Se você procura terror aclamado pela crítica, estas quatro produções da Netflix mostram que medo também pode vir acompanhado de boas ideias.
- Por que essas histórias se destacam?
- Creep 2 transforma a entrevista em armadilha
- Disappear Completely apaga os sentidos
- A Queda da Casa de Usher serve horror com veneno
- O Gabinete de Curiosidades é um buffet macabro
Por que essas histórias se destacam?
Terror é aquele gênero que muita gente adora assistir de luz acesa e depois finge que não se assustou. Mas, além de sustos e criaturas, há filmes e séries que usam o medo para falar de culpa, ambição, ética e até da nossa relação com a própria imagem. É aí que estas escolhas ganham força: cada uma encontra um jeito diferente de deixar a gente desconfortável.
A seleção mistura formatos e estilos, então não espere quatro variações da mesma casa mal-assombrada. Tem suspense de baixo orçamento que brinca com a intimidade, terror sobrenatural mexicano, uma minissérie gótica e uma antologia para quem gosta de histórias fechadinhas. A disponibilidade pode mudar conforme a região e o catálogo da Netflix.
Creep 2 transforma a entrevista em armadilha
Em Creep 2, Sara é uma criadora de vídeos que aceita acompanhar Aaron, um homem que se apresenta como assassino, até uma cabana isolada. A proposta parece simples: registrar um documentário sobre a vida dele. O detalhe, claro, é que o entrevistado não esconde exatamente o perigo que representa.
O que torna a premissa tão divertida e perturbadora é o jogo de poder entre os dois. Sara não chega como vítima distraída de filme de terror; ela acredita que consegue transformar a situação em conteúdo para o canal. Aaron, por sua vez, parece estar sempre testando os limites dela. É como assistir a uma entrevista em que o convidado decidiu que a pauta é assustar a apresentadora.
A continuação de Creep, lançada em 2017, aposta na tensão e no desconforto mais do que em sustos barulhentos. Se você gosta de terror com personagens imprevisíveis e uma boa dose de humor esquisito, vale colocar na lista.
Disappear Completely apaga os sentidos
O terror sobrenatural mexicano Disappear Completely acompanha Santiago, um fotojornalista disposto a vender imagens para quem pagar melhor. Depois de fotografar uma cena de crime ligada a uma figura política, ele começa a perder os cinco sentidos, um por um.
A premissa já dá um arrepio bem específico: imagine não poder confiar na visão, no tato ou na audição enquanto tenta entender o que está acontecendo. O filme transforma essa perda gradual em uma crise física e psicológica, enquanto deixa no ar uma pergunta incômoda: Santiago está sendo punido por sua falta de escrúpulos ou existe algo sobrenatural por trás disso?
É uma boa pedida para quem prefere um medo que cresce devagar e deixa espaço para interpretações. E a profissão do protagonista acrescenta uma camada interessante: ele passou a vida observando o sofrimento alheio por meio da câmera. Agora, o próprio corpo vira o lugar onde a realidade começa a falhar.
A Queda da Casa de Usher serve horror com veneno
Mike Flanagan, nome conhecido entre fãs do terror, adapta o imaginário de Edgar Allan Poe nesta minissérie de oito episódios. No centro da história estão os irmãos Roderick e Madeline Usher, que construíram um império farmacêutico sem demonstrar muita preocupação com as pessoas deixadas para trás.
Quando os herdeiros de Roderick começam a morrer em circunstâncias grotescas, uma mulher misteriosa ligada ao passado da família força os irmãos a encarar as consequências de suas escolhas. A série combina tragédia familiar, elementos góticos e mortes inventivas, mas seu alvo não é só provocar sustos: também aponta o dedo para a ganância e a impunidade.
É o tipo de história em que uma família rica reúne todos para um grande jantar e você já sabe que a sobremesa vai ser culpa, segredo e provavelmente alguma coisa muito pior. O elenco, com Carla Gugino entre os destaques, ajuda a manter a tensão até o fim.
O Gabinete de Curiosidades é um buffet macabro
Apresentada por Guillermo del Toro, O Gabinete de Curiosidades reúne oito histórias de terror, cada uma conduzida por uma equipe diferente. O resultado lembra uma antologia de contos sombrios, com episódios que variam de tom e de criatura. Bom para quem quer experimentar algo novo sem assumir o compromisso de começar uma série longa.
Entre as tramas, há um veterano de guerra tentando invocar um demônio e uma versão nada acolhedora da clássica casa assombrada. O charme está justamente nessa variedade: um episódio pode apostar no grotesco, enquanto o seguinte prefere construir um clima de paranoia. Del Toro apresenta os contos com a calma de quem sabe que a gente já está desconfiado de cada porta no cenário.
Se a sua noite pede horror para todos os gostos, esta antologia é a escolha mais versátil do grupo. Já para uma história mais longa, com personagens e consequências acumulando camada por camada, A Queda da Casa de Usher leva vantagem. Seja qual for o play, talvez deixe a luz do corredor acesa. Só por garantia.
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