Os vencedores da Mostra SP colocaram o cinema latino-americano no centro da festa da 50ª edição.
- América Latina em destaque
- Os prêmios do júri oficial
- Público, crítica e prêmios especiais
- Uma edição para entrar na história
América Latina em destaque
A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo encerrou sua programação na quinta-feira, 29 de outubro, com uma noite de premiação no Teatro Cultura Artística. Entre os destaques, dois títulos latino-americanos saíram com motivos de sobra para comemorar: o colombiano Cinco Anos, Quatro Meses e o mexicano Chicas Tristes.
O primeiro, dirigido por Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, foi escolhido como melhor ficção da Competição Novos Diretores pelo júri oficial. Já Chicas Tristes, de Fernanda Tovar, garantiu à realizadora o prêmio de direção. E não parou aí: o filme também foi reconhecido pelo júri da crítica, reforçando sua presença entre os títulos mais comentados da premiação.
É uma combinação que dá gosto de ver. Em vez de concentrar todos os holofotes em um único tipo de cinema, a seleção de premiados abriu espaço para diferentes países e olhares. Para quem costuma acompanhar as grandes premiações de Hollywood, vale lembrar: festivais como a Mostra também ajudam a descobrir cineastas que ainda não viraram nomes familiares, mas podem muito bem aparecer no radar de todo mundo depois.
Os prêmios do júri oficial
O júri da Competição Novos Diretores reuniu o estadunidense Boots Riley, o iraniano Ali Asgari, o colombiano Cesar Augusto Acevedo e a brasileira Laís Bodanzky. Além do prêmio para Cinco Anos, Quatro Meses e da distinção de direção para Fernanda Tovar, a seleção reconheceu trabalhos de outros países e formatos.
- Melhor ficção: Cinco Anos, Quatro Meses, de Esteban Hoyos García e Juan Miguel Gelacio, da Colômbia.
- Melhor documentário: O Beija-Flor Pinta Canções Perfumadas, de Matteo Norzi e Èlia Gasull Balada, do Peru.
- Prêmio de direção: Fernanda Tovar, por Chicas Tristes, do México.
- Prêmio especial: Edward Said: Entre Mundos, de Maiken Baird.
O documentário peruano ainda teve uma noite especialmente forte: além da escolha do júri oficial, foi o favorito do público na categoria de melhor documentário internacional. Quando crítica, júri e audiência se aproximam de um mesmo filme, fica difícil não querer descobrir o que ele tem de tão especial.
Público, crítica e prêmios especiais
Na votação popular, Feito Pipa, de Allan Deberton, e 100 Dias, de Carlos Saldanha, venceram como melhores ficções brasileiras. Fernanda, de Pedro Waddington, levou o prêmio de documentário brasileiro. Entre os internacionais, o público escolheu O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi, como melhor ficção.
Na seleção da crítica, Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco, foi premiado entre os filmes brasileiros, enquanto Chicas Tristes recebeu reconhecimento na categoria internacional. A lista também incluiu prêmios ligados a iniciativas parceiras: Talismã, de Thais Fujinaga, venceu o Prêmio Netflix; A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr., ficou com o Prêmio Paradiso; e O Julgamento de Hein, de Kai Stänicke, levou o Prêmio BRADA de direção de arte.
O Prêmio Prisma Queer reconheceu Eu Planto Minha Mão no Jardim, de Boris Hadžija e Hoda Taheri, como melhor filme internacional, e London, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, como melhor filme brasileiro. O prêmio especial do júri foi para A Paixão Segundo G.H.B., de Gustavo Vinagre e Viva Couto.
Uma edição para entrar na história
Chegar à 50ª edição já é um marco e os números ajudam a entender a dimensão da Mostra: foram 394 títulos de mais de 90 países, exibidos em 57 salas de cinema, espaços culturais e CEUs da capital paulista, entre 15 e 29 de outubro. Os números e a relação de premiados foram conferidos na cobertura do Omelete sobre os vencedores da Mostra. A cerimônia de encerramento foi seguida pela sessão do documentário Tudo Pode Ser Visto, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim.
A programação também homenageou nomes importantes do cinema. James Gray, S.S. Rajamouli e o produtor português Paulo Branco receberam o Prêmio Leon Cakoff. O diretor Marco Bechis foi agraciado com o Prêmio Humanidade. Não é pouca coisa para uma edição que terminou com o cinema latino-americano em evidência e um cardápio de premiados que atravessa ficção, documentário e diferentes perspectivas. Agora fica a torcida para que esses filmes encontrem mais salas e mais espectadores depois da festa.
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