Público de cinema em 2026 já supera todo 2025

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O público de cinema em 2026 no Brasil já passou o total registrado durante todo o ano passado, e ainda faltam dez semanas para dezembro acabar.

A marca caiu antes do fim do ano

O cinema brasileiro está vivendo um ano de salas cheias, mas vale separar os conceitos antes de comemorar: os números são do público total das salas de cinema no Brasil, considerando filmes nacionais e internacionais. Não significam que as produções brasileiras, sozinhas, já superaram a bilheteria de 2025.

Segundo dados do Filme B, o acumulado de 2026 chegou a 116,5 milhões de espectadores na cine-semana de 15 a 21 de outubro. Em todo o ano passado, foram 115,5 milhões. A virada aconteceu no sábado, dia 17, com pouco mais de um milhão de ingressos de vantagem e dez semanas ainda no calendário.

É uma marca importante porque não foi alcançada no apagar das luzes, em plena temporada de férias ou depois de uma maratona de estreias de dezembro. Outubro ainda nem tinha terminado e o público anual já havia passado o resultado de 2025. Tem jogo pela frente, como diria qualquer torcedor que viu o time virar no segundo tempo.

Mais ingressos e mais dinheiro

A arrecadação também já tinha ultrapassado o total do ano anterior algumas semanas antes, na cine-semana iniciada em 24 de setembro. Até o período mais recente contabilizado, a bilheteria somava R$ 2,51 bilhões, contra R$ 2,33 bilhões em todo 2025. Isso representa alta de 7,7% na comparação dos totais anuais.

O recorte equivalente entre os dois anos mostra uma aceleração mais forte: em relação ao mesmo período de 2025, o público cresceu 20,6% e a renda, 29,9%. O faturamento avançar mais depressa que a quantidade de ingressos é um lembrete de que público e dinheiro não são a mesma métrica. O preço médio da entrada também entra nessa conta, como dá para notar nos resultados da semana.

Claro que o acumulado não conta sozinho a história inteira. Ele mostra a força do conjunto, mas não revela se o crescimento está espalhado por muitos títulos ou concentrado em alguns fenômenos. Para entender o humor das salas, vale olhar também para o que aconteceu na programação mais recente.

O que moveu a bilheteria da semana

Street Fighter liderou em público, com 331,2 mil espectadores em 727 cinemas e R$ 7,29 milhões arrecadados. O longa ainda registrou a melhor média de público por sala entre os vinte filmes mais vistos. Para uma adaptação de videogame, é um começo que mostra que a nostalgia e uma marca conhecida continuam sendo bons combos na bilheteria.

Já Verity ficou em primeiro lugar em renda, apesar de ter levado 316 mil pessoas às salas. O suspense arrecadou R$ 7,59 milhões, acima dos R$ 7,29 milhões de Street Fighter, em parte porque seu ingresso médio custou R$ 24,01, contra R$ 22,01 do concorrente. O filme também passou de dois milhões de espectadores no acumulado.

Entre os títulos nacionais, Minha melhor amiga permaneceu em terceiro lugar e chegou a R$ 105,5 milhões. O próximo alvo na lista de maiores públicos brasileiros desde 2000 é Nada a perder – Parte 2, que está a cerca de 200 mil ingressos de distância. Já a estreia de Dentro da baleia abriu em quinto, com 91,2 mil espectadores.

A semana, no geral, teve 1,55 milhão de ingressos vendidos e R$ 33,7 milhões em renda. O resultado caiu em relação à semana anterior, algo esperado depois do feriado de Nossa Senhora Aparecida e do Dia das Crianças, que tinham impulsionado o período anterior. Ainda assim, a queda foi a maior desde o fim de março, um lembrete de que a bilheteria não sobe em linha reta.

Um recorde que pede contexto

Passar o total de 2025 antes do fim do ano é uma notícia animadora para a frequência nos cinemas. Mas a manchete precisa ser lida com precisão: estamos falando do público de todas as salas brasileiras, não exclusivamente de filmes feitos no Brasil. A distinção não diminui o resultado; só evita colocar no cinema nacional um recorde que pertence ao mercado exibidor como um todo.

O dado mais interessante agora é o que vem pela frente. Com semanas de lançamentos ainda no calendário, 2026 tem espaço para ampliar a diferença e fechar em alta. Para quem gosta de ver sala cheia, a temporada está entregando um bom espetáculo. E, como em qualquer saga longa, o capítulo final ainda não chegou.

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