Piratas do Caribe 6 pode ter Jack Sparrow de volta, mas Johnny Depp quer uma coisa antes de embarcar: um final digno para o personagem.
- Depp não fecha a porta
- Um final à altura do capitão
- O roteiro tem a palavra final
- A franquia precisa de um bom plano
Depp não fecha a porta
Em conversa com o Entertainment Tonight durante a divulgação de seu novo filme, Johnny Depp comentou a possibilidade de voltar a interpretar Jack Sparrow em Piratas do Caribe 6. Não houve anúncio de elenco nem confirmação oficial, então nada de preparar o chapéu tricórnio ainda. Mas o ator também não descartou a ideia.
Depp disse que aceitaria trabalhar com Jerry Bruckheimer, produtor da franquia e alguém em quem afirma confiar. A declaração importa porque, depois de anos de incerteza sobre o futuro do ator em Hollywood e sua relação com a Disney, qualquer sinal de reaproximação vira notícia. Só que sinal não é contrato assinado, e a diferença entre os dois cabe facilmente em um navio pirata.
Bruckheimer já havia contado que conversou com Depp sobre o projeto. Segundo o produtor, o ator toparia retornar caso gostasse do roteiro. E, se dependesse dele, Jack estaria no filme: para Bruckheimer, Depp foi essencial para criar a personalidade peculiar do capitão.
Um final à altura do capitão
A condição de Depp não parece ser simplesmente aparecer por alguns minutos e brindar com rum. Ele afirmou que gostaria de participar caso a história estivesse no caminho certo para encerrar a trajetória do personagem da melhor maneira possível. É uma exigência compreensível, especialmente para alguém que carregou cinco filmes nas costas, ou melhor, no convés.
Jack Sparrow nunca foi exatamente um herói tradicional. A graça estava nas escapadas improváveis, nos planos que pareciam dar errado e naquela mistura de esperteza com caos que Depp construiu para o papel. Trazer o personagem de volta só para usar seu rosto no cartaz seria como convocar o Luffy para uma aventura e deixá-lo amarrado no mastro: tecnicamente presente, dramaticamente desperdiçado.
Se o sexto filme realmente quiser fechar esse capítulo, precisa dar ao capitão algo que pareça uma despedida, não apenas mais uma parada na jornada. Isso não exige necessariamente uma cena triste ou um discurso solene. Sparrow provavelmente fugiria de qualquer uma dessas coisas. Mas exige um motivo narrativo que faça o retorno valer o preço do ingresso.
O roteiro tem a palavra final
O texto está sendo escrito por Jeff Nathanson, roteirista que já trabalhou em outros filmes da série. Por enquanto, os detalhes da trama não foram revelados. Sem saber qual será a história, é cedo para imaginar como Jack entraria nela ou se o projeto pretende encerrar a franquia de vez.
A fala de Depp deixa claro que a decisão passa pelo roteiro. E isso é um bom sinal: franquias gigantes costumam confundir retorno de personagem com história interessante. A nostalgia ajuda a lotar a sessão, mas não segura um filme inteiro. O público pode até comemorar ao ouvir a música tema, só que a aventura precisa entregar mais do que uma piscadela para quem viu os cinco anteriores.
Também pesa o fato de que a série arrecadou mais de US$ 4,5 bilhões mundialmente. Com esse tamanho de marca, a Disney tem motivos para querer outra viagem ao Caribe. Mas bilheteria passada não garante que qualquer continuação vá funcionar. Até o Pérola Negra precisa de uma rota, e não apenas de vento favorável.
A franquia precisa de um bom plano
Depois dos processos judiciais e do julgamento envolvendo Amber Heard, em 2022, a presença de Depp em produções de Hollywood ficou incerta. Agora, o ator tenta retomar espaço com projetos como Ebenezer e os Fantasmas do Natal e o thriller Day Drinker, previsto para 2028. O retorno a uma franquia tão conhecida seria um passo de grande visibilidade, mas ainda não há confirmação de que acontecerá.
Minha torcida é para que o eventual Piratas do Caribe 6 não trate Jack Sparrow como um botão de nostalgia que a Disney aperta quando precisa. Se Depp voltar, que seja porque existe uma história boa para contar e um encerramento pensado com carinho. Caso contrário, talvez seja melhor deixar o capitão navegando para onde sempre parece estar indo: rumo a algum problema que ele mesmo inventou.
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