Coyote vs. Acme no Oscar 2027: a corrida começou

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Coyote vs. Acme no Oscar 2027 já é elegível na categoria de Melhor Filme de Animação. Sim, o Papa-Léguas pode cruzar a linha de chegada da Academia.

Elegível não é indicado

A Academia confirmou que Coyote vs. Acme poderá disputar uma vaga entre os indicados a Melhor Filme de Animação no Oscar 2027. A decisão encerra uma dúvida que rondava o projeto: em agosto, uma fonte ligada à produção havia dito que o longa não seria inscrito por não atingir a exigência de que 75% da duração fosse animada. Depois, a informação mudou, e o filme foi considerado elegível.

Vale separar as coisas antes de sair comemorando como se o Coiote já tivesse ganhado uma estatueta. Elegibilidade significa que o filme pode entrar na disputa. A indicação ainda depende da votação dos membros da Academia, e a vitória é outra conversa. Por enquanto, o personagem finalmente ganhou uma chance de correr atrás do Oscar sem uma bigorna despencando em cima dele.

O filme é dirigido por Dave Green e escrito por Samy Burch. A mistura de animação com atores reais também coloca uma questão curiosa na mesa: como a Academia vai receber uma produção que não cabe direitinho em uma caixinha só?

Uma corrida de peso

Se a disputa já tem cara de corrida apertada, Coyote vs. Acme chega para bagunçar o pelotão. Entre os títulos que aparecem como concorrentes de peso estão Toy Story 5, da Pixar, e O Bosque Selvagem, da Laika. Dois nomes conhecidos, com estilos bem diferentes, e agora um clássico da Warner disposto a entrar na conversa.

A Laika costuma apostar em animação artesanal e visual marcante. A Pixar chega com uma franquia que já tem história com o Oscar. Já o longa do Coiote carrega o apelo dos Looney Tunes e a curiosidade de ver esses personagens em uma trama que satiriza o próprio mundo corporativo de Hollywood. Não é pouca coisa para uma categoria que, às vezes, parece ter a lista de favoritos pronta antes mesmo da campanha começar.

Mas prestígio e nostalgia não garantem vaga. O filme ainda precisa conquistar os votantes, e ser elegível não significa que a campanha já esteja ganha. Ainda assim, a presença de um híbrido com uma história tão incomum deve deixar a corrida mais interessante.

O peso da mistura

Caso consiga a indicação, Coyote vs. Acme será apenas o segundo híbrido de live-action e animação a concorrer nessa categoria nos últimos 25 anos. O precedente mais recente é Marcel, a Concha de Sapatos, indicado em 2022. Para os Looney Tunes, seria um marco: filmes como Looney Tunes: De Volta à Ação e Looney Tunes: O Dia em que a Terra Explodiu não conseguiram entrar na disputa.

Antes de existir uma categoria específica para animação, a Academia já reconhecia produções que misturavam atores e desenhos. Mary Poppins, por exemplo, recebeu 13 indicações, incluindo Melhor Filme. Uma Cilada para Roger Rabbit somou seis indicações e quatro vitórias. São exemplos que mostram que essa mistura não é novidade, embora hoje tenha uma porta própria para tentar atravessar.

Também há uma diferença importante entre o filme ser híbrido e a Academia aceitar sua classificação como animação. A regra de duração é justamente o tipo de detalhe técnico que pode mudar o rumo de uma campanha antes mesmo de a votação começar. A confirmação de elegibilidade resolve esse obstáculo, mas não elimina a necessidade de convencer os eleitores de que o longa merece estar entre os finalistas.

A história que virou campanha

A trajetória até aqui parece roteiro de uma perseguição do Coiote, só que com executivos no lugar do Papa-Léguas. Em 2023, David Zaslav, então à frente da Warner Bros. Discovery, engavetou o lançamento. A Ketchup Entertainment resgatou o filme por cerca de US$ 50 milhões, e a repercussão em torno desse resgate ajudou a criar uma narrativa própria para o projeto.

Depois da estreia em agosto, o longa arrecadou cerca de US$ 100 milhões mundialmente. A trama, que brinca com a consolidação corporativa em Hollywood, pode dar ainda mais combustível à campanha. É fácil imaginar parte dos votantes se identificando com uma história sobre um personagem tentando enfrentar uma empresa muito maior que ele. Para quem acompanha as decisões de bastidor da indústria, a piada tem um alvo bem visível.

A morte de Eric Bauza, dublador do Papa-Léguas no filme e conhecido também por dar voz a personagens como Pernalonga e Patolino, acrescenta uma camada triste a esse momento. O reconhecimento do projeto não apaga essa perda, mas torna a possibilidade de ver os Looney Tunes na disputa ainda mais simbólica.

Agora, resta saber se o filme vai transformar elegibilidade em indicação. O Oscar adora uma campanha com história de superação, mas também tem uma categoria cheia de concorrentes fortes. Pelo menos desta vez, o Coiote chegou à linha de partida. E, convenhamos, só isso já é um feito maior do que muitas das suas invenções com dinamite.

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