Stick: a história de Pryce nasceu de uma dúvida familiar

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História de Pryce em Stick tem uma inspiração bem pessoal: o criador Jason Keller imaginou como seria a vida do próprio pai se ele não tivesse abandonado o beisebol.

Uma segunda chance com raízes pessoais

A segunda temporada de Stick coloca Pryce Cahill, vivido por Owen Wilson, diante de uma chance que parecia ter ficado para trás: voltar a competir no golfe em alto nível. Só que, por trás dessa tentativa de retorno, existe algo mais íntimo do que a vontade de ganhar torneios.

Em entrevista ao Omelete, o criador Jason Keller contou que a trajetória do personagem conversa com perguntas que ele próprio faz sobre a história da família. O pai de Keller deixou o beisebol ainda jovem, e o roteirista já se pegou pensando em como a vida dele poderia ter sido se tivesse escolhido continuar no esporte.

É uma ideia que dá outra camada ao arco de Pryce. Em vez de tratar a volta como um simples desafio esportivo, a série pode explorar o peso das decisões que a gente toma cedo e a curiosidade inevitável sobre os caminhos que ficaram pelo caminho. Aquele clássico “e se?” que volta à cabeça justamente quando a vida muda de fase.

O passado do pai e o futuro de Pryce

Keller comentou que imagina como teria sido a vida do pai se ele tivesse feito escolhas diferentes aos 20 ou 21 anos, idade aproximada em que deixou o beisebol. O criador descreveu essa conexão como algo que provavelmente foi surgindo de forma inconsciente durante a criação da série.

Na ficção, Pryce também carrega as consequências de um passado que não saiu como ele esperava. Ex-promessa do golfe, ele voltou a se aproximar do esporte por meio do talento de Santi Wheeler, personagem de Peter Dager. Agora, em vez de apenas acompanhar a jornada do jovem, decide tentar realizar um sonho próprio.

Essa ligação não significa que a série seja uma reprodução da vida da família Keller. O ponto está na pergunta que alimenta as duas histórias: o que acontece quando uma oportunidade termina antes de a pessoa estar pronta para deixá-la ir? É uma premissa que funciona no esporte, mas também conversa com qualquer um que já tenha revisitado uma escolha antiga no chuveiro, no trânsito ou às três da manhã.

O retorno já estava no plano

A possibilidade de Pryce voltar a disputar competições não apareceu de última hora. Keller revelou que a equipe já discutia essa direção enquanto gravava a primeira temporada. A ideia era levar o personagem de volta ao golfe de alto nível, mas ainda faltava definir qual seria o objetivo concreto por trás dessa decisão.

Esse detalhe ajuda a entender por que a nova fase pode ser mais do que uma repetição da primeira. O retorno precisava de um motivo que colocasse Pryce à prova e trouxesse consequências para a história. Aos poucos, a equipe encontrou esse caminho: transformar a tentativa em uma busca por algo que o personagem acreditava ter perdido de vez.

Enquanto isso, Santi também avança rumo ao circuito profissional e começa a encarar a pressão de transformar talento em expectativa. A série, portanto, coloca em paralelo duas etapas diferentes da vida esportiva: o jovem diante do começo de uma carreira e o veterano tentando descobrir se ainda cabe nela.

O desafio vai além do golfe

Na segunda temporada, Pryce quer se tornar o jogador mais velho a vencer um torneio Major. É uma meta ambiciosa, para dizer o mínimo, e dá ao retorno uma linha de chegada clara. Mas o obstáculo maior talvez não esteja no campo: ele também precisa confrontar o próprio passado e descobrir se ainda tem condições de chegar ao potencial que tantas pessoas enxergavam nele.

Amanda, interpretada por Rhea Seehorn, e Mitts, o caddie vivido por Marc Maron, acompanham essa tentativa. A temporada também conta com Timothy Olyphant, Mariana Treviño, Lilli Kay e Judy Greer no elenco. Os episódios estreiam semanalmente no Apple TV a partir de 4 de novembro, com o lançamento final previsto para 30 de dezembro.

Com a inspiração familiar de Keller, o retorno de Pryce ganha um componente que costuma render boas histórias: não basta perguntar se ele ainda consegue competir. A questão é se perseguir esse sonho agora pode ajudá-lo a fazer as pazes com quem foi antes. E, convenhamos, essa disputa tem potencial para ser bem mais interessante do que acompanhar apenas o placar.

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