The People vs. Gorilla Grodd: a DC vai rir de si mesma?

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

The People vs. Gorilla Grodd troca o clima policial de Lanternas por uma comédia sobre um gorila telepata e um caso suspeito.

Um gorila no centro do caso

A próxima série da DC para a HBO Max parece ter escolhido um protagonista que não costuma aparecer em reuniões de pauta: Gorilla Grodd, o vilão telepata de aparência simiesca que já enfrentou o Flash nos quadrinhos. Em The People vs. Gorilla Grodd, porém, ele estará no centro da história, não apenas como ameaça a ser derrotada.

A trama acompanhará funcionários do Planeta Diário, o jornal de Metrópolis, enquanto tentam provar a inocência de Grodd em um caso antigo. A produção foi anunciada como um falso documentário criminal, formato que combina depoimentos, investigação e aquele jeitão de equipe tentando montar um quebra-cabeça diante das câmeras.

Jimmy Tatro, conhecido por trabalhos de comédia, interpretará o gorila. É uma escalação que sinaliza bem a proposta: em vez de tratar Grodd como um vilão sombrio que fala com a testa franzida, a série quer explorar o absurdo de um primata telepata envolvido num caso que parece saído de um tabloide de Metrópolis.

Do suspense ao falso documentário

A mudança de tom fica ainda mais evidente quando colocamos a série ao lado de Lanternas. A aventura de John Stewart, vivido por Aaron Pierre, e Hal Jordan, interpretado por Kyle Chandler, aposta em uma investigação com atmosfera de drama policial e suspense. A inspiração em produções como True Detective ajuda a entender a escolha por uma abordagem mais pé no chão.

Essa direção tem seus méritos: personagens podem respirar e a relação entre os dois Lanternas ganha espaço. Mas também existe um risco, e fãs já apontaram: se a história deixa de lado o lado cósmico e fantástico dos Anéis de Poder, pode acabar parecendo um policial que por acaso tem super-heróis no elenco. A DC aparentemente ouviu essa conversa e agora vai na direção oposta, sem medo de abraçar o estranho.

Falso documentário também é uma ferramenta esperta para uma comédia assim. O formato permite tratar acontecimentos ridículos com seriedade absoluta, e poucas coisas são mais engraçadas do que uma equipe jornalística tentando manter a compostura diante de um gorila telepata. É quase como se o Planeta Diário resolvesse fazer um especial de crime real sobre um caso que ninguém acreditaria fora de Metrópolis.

Grodd é uma escolha deliciosamente estranha

Grodd não é uma escolha óbvia para carregar uma série, e justamente por isso pode funcionar. Ele pertence àquela prateleira da DC em que a imaginação não pede licença: poderes mentais, planos grandiosos e um visual de gorila vestido para dominar o mundo. Quando uma adaptação tenta deixar tudo “realista”, esse tipo de personagem pode perder a graça. Aqui, a promessa é fazer o contrário.

Isso não significa que a série precise transformar Grodd numa piada ambulante. O humor pode nascer do contraste entre a seriedade do formato policial e a situação extraordinária, sem reduzir o personagem a uma sequência de caretas. A diferença entre uma ideia divertida e uma série cansativa provavelmente estará no ritmo e na capacidade de construir um mistério que sustente a brincadeira.

Também há um detalhe simpático na escolha do Planeta Diário como ponto de vista. Em vez de começar com uma equipe de super-heróis, a história coloca jornalistas na linha de frente. Isso abre espaço para perguntas bem mundanas e divertidas: como se entrevista alguém capaz de entrar na sua mente? E como se escreve uma manchete sobre isso sem perder a credibilidade?

A DC quer mais de um tom

A estratégia combina com a proposta de James Gunn para o universo da DC: projetos conectados, mas sem a obrigação de parecerem todos capítulos do mesmo filme. Superman, Comando das Criaturas e Pacificador já apontam para identidades diferentes. Se cada história encontra o tom certo para seus personagens, a variedade vira força; se tudo precisa seguir uma fórmula única, até um gorila telepata acaba preso no mesmo uniforme narrativo.

Enquanto isso, John Stewart continua nos planos da franquia, com aparição prevista em Man of Tomorrow, filme programado para 2027. Já The People vs. Gorilla Grodd ainda não tem data de estreia anunciada. Por enquanto, a grande aposta é simples e promissora: depois do policial espacial sério, vem um falso documentário criminal sobre um vilão que lê mentes.

Eu gosto da ousadia. A DC não precisa escolher entre anéis cósmicos e piadas sobre burocracia jornalística. Pode fazer as duas coisas, desde que saiba por que cada história está usando aquele tom. E, convenhamos, acompanhar repórteres tentando provar a inocência de Gorilla Grodd tem potencial para ser a pauta mais maluca do Planeta Diário desde sempre.

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver Livro Ainda Estou Aqui Marcelo Rubens Paiva na Amazon