The End of the F*ing World deixa a Netflix em 4 de novembro, depois de oito anos no catálogo.
- Quando a série sai da Netflix?
- Uma fuga com dois protagonistas improváveis
- Curta no tempo, mas longe de ser superficial
- Os 94% têm motivo
- Vale dar o play antes da despedida?
Quando a série sai da Netflix?
Já pode separar um espaço na fila de estreias que você nunca termina: The End of the F*ing World será removida da Netflix no dia 4 de novembro. A série britânica chegou à plataforma em 2018 e, desde então, encontrou público no mundo todo com uma história tão torta quanto cativante.
A notícia não significa que a produção foi cancelada agora. A trama terminou em 2019, com duas temporadas e 16 episódios. O que acaba em novembro é a licença de exibição da Netflix, não a história de James e Alyssa.
Uma fuga com dois protagonistas improváveis
James, interpretado por Alex Lawther, tem 17 anos e está convencido de que é um psicopata. Alyssa, vivida por Jessica Barden, é uma adolescente rebelde que quer escapar de uma vida familiar que parece sufocá-la. Quando os dois fogem juntos, a viagem logo sai do roteiro de qualquer aventura adolescente convencional.
Há violência, decisões questionáveis e um humor sombrio que não pede licença. Mas, por baixo da pose de quem não liga para nada, a série acompanha dois jovens tentando entender o que sentem e como encontrar algum lugar no mundo. O romance não aparece embalado em trilha açucarada: ele cresce entre silêncios esquisitos, conflitos e situações que beiram o absurdo.
Curta no tempo, mas longe de ser superficial
Os episódios têm cerca de 20 minutos, e esse formato enxuto é uma das melhores escolhas da produção. A narrativa anda sem enrolar e deixa espaço para os personagens respirarem. Em vez de esticar uma ideia boa até ela pedir socorro, a série conta o que precisa e segue em frente.
Essa agilidade também combina com a energia dos protagonistas. James e Alyssa não são adolescentes genéricos esperando uma grande lição de vida; são pessoas contraditórias, às vezes irritantes e muitas vezes vulneráveis. A série consegue rir do desconforto sem transformar a dor deles em piada fácil, um equilíbrio que nem todo drama adolescente acerta.
Os 94% têm motivo
No Rotten Tomatoes, The End of the F*ing World acumula 94% de aprovação da crítica. O número ajuda a explicar por que a série virou uma espécie de queridinha cult, mas não é só a mistura de comédia sombria e romance que sustenta a reputação. As atuações de Lawther e Barden dão personalidade a uma dupla que poderia facilmente virar apenas uma coleção de esquisitices.
A criação de Charlie Covell também foge do caminho mais previsível. A história não tenta transformar cada capítulo em uma lição edificante nem trata seus personagens como modelos de comportamento. É justamente essa franqueza, junto de diálogos secos e momentos genuinamente emocionais, que faz a série continuar marcante anos depois de seu lançamento.
Embora tenha sido apresentada internacionalmente como uma produção original da Netflix, a série pertence ao Channel 4, emissora britânica responsável por sua produção. A plataforma obteve direitos de distribuição por tempo limitado e não renovou o acordo. É uma daquelas situações em que o selo de “original” no streaming não quer dizer que a obra seja propriedade do serviço.
Vale dar o play antes da despedida?
Se você ainda não assistiu, os 16 episódios cabem bem em alguns dias de maratona, sem exigir que a vida real seja colocada em pausa por uma semana. E, para quem já conhece a dupla, a saída é um bom pretexto para revisitar uma série que sabe ser engraçada, incômoda e sentimental sem perder a própria identidade.
Depois de 4 de novembro, a Netflix deixa de ser uma opção para acompanhar a jornada de James e Alyssa. Ainda não há informação sobre onde a série poderá ser vista em seguida, então, se ela está na sua lista há tempos, talvez seja hora de parar de tratar o “depois eu vejo” como um plano infalível.
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