Dawn of War IV: a estratégia voltou a fazer barulho

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Warhammer 40K: Dawn of War IV aposta em batalhas grandiosas para provar que estratégia em tempo real ainda tem muito a oferecer.

O gênero ainda tem força?

Estratégia em tempo real já não ocupa o centro das conversas como nos tempos de Age of Empires e Command & Conquer. Mas basta uma boa guerra para lembrar por que esse gênero continua tão gostoso: cada decisão importa, o mapa vira um tabuleiro vivo e um erro de cálculo pode transformar sua base numa lembrança em chamas.

É nesse terreno que Warhammer 40K: Dawn of War IV parece querer fincar a bandeira. A prévia da campanha mostra uma sequência que preserva a identidade da série, com disputa por pontos de controle gerando recursos, esquadrões de heróis e tropas que evoluem com a experiência. Em vez de mandar trabalhadores catar minério enquanto a batalha espera, o jogo parece preferir que a gente encare logo o problema: tem inimigo no mapa e ele não veio pedir licença.

O resultado, pelo que foi apresentado, é uma partida que mantém a ação andando sem abrir mão das decisões táticas. A promessa não é reinventar a roda, mas dar à roda um motor barulhento, cheio de tanques e gritos de guerra.

Três facções, três jeitos de brigar

O ponto mais empolgante é como as facções mudam o ritmo da partida. Os Orcs, liderados por Gorgutz e Guzcutta, apostam na quantidade: unidades baratas, esquadrões numerosos e pressão constante. É a versão intergaláctica de jogar a mesa inteira de uma vez e torcer para o adversário não ter espaço para respirar.

A mecânica WAAAGH recompensa a criação de tropas, a destruição de inimigos e a construção de bandeiras. Quanto mais ela cresce, mais unidades e opções ficam disponíveis. E a campanha ainda deixa o jogador escolher qual dos dois líderes apoiar, com missões opcionais ligadas às decisões. Uma disputa interna entre Orcs é exatamente o tipo de caos que faz sentido para a facção.

Já os Adeptus Mechanicus pedem paciência. Suas estruturas se conectam pela Noosphere, uma rede que oferece bônus defensivos e reduz custos conforme a base se expande. O plano é construir com cabeça, reforçar posições e só então avançar com unidades resistentes, incluindo tanques e robôs gigantes. Para quem gosta de transformar a base numa fortaleza, parece um prato cheio.

Estratégia no meio do caos

Mesmo com exércitos enormes na tela, Dawn of War IV tenta colocar decisões pequenas no centro da briga. As unidades podem receber configurações diferentes de armamento: um esquadrão pode ganhar força contra grupos, por exemplo, mas perder alcance. Parece detalhe até o momento em que uma escolha ruim deixa seu pelotão sendo desmontado antes de chegar perto do alvo.

Esse tipo de customização combina com a proposta de reduzir o tempo gasto em tarefas de coleta e concentrar a atenção no combate. Não significa que o jogo vai jogar sozinho, claro. Significa que a pergunta tende a ser menos “quem está minerando?” e mais “por que eu mandei essa tropa para lá sem cobertura?”. Um clássico da estratégia, só que com mais metal e menos dignidade.

As batalhas também parecem apostar na escala e na variedade visual. Tropas de combate corpo a corpo se espalham pelo campo e duelam entre si, em vez de formar um amontoado de soldados repetindo a mesma animação. O modo foto permite aproximar a câmera e acompanhar esses confrontos de perto. É um capricho, mas ajuda a vender a sensação de que existe uma guerra acontecendo, não apenas peças se batendo numa tela.

Uma porta de entrada para Warhammer

O universo de Warhammer 40.000 é gigantesco e pode parecer uma prova surpresa para quem chega sem conhecer facções, guerras e nomes que parecem ter sido inventados durante uma reunião de generais muito cansados. A campanha, porém, apresenta os conflitos por meio dos personagens e dos objetivos de cada grupo, sem exigir que o jogador já tenha lido uma estante de romances.

As histórias dos Orcs e dos Adeptus Mechanicus ajudam a dar personalidade às facções, enquanto a presença dos Necrons abre outra frente de curiosidade. Eles retornam à franquia depois de terem sido apresentados no primeiro Dawn of War, e a campanha deles é uma das partes que ainda despertam perguntas. Para veteranos, há rostos e referências familiares; para novatos, existe espaço para descobrir por que todo mundo está tão empenhado em transformar o planeta num campo de batalha.

O Império ainda tem batalha pela frente

Uma prévia não é o jogo completo, então vale guardar um pouco de cautela antes de declarar vitória. Ainda assim, Dawn of War IV parece entender o que torna a estratégia em tempo real especial: decisões claras, facções com identidades próprias e batalhas que podem sair do controle num piscar de olhos.

Se o ritmo apresentado se mantiver na versão final, o retorno pode ser exatamente o que fãs do gênero estavam esperando: menos tempo cuidando de planilhas imaginárias e mais tempo tentando impedir que um robô gigante atravesse sua linha de defesa. O lançamento está previsto para 3 de dezembro, exclusivamente para PC. Até lá, a guerra continua no campo das expectativas. E, convenhamos, em Warhammer isso já é uma forma de combate.

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