A Feira do Livro de Porto Alegre abre espaço para animes, mangás, quadrinhos, RPG e fantasia em uma parceria inédita com o Anime Xtreme.
- Quando livros e cultura geek dividem a mesma mesa
- Autores, quadrinistas e criadores no centro da programação
- O que rola nos dias 1º e 2 de novembro
- Uma porta de entrada para novos leitores
Quando livros e cultura geek dividem a mesma mesa
Tem gente que chega à leitura por um romance clássico. Tem gente que começa por um mangá, uma HQ, um livro-jogo ou pelo desejo de descobrir como funciona o mundo de uma campanha de RPG. E está tudo certo: a porta de entrada não precisa ser a mesma para todo mundo.
É nessa mistura que aposta a programação especial do Anime Xtreme na 72ª Feira do Livro de Porto Alegre. Pela primeira vez, a feira recebe uma agenda feita em parceria com um dos grandes eventos de cultura pop do Sul, com atividades na Praça da Alfândega nos dias 1º e 2 de novembro de 2026.
A iniciativa aproxima literatura de animes, fantasia, ficção científica, quadrinhos e jogos. Na prática, não é uma tentativa de disfarçar livro com cosplay para parecer moderno. É reconhecer que essas linguagens já conversam faz tempo e que muitas histórias começam a fisgar leitores bem antes de alguém abrir um romance de centenas de páginas.
Autores, quadrinistas e criadores no centro da programação
A lista de convidados passeia por diferentes jeitos de contar histórias. Duda Falcão, escritor e roteirista ligado à fantasia, ao horror e à ficção científica, participa ao lado de Gelson Weschenfelder, pesquisador que estuda super-heróis, educação e cultura pop. Uma combinação interessante para quem gosta tanto de mundos imaginários quanto de discutir o que eles dizem sobre o nosso.
Também estará por lá Athos Beuren, referência brasileira em livros-jogos. Nesse formato, o leitor não fica apenas acompanhando a aventura: toma decisões que podem mudar o rumo da narrativa. É quase como jogar uma campanha solo, só que com páginas, escolhas e a possibilidade de voltar atrás para descobrir outro caminho.
Nas HQs, a programação reúne Gustavo Borges, autor de graphic novels premiadas e trabalhos para a Turma da Mônica; Rafael Fritzen, conhecido pela produção independente; Paulo Moreira, quadrinista e ilustrador; e Pedro Leite, criador das tiras digitais Quadrinhos Ácidos e Sofia e Otto.
Já quem prefere dragões, fichas de personagem e mundos com mapas maiores que a mesa da sala pode encontrar J.M. Trevisan, um dos criadores do cenário Tormenta, e Karen Soarele, escritora de fantasia e diretora criativa da Jambô Editora. Os encontros abordam criação de universos, personagens e escrita fantástica.
O que rola nos dias 1º e 2 de novembro
No domingo, 1º de novembro, a agenda começa às 14h com Duda Falcão falando de literatura fantástica, horror e ficção científica. Às 15h, Gelson Weschenfelder conversa sobre cultura pop, super-heróis, educação e formação de leitores. Athos Beuren assume às 16h, com foco em livros-jogos e narrativas interativas.
Às 17h, Gustavo Borges e Rafael Fritzen discutem a produção de quadrinhos e o mercado brasileiro de HQs. Na segunda-feira, 2 de novembro, J.M. Trevisan e Karen Soarele abrem as atividades às 14h com RPG, fantasia e criação de mundos. Paulo Moreira e Pedro Leite falam sobre quadrinhos, ilustração e narrativa visual às 15h.
Às 16h, entra em cena uma atividade de cosplay inspirada em personagens de livros, quadrinhos, animes, filmes, séries e games. O encerramento, às 17h, discute a relação entre literatura, cultura pop e formação de novos leitores. Vale conferir os horários antes de se organizar para circular pela feira, porque tem bastante coisa para encaixar no mesmo passeio.
Uma porta de entrada para novos leitores
A programação geek não diminui o espaço do livro; ela amplia o mapa de caminhos até ele. Uma pessoa pode se apaixonar por uma história primeiro no anime e depois querer conhecer o mangá. Outra pode começar com uma HQ e acabar procurando os bastidores da criação, ou descobrir que um livro-jogo é o convite perfeito para ler participando da aventura.
Também é importante ver artistas e autores brasileiros ocupando esse espaço. Cultura pop não é só franquia estrangeira gigantesca, embora a gente também adore algumas delas. Há quadrinistas, escritores e criadores locais construindo mundos próprios e conversando com públicos que já estão acostumados a consumir histórias em vários formatos.
Para a Feira do Livro, receber o Anime Xtreme é uma forma de encontrar leitores onde eles já estão, sem exigir que todo mundo tenha o mesmo repertório ou comece pela mesma estante. E, convenhamos, poucas coisas combinam tanto quanto uma boa história, uma conversa sobre como ela foi criada e a chance de sair de lá com vontade de ler mais.
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