquecível.

O legado de Tessa

Mesmo depois da morte, Tessa continuou aparecendo em lembranças e flashbacks. É uma forma de manter sua presença na história e mostrar que ela não foi só um capítulo encerrado na vida de Duncan. Para o público, também ajuda a entender por que a perda pesa tanto: a série construiu entre os dois uma intimidade que não dependia de grandes discursos ou batalhas.

Alexandra Vandernoot participou de 32 episódios de Highlander, e sua Tessa segue entre as figuras mais marcantes da fase televisiva da franquia. A lembrança dos bastidores, porém, é menos épica: jornadas de mais de 18 horas, desgaste físico e uma personagem que deixou a atriz desejando mais ação. Às vezes, a parte mais difícil de uma aventura não é enfrentar um imortal. É sobreviver ao cronograma de filmagem.

Para quem reviu a série nos anos 1990 ou descobriu Duncan MacLeod depois, Tessa continua sendo o contraponto que fazia o herói parecer humano. E talvez seja por isso que sua despedida ainda doa: ela não era só o grande amor de Duncan, mas a lembrança de tudo o que ele nunca poderia manter para sempre.

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