Feito Pipa no Oscar 2027 começa sua campanha em Los Angeles com Lázaro Ramos no centro da história.
- A campanha começou em Los Angeles
- Uma história de afeto, futebol e identidade
- O que vem pela frente na disputa
- Um time brasileiro em cena
A campanha começou em Los Angeles
O Brasil já colocou seu representante na corrida pelo Oscar 2027: Feito Pipa, longa estrelado por Lázaro Ramos. O filme teve uma sessão especial em Los Angeles nesta terça-feira, 3 de novembro, dando o pontapé inicial em sua campanha nos Estados Unidos.
Quem apresentou a exibição foi Wagner Moura, amigo de longa data de Lázaro. A presença tem um peso simbólico e também chama atenção para o momento especialmente movimentado do cinema brasileiro lá fora. Moura venceu neste ano um Globo de Ouro por O Agente Secreto e agora empresta sua visibilidade a outro projeto nacional. Uma dobradinha que dá vontade de torcer, sem transformar a temporada de premiações numa final de Copa antes do apito inicial.
Vale separar as etapas: ser escolhido como representante do Brasil significa entrar na disputa por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional. Não quer dizer que o longa já esteja entre os indicados. A seleção oficial ainda depende dos próximos passos da Academia, então a campanha é importante, mas o caminho segue aberto.
Uma história de afeto, futebol e identidade
Feito Pipa acompanha Gugu, um menino queer de 12 anos apaixonado por futebol. Ele foi criado pela avó, Dilma, professora aposentada que construiu para o neto uma rotina marcada pelo carinho. Os dois vivem nas proximidades de uma barragem, cenário que faz parte do universo da história.
É uma premissa que aproxima o filme de temas íntimos sem precisar, só pelo que foi divulgado, reduzir seus personagens a uma pauta ou a uma explicação. Gugu é uma criança com interesses, vínculos e uma vida própria. E, sim, gostar de futebol não vem com manual de identidade, apesar de muita gente ainda agir como se viesse.
A relação entre neto e avó parece ser o coração emocional do longa. Histórias de família podem falar de acolhimento e diferenças com uma força enorme justamente porque não precisam gritar para serem ouvidas. Quando a tela abre espaço para afeto e cotidiano, o público encontra algo universal sem que a narrativa precise apagar o que torna aquela experiência específica.
O que vem pela frente na disputa
A próxima data importante já está marcada: os indicados ao Oscar serão anunciados em 21 de janeiro de 2027. A cerimônia da 99ª edição acontece em 14 de março, no Dolby Theatre, em Hollywood. Até lá, a equipe de Feito Pipa terá de apresentar o filme ao público e aos votantes da Academia, numa temporada em que cada sessão pode ajudar a manter o título no radar.
Campanha de Oscar não é só tapete vermelho e discurso ensaiado. É também fazer um filme circular, encontrar plateias e mostrar por que aquela história merece ser vista. Para uma produção brasileira, uma sessão especial em Los Angeles representa uma oportunidade concreta de ampliar a conversa em torno do longa, mas não funciona como garantia de indicação. A gente torce, claro, mas sem confundir expectativa com resultado.
Um time brasileiro em cena
Além de Lázaro Ramos e Wagner Moura, participaram da sessão os protagonistas Yuri Gomes e Teca Pereira, o diretor Allan Deberton e as produtoras Karen Castanho e Bianca Villar. É um grupo que ajuda a lembrar que a campanha internacional não é uma missão solo do elenco principal: por trás de cada filme há uma equipe inteira defendendo aquela obra.
Por enquanto, o grande destaque é ver Feito Pipa levando uma história brasileira para uma vitrine importante e iniciando sua trajetória na temporada do Oscar. Se a indicação vier, será motivo de festa. Se não vier, o filme ainda terá feito o que o cinema sabe fazer de melhor: transformar uma história particular em conversa coletiva. Mas, convenhamos, já dá para deixar a torcida preparada.
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