O Bosque Selvagem: por que Travis Knight quis filmá-lo

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O Bosque Selvagem conquistou Travis Knight por misturar fantasia clássica, personalidade própria e uma história que mexeu com o diretor.

Uma fantasia com alma

Tem livro que parece ter sido escrito para virar filme. E tem livro que, além de pedir uma adaptação, deixa bem claro que não vai facilitar a vida de quem tentar fazê-la. Para Travis Knight, O Bosque Selvagem era as duas coisas ao mesmo tempo.

Em entrevista ao DiscussingFilm, o diretor contou que leu a obra de Colin Meloy cerca de 16 anos atrás. O que o fisgou foi a sensação de estar diante de uma fantasia com o fôlego das histórias clássicas que ele sempre admirou, como as de Tolkien, C.S. Lewis e Frank Baum.

Mas não se trata de uma cópia nostálgica dessas referências. Knight também se encantou com a voz particular de Meloy, músico e escritor de Portland. É aquela combinação boa de familiaridade e esquisitice: a gente reconhece o tipo de aventura, mas percebe que ela está seguindo suas próprias regras.

Portland também faz parte da aventura

A conexão com Portland foi outro motivo importante. A história se passa na cidade, que também é a terra natal de Knight e onde fica o estúdio do cineasta. Isso dá à adaptação um vínculo que vai além de escolher um cenário bonito para a câmera: há uma proximidade pessoal entre o diretor e o lugar que existe dentro do livro.

Esse detalhe ajuda a entender por que O Bosque Selvagem chamou tanto sua atenção. Para Knight, a fantasia não era apenas um mundo distante, cheio de criaturas e perigos. Ela também carregava algo do cotidiano e da identidade de uma cidade real. É uma mistura que pode deixar a aventura mais acolhedora, mesmo quando a floresta está cheia de ameaças.

O desafio de levar o livro ao cinema

O entusiasmo, porém, veio acompanhado de um problema bem concreto: Knight não fazia ideia de como transformar aquela história em filme. E dá para entender. Adaptar um universo fantástico exige mais do que colocar criaturas curiosas na tela e torcer para que a magia aconteça. É preciso encontrar uma forma visual para o mundo sem perder o que faz o livro funcionar.

O diretor disse que essa dificuldade era enorme, mas apontou a emoção como aquilo que o manteve avançando. Para mim, esse é o tipo de bússola que faz diferença numa adaptação. Quando a produção se preocupa só em reproduzir acontecimentos, corre o risco de entregar um álbum de figurinhas em movimento. O coração da história precisa sobreviver à mudança de formato.

O filme será feito em stop-motion, uma escolha que combina com a ideia de construir um mundo fantástico com textura e presença. Não é uma técnica que deixa tudo mais fácil, claro. Cada detalhe exige trabalho, mas essa materialidade pode dar às criaturas e aos cenários uma personalidade que o computador nem sempre entrega do mesmo jeito.

Uma jornada que começa em família

A trama acompanha Prue McKeel, uma adolescente que entra em uma floresta proibida nos arredores de Portland depois que seu irmão mais novo, Mac, é levado por corvos. Ao lado do colega Curtis, ela parte em busca do garoto e encontra uma região habitada por animais falantes, criminosos e figuras poderosas.

A premissa tem a estrutura de uma grande aventura, mas começa por um motivo íntimo: uma irmã tentando encontrar o irmão. É um ponto de partida eficiente porque faz o mundo fantástico importar antes mesmo de apresentar suas regras. A floresta pode ser imensa, mas o que move Prue é uma preocupação que qualquer pessoa entende.

O elenco reúne Angela Bassett, Peyton Elizabeth Lee, Jacob Tremblay, Carey Mulligan, Mahershala Ali, Awkwafina, Jake Johnson, Charlie Day e Amandla Stenberg. Com essa turma, o filme tem bastante talento para dar voz aos personagens que cruzam o caminho de Prue e Curtis.

Quando a floresta abre as portas

Com roteiro de Chris Butler e direção de Knight, a adaptação aposta em uma combinação promissora: fantasia épica, cenário ligado à vida do diretor e emoção como ponto de apoio. Isso não garante que cada fã do livro vá aprovar cada escolha, mas ajuda a explicar por que Knight aceitou encarar um projeto que ele próprio considerava complicado demais.

O Bosque Selvagem chega aos cinemas brasileiros em 29 de outubro. Até lá, fica a curiosidade de descobrir como essa floresta vai ganhar vida em stop-motion. Se o filme conseguir preservar a estranheza particular de Meloy sem esquecer o vínculo entre Prue e Mac, já terá encontrado um caminho tão importante quanto qualquer mapa mágico.

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